Maturidade para Liderar a Integralidade do Corpo

Crise de lideran√ßa n√£o √© somente a falta de l√≠deres, mas tamb√©m a exist√™ncia de muitos l√≠deres, por√©m imaturos e despreparados para o exerc√≠cio da sua miss√£o. 
Na verdade, l√≠deres e mais l√≠deres surgem todos os dias. Uma multiplicidade de fun√ß√Ķes de apoio foi transformada em postos de chefia para conferir status a novos l√≠deres. Isso est√° presente nas empresas e nas organiza√ß√Ķes p√ļblicas e privadas em geral. Nas lides eclesi√°sticas, tamb√©m j√° se v√£o longe os tempos de poucos l√≠deres, e os n√ļmeros mostram isso.

ūüí° VEJA TAMB√ČM:

ūüĎČ O Papel da Lideran√ßa na Igreja

ūüĎČ O que √© lideran√ßa crist√£

ūüĎČ A Estrutura e a Lideran√ßa Eclesi√°stica

Vivemos a era da departamentaliza√ß√£o. Fun√ß√Ķes iniciantes que antes eram de elevada nobreza passaram a ser consideradas como meras etapas do caminho em busca das posi√ß√Ķes mais elevadas. A multiplica√ß√£o dos t√≠tulos conferidos aos cargos mais altos tamb√©m indica que houve um expressivo crescimento do pin√°culo da pir√Ęmide do poder. Tudo isso aumenta a necessidade de formarem-se l√≠deres maduros.

 

Sempre foi urgente a necessidade de líderes espirituais, mas Deus jamais se precipitou em formá-los. Foram formados no tempo certo. Liderança não combina com imaturidade. Em tempos tão críticos como os que vivemos, também é urgente e necessária a formação de líderes que estejam prontos para os desafios do presente século.

 

L√≠deres s√£o guias, s√£o condutores. Na igreja, s√£o pessoas vocacionadas e chamadas por Deus para o exerc√≠cio de fun√ß√Ķes que sirvam para influenciar, dirigir, governar, proteger, apoiar. O l√≠der precisa ser algu√©m que tenha um potencial diferenciado para corresponder ao prop√≥sito da sua voca√ß√£o.


Deus prov√™-se de l√≠deres para o bem do seu povo. √Č uma obra pessoal de Deus a escolha e a designa√ß√£o daqueles que v√£o servir no seu Reino: “E ele mesmo deu uns para ap√≥stolos, e outros para profetas, e outros para evangelistas, e outros para pastores e doutores, querendo o aperfei√ßoamento dos santos, para a obra do minist√©rio, para edifica√ß√£o do corpo de Cristo” (Ef 4.11,12).


O ministério da Casa de Deus é amplo, merecendo diferentes listas nas Escrituras (Rm 12.6-8; 1 Co 12.28-28). Geralmente nos referimos a ministro considerando somente os que recebem ordenação para um cargo eclesiástico específico. São várias as palavras originais que aparecem na Bíblia para tal designação, mas, em um sentido geral, ministério é serviço.

ūüí° VEJA TAMB√ČM

2 - A PESSOA DO L√ćDER

3 - A LIDERAN√áA DE MOIS√ČS

4 - A LIDERAN√áA DE JOSU√Č

5 - A FALTA QUE FAZ UM L√ćDER

6 - EXEMPLOS DE LIDERAN√áA FEMININA 

7 - A LIDERANÇA DE DAVI

H√° servi√ßos que importam na exist√™ncia de um cargo, e h√° servi√ßos que dispensam qualquer separa√ß√£o ou ordena√ß√£o. Todos os que servem no Corpo de Cristo s√£o ministros, s√£o l√≠deres. √Č com esse sentido amplo que a palavra l√≠der ser√° usada nesta obra.


A luz de Efésios 4.12, todos os líderes cristãos são chamados com vistas a um propósito de aperfeiçoamento dos santos para a obra do ministério, para a edificação do Corpo de Cristo. Se a tarefa de todo aquele que ingressa no ministério é servir de instrumento de Deus para aperfeiçoamento dos santos, é evidente que, em primeiro lugar, esses líderes estejam matriculados na escola de aperfeiçoamento e já tenham alcançado algum grau de maturidade que os habilite a ajudar outros.


Na verdade, somos muitas vezes lançados em um processo duplo: trabalhamos pela maturidade de outros enquanto nós mesmos estamos sendo amadurecidos.


N√£o √© necess√°rio que o l√≠der alcance o topo do seu crescimento espiritual, mas √© necess√°rio que haja pelo menos certo avan√ßo no processo de amadurecimento para que se possa exercer influ√™ncia positiva na vida de outros. Isso √© muito claro, pois o alvo de Deus √© que “todos cheguemos √† unidade da f√© e ao conhecimento do Filho de Deus, a var√£o perfeito, √† medida da estatura completa de Cristo” (Ef 4.14).


H√° um chamado para que deixemos a meninice espiritual, a fase em que somos marcados por inconst√Ęncias, vivendo vulner√°veis a mudan√ßas doutrin√°rias conforme o vento e a enganos e fraudes espirituais. A maturidade espiritual traz-nos firmeza para uma caminhada ascendente, de √Ęnimo permanente, ou seja, sem inconst√Ęncias. Tamb√©m nos habilita a ter uma convic√ß√£o de f√© e um conhecimento suficiente para discernir o engano.

 

Maturidade para Liderar a Integralidade do Corpo

 

√Č uma verdadeira trag√©dia quando o l√≠der, de grande ou pequeno grupo, n√£o possui a m√≠nima maturidade para ser um guia espiritual. Isso n√£o √© somente tr√°gico quanto as mais altas lideran√ßas, como tamb√©m quando √© observado nos postos de servi√ßo menos vistos na igreja, os quais tamb√©m s√£o muito importantes.


O crescimento do corpo n√£o pode ocorrer se “todo o corpo" n√£o estiver “bem ajustado e ligado pelo aux√≠lio de todas as juntas, segundo a justa opera√ß√£o de cada parte" (Ef 4.16). √Č imperativo, portanto, que cada l√≠der funcione bem, sintonizado com o todo do corpo.

Os l√≠deres de pequenos grupos exercem um papel vital para o corpo. Um l√≠der de um departamento que n√£o esteja bem ajustado compromete a estrutura da igreja e o seu crescimento. Da√≠ surge a grande import√Ęncia de preocupar-se na forma√ß√£o de l√≠deres que alcancem maturidade.


O Senhor, nosso Deus, tem um grande interesse que cres√ßamos cada dia mais a fim de que estejamos aptos a contribuir com "o aumento do corpo, para sua edifica√ß√£o em amor" (Ef 4.16b). O corpo precisa crescer com sa√ļde. A edifica√ß√£o em amor √© o √°pice do prop√≥sito de Cristo para a sua Igreja. Mas at√© que isso ocorra, um longo caminho deve ser percorrido. Para tanto, os l√≠deres precisam entender que √© necess√°rio haver um processo de amadurecimento deles mesmos e de toda a lideran√ßa que os auxilia. Ali√°s, essa compreens√£o j√° faz parte do seu pr√≥prio processo de amadurecimento.


Os líderes maduros não descartam os seus liderados por estes não se adaptarem ao seu estilo. Para eles, isso não é motivo para serem descartados. Ao contrário, desenvolve aceitação e trabalha com eles para que sejam realmente ganhos para Cristo e o seu serviço. Jesus mandou que fizéssemos discípulos não ao nosso modelo, mas ao modelo dEle.


Paulo disse: “Sede meus imitadores, como tamb√©m eu, de Cristo” (1 Co 11.1), ou seja, imitem a Cristo como tamb√©m o fa√ßo.


Quando o l√≠der maduro chega, por exemplo, ao pastoreio de uma igreja, j√° sabe que vai lidar com pessoas das mais diversas naturezas, gente de todo tipo. Cada um tem uma forma√ß√£o pessoal, uma hist√≥ria de vida, com as suas pr√≥prias ideias, opini√Ķes, rea√ß√Ķes, posturas, valores e at√© mesmo cren√ßas. Ter esse corpo ajustado, ligado e funcionando bem n√£o √© uma tarefa f√°cil e jamais ser√° executada sem a cabe√ßa, que √© Cristo.


O l√≠der maduro n√£o confia em si mesmo, pois sabe que, por mais que fa√ßa, n√£o poder√° assegurar um crescimento saud√°vel para o corpo. Ter√° que ter paci√™ncia, prud√™ncia e sabedoria para, “seguindo a verdade em amor", alcan√ßar um corpo crescido “em tudo naquele que √© a cabe√ßa, Cristo" (Ef 4.15).

O l√≠der imaturo esquece-se disso e procura estabelecer os seus pr√≥prios meios. A autoconfian√ßa faz com que ele busque alternativas de crescimento que sacrifique tanto a verdade quanto o amor. Chega-se ao ponto de n√£o importar se est√° realmente ligado a Cristo, que √© a cabe√ßa. Esses casos s√£o os mais graves, em que o corpo descaracteriza-se e deixa de ser Igreja. Mas tamb√©m √© falta de maturidade quando aqueles que professam a Cristo e mostram-se ferrenhos defensores da verdade agem fora do caminho do amor. A dureza do pr√≥prio cora√ß√£o do l√≠der faz com que ele apegue-se √†s suas tradi√ß√Ķes, √† sua pr√≥pria e exclusiva vis√£o, deixando de seguir a verdade em amor. A falta de amor termina cegando-o, de forma que a verdade que professa n√£o √© mais a mesma verdade de Deus. A verdade de Deus n√£o existe sen√£o arraigada no amor. S√£o atributos de uma mesma ess√™ncia. H√° um risco muito grande de sustentar-se a rigidez em nome do que considera ser a verdade, por√©m estar trabalhando debaixo do engano sutil.


Outra manifesta√ß√£o de imaturidade √© a √™nfase em um crescimento parcial, deixando de alcan√ßar a b√™n√ß√£o do crescimento total de que falou Paulo: “cres√ßamos em tudo naquele que √© a cabe√ßa, Cristo”. A vontade de Deus √© que o Corpo cres√ßa sem deforma√ß√£o, que uns membros n√£o se agigantem em detrimento de outros e nem que fiquem mirrados por falta de nutri√ß√£o.


H√°, ainda, o problema do falso crescimento, que √© o incha√ßo pela adi√ß√£o de insumos estranhos, que n√£o produzem sa√ļde ao corpo. A Igreja de Corinto padecia desse mal. Paulo diz que eles j√° se consideravam fartos, ricos. Estavam, na verdade, inchados (1 Co 4.18) e precisavam de uma s√©rie de medidas curativas, como o ap√≥stolo bem tratou na sua carta.


O “crescimento em tudo” √© um processo que requer da lideran√ßa paciente sabedoria e serena dedica√ß√£o, num servi√ßo que n√£o comprometa a verdade, n√£o despreze o amor e jamais se distancie da Cabe√ßa. Pelo contr√°rio! Tenha o cuidado de liderar a todos, esperando que cada parte seja somada ao todo e funcione adequadamente para que, ao final, haja o "aumento do corpo para sua edifica√ß√£o em amor".


A falta de uma compreensão exata desse processo pode levar-nos a impor graves prejuízos ao Reino de Deus, com severas consequências para nossas próprias vidas. Jesus escolheu para si 12 discípulos e trabalhou com eles por volta de três anos e meio, preparando-os para a obra que lhes tinha designado. Depois, deu a eles o Espírito Santo para que os ajudasse diariamente nesse serviço.


A experi√™ncia a que os disc√≠pulos foram submetidos teve como finalidade amadurec√™-los para liderar outros. A grande √™nfase dada por Cristo para que houvesse √™xito nesse servi√ßo foi que os seus disc√≠pulos tivessem alcan√ßado um amor indubit√°vel e verdadeiro; da√≠ a insist√™ncia com Pedro: “[...] amas-me mais do que estes? [...] Apascenta os meus cordeiros [...] amas-me? [...] Apascenta as minhas ovelhas [...] amas-me? [...] Apascenta as minhas ovelhas" (Jo 21.15-17).


O resultado foi que esses homens, assim como Pedro, exerceram lideran√ßa com tanto afinco e destemor que aceitaram o mart√≠rio por amor a Cristo. Os disc√≠pulos receberam de Jesus a toler√Ęncia da sua pr√≥pria imaturidade para que estivessem prontos a compreender outros e ajud√°-los a alcan√ßar maturidade espiritual.

 

Maturidade Liberta do Farisaísmo

A maturidade do l√≠der faz com que ele compreenda que os seus liderados, mesmo que j√° sejam santos no sentido posicional (em Cristo), ainda est√£o sujeitos a muitas imperfei√ß√Ķes e precisam ser pacientemente ajudados a super√°-las diariamente. Aquele alvo citado em Ef√©sios 4.16, o “aumento do corpo, para sua edifica√ß√£o em amor", demanda tempo.

 

Vemos isso na carta de Paulo aos colossenses, quando, no capítulo 3, ele fala de pelo menos quatro níveis de crescimento espiritual. No primeiro, os crentes já deixaram o que podemos chamar de pecados flagrantes: "[...] a prostituição, a impureza, o apetite desordenado, a vil concupiscência e a avareza, que é idolatria" (Cl 3.5). Para esses, Paulo diz que é preciso mortificar os membros, ou seja, subjugar a natureza pecaminosa de forma a não mais voltar a praticar tais pecados.

 

Ocorre que esse √© apenas o primeiro passo; um passo extraordin√°rio, mas que n√£o √© tudo na vida do novo crente, e o l√≠der precisa saber muito bem disso. Em seguida, depois de falar da condi√ß√£o daqueles crentes no passado, Paulo refere-se ao presente e diz: “Mas, agora, despojai-vos tamb√©m de tudo: da ira, da c√≥lera, da mal√≠cia, da maledic√™ncia, das palavras torpes da vossa boca. N√£o mintas uns aos outros [...]" (3.8,9a).

 

O l√≠der maduro sabe que a verdadeira santidade n√£o come√ßa de fora para dentro, mas de dentro para fora. Ele n√£o vive primeiramente se importando com o exterior do copo ou do prato em atitudes farisaicas (Mt 23.25-28), mas sabe reconhecer que uma faxina interior √© muito mais importante, urgente e necess√°ria. √Č, como diz Paulo, “agora"!

 

A falta de maturidade leva o l√≠der a exigir mudan√ßas exteriores e a ser enganado por elas, permitindo que os seus liderados emperrem no crescimento espiritual. Aqui se encontram muitas vezes os l√≠deres que est√£o crentes de estarem seguindo a verdade, mas a falta de amor lamentavelmente os levou a um caminho de engano. Jesus chama de “fariseu cego" e explica que, se primeiro for limpo o interior do copo e do prato, o seu exterior tamb√©m ficar√° limpo (Mt 23.26).

 

Acerca desse tipo de comportamento, o pastor Elienai Cabral diz no seu livro A Síndrome do Canto do Galo:

 

Essas pessoas valorizam banalidades exteriores e acabam criando problemas na comunidade. Falta-lhes conhecimento da Palavra de Deus. Facilmente ofendem-se e magoam-se. S√£o pessoas inst√°veis emocional e espiritualmente. Costumam criticar tudo que n√£o seja conforme seus padr√Ķes. S√£o dominadas por uma predisposi√ß√£o cr√≠tica contra pessoas que n√£o estejam dentro dos caprichos pessoais. Esse tipo de gente √© legalista e extremista, e um de seus aspectos negativos √© a falta de prioridades claras na vida crist√£.

 

Isso √© ainda mais tr√°gico quando se manifesta na lideran√ßa. Paulo vai logo ao ponto central do problema e diz aos colos-senses que eles deveriam libertar-se dos sentimentos pecaminosos que ainda reinavam nos seus cora√ß√Ķes e levavam-nos a pr√°ticas igualmente pecaminosas. A ira, a c√≥lera, a mal√≠cia, a maledic√™ncia, as palavras torpes e as mentiras est√£o seguras em ra√≠zes malignas que insistem em permanecer dentro do cora√ß√£o do crente — inclusive de l√≠deres — e somente uma vis√£o espiritual correta, livre da cegueira do farisa√≠smo, √© que nos permitir√° ver esse quadro t√£o tr√°gico e desejar que seja revertido com urg√™ncia.

 

A maturidade de Paulo n√£o o permitia ignorar essas realidades espirituais, como faz o l√≠der imaturo, que se apega a quest√Ķes externas e n√£o enfrenta com a Palavra os grandes males que poder√£o comprometer diretamente o crescimento do Corpo; da√≠ igrejas com tantos problemas cr√īnicos, embora aparentemente t√£o santas.

 

Paulo, entretanto, sabia que esse segundo patamar da verdadeira santidade ainda n√£o era tudo.

 

O terceiro n√≠vel espiritual consistiria em um revestimento de “entranhas de miseric√≥rdia, de benignidade, humildade, mansid√£o, longanimidade”, fazendo com que os colossenses estivessem capacitados para suportar uns aos outros e perdoar uns aos outros (Cl 3.12,13). Ou seja: somente ap√≥s remover os sustent√°culos da ira, da c√≥lera, da mal√≠cia e de tantos outros males √© que seria poss√≠vel aos crentes ter um cora√ß√£o disposto √† miseric√≥rdia, √† benignidade, √† humildade, √† mansid√£o, √† longanimidade e ao perd√£o.

 

O líder maduro sabe que os seus liderados somente alcançarão a produção do fruto do Espírito quando identificarem os seus pecados internalizados, inclusive os pecados do espírito, e buscarem ser libertos de todos eles. Isso os fará dispostos a um revestimento interior, ao recebimento de um poder sobrenatural que os torne pessoas realmente santas.

 

Não é possível que líderes que ainda não tenham aprendido a crescer na escola da santidade saibam identificar os verdadeiros problemas dos seus liderados, vendo neles aquilo que, pela graça de Deus, conseguiram ver em si mesmos e, também, por esta graça, conseguiram vencer.

 

Paulo escreveu ensinando tanto a Tim√≥teo quanto a Tito que o l√≠der n√£o deve ser, por exemplo, algu√©m dominado pela ira: “E ao servo do Senhor n√£o conv√©m contender, mas, sim, ser manso para com todos [...]" (2 Tm 2.24), “[...] n√£o soberbo, nem iracundo [...] nem espancador [...] mas [...] moderado [...] temperante" (Tt 1.7,8). A ira produz contenda e impede que haja mansid√£o.

 

Da Imaturidade ao Vínculo da Perfeição

O nível de perfeição que o cristão pode alcançar é fruto de debate ao longo dos séculos. Talvez John Wesley tenha sido quem mais se dedicou a tratar desse assunto, a ponto de desenvolver a sua Doutrina da Perfeição Cristã. Qualquer que seja o nível espiritual objetivo que seja possível a essa perfeição, é fato que a Palavra de Deus fala expressamente acerca dela. O que mais importa é que o cristão não pode conformar-se em estagnar o seu crescimento, e isso é ainda mais verdadeiro para o líder.

 

A maturidade espiritual do l√≠der pressup√Ķe que, al√©m de n√£o estar mais preso sob o dom√≠nio dos pecados flagrantes, j√° venceu as for√ßas da maldade que prendiam o seu esp√≠rito e a sua alma, e abriu o seu cora√ß√£o para que o Esp√≠rito Santo produza o seu fruto com abund√Ęncia. Isso o l√≠der maduro desejar√° ardentemente que os seus liderados tamb√©m alcancem, tirando-os do n√≠vel de imaturidade e de infantilidade espiritual.

 

Depois desse terceiro n√≠vel de crescimento, escancaram-se as portas para um quarto n√≠vel, que, no dizer de Paulo, √© um “sobre tudo”: “E, sobre tudo isto, revesti-vos de amor, que √© o v√≠nculo da perfei√ß√£o” (Cl 3.14). O t√£o sonhado processo de perfei√ß√£o desenvolver-se-√° quando o corpo estiver ligado sob o v√≠nculo da perfei√ß√£o, que √© o amor.

 

Não adianta esperar que os liderados amem uns aos outros se eles ainda não foram ensinados sequer a despir-se das estruturas internas da maldade que os hostilizam e dominam os seus sentimentos e pensamentos. O líder compreenderá bem isso se ele próprio já tiver percorrido esse glorioso caminho de maturidade espiritual.

 

Esse líder terá paciência e tranquilidade para conviver com pessoas difíceis, que se iram facilmente, que sejam maliciosas, maledicentes e que ainda não conheçam a misericórdia, a humildade, a mansidão, etc. O líder maduro não ficará irritado diante desses quadros, pois saberá que é o seu desafio ensinar aos seus liderados a não ficar estagnados no primeiro degrau, mas, sim, a terem a disposição de caminhar firmemente rumo ao progresso espiritual.

 

√Č por isso que — insistimos — √© vital que os l√≠deres sejam espiritualmente maduros. Maturidade n√£o equivale necessariamente √† idade; decorre da experi√™ncia espiritual de ter permitido ao Esp√≠rito Santo guiar-nos no caminho da verdadeira santidade. L√≠deres j√° de avan√ßada idade ainda podem estar emperrados no primeiro degrau; e, pior ainda, n√£o ser√° um processo f√°cil ajud√°-los a aceitar que precisam melhorar.

 

Nesse ponto, o tempo de servi√ßo do l√≠der pode pesar de forma negativa, pois a presun√ß√£o pode impedi-lo de conceber a possibilidade de que est√° errado e precisa mudar. √Č por isso que, em muitas situa√ß√Ķes, Deus usa os mais diversos expedientes para tratar com os l√≠deres a fim de que n√£o percam a sua pr√≥pria salva√ß√£o depois de terem servido tanto.

 

H√° um julgamento de Deus sobre os crentes aqui na terra, especialmente dos l√≠deres, numa clara demonstra√ß√£o do amor de Deus — diz-se especialmente dos l√≠deres porque a responsabilidade √© proporcional ao que se recebe como servo (Lc 12.48).

 

O ap√≥stolo Pedro lembra-nos de que "j√° √© tempo que comece o julgamento pela casa de Deus" (1 Pe 4.17). Esse julgamento √© uma dura corre√ß√£o de Deus para que sejamos participantes da sua santidade (Hb 12.6-10). Paulo bem explica isso ao dizer: “quando somos julgados, somos repreendidos pelo Senhor, para n√£o sermos condenados com o mundo" (1 Co 11.32). E, portanto, um ju√≠zo para salva√ß√£o.

 

Voltando ao exame do cap√≠tulo 3 de Colossenses, vemos que, quando o crente alcan√ßa o quarto n√≠vel espiritual — o revestimento de amor, que √© o v√≠nculo da perfei√ß√£o —, obt√©m-se uma conquista gloriosa: a paz de Deus, que passa a dominar em nossos cora√ß√Ķes (v. 15). Este √© o ponto que todos precisamos alcan√ßar: viver uma vida dominada pela paz de Deus.

 

O líder maduro não descansa enquanto não percebe que ele próprio e aqueles que o cercam estão desfrutando dessa paz. O mínimo que se precisa ver é todos os membros do Corpo funcionando em busca desse processo. Não pode haver satisfação para o líder em desistir de qualquer dos membros, pois a bênção é para todo o Corpo.

 

Abundante Alegria Espiritual

V√°rias s√£o as √°reas de nossa vida que precisam ser trabalhadas por Deus dentro desse foco da Palavra. Todas precisam ser alcan√ßadas e resgatadas para esse prop√≥sito sobrenatural. O resultado descrito por Paulo √© o fluir abundante da Palavra de Cristo e um ambiente de sabedoria, m√ļtua admoesta√ß√£o e muita alegria espiritual e gra√ßa no cora√ß√£o (Cl 3.16).

 

Ora, de um grupo de pessoas antes presas nos pecados flagrantes, agora é possível ter uma congregação realmente santa, livre das amarras internas da maldade, cheia de sentimentos divinos, abundante em amor, plena de paz, alegria e graça. Não será urgente que sejamos líderes prontos para sermos usados por Deus nesse importantíssimo processo?

Que privilégio é poder ser um instrumento de Deus para ajudar outros a crescer espiritualmente, enquanto nós mesmos também estamos sendo trabalhados pela sua graça! Não importa a área em que estejamos sendo usados, pois nem todos são apóstolos, profetas, evangelistas, pastores ou mestres. Todos devemos ser simplesmente aquilo que o Senhor quer que sejamos, desempenhando nosso serviço com humildade e sujeição, esperando a recompensa do Sumo Pastor.

 

O clamor feito por Jesus continua v√°lido e urgente ainda hoje: “[...] A seara √© realmente grande, mas poucos s√£o os ceifeiros" (Mt 9.37). Poucos s√£o os que realmente entenderam que o importante √© trabalhar na seara; trabalhar na mais correta acep√ß√£o do termo, sem apego a cargos ou posi√ß√Ķes, mesmo que seja necess√°rio exerc√™-los.

 

Deus precisava de um l√≠der maduro para guiar o seu povo pelo deserto, suportando os seus pecados, murmura√ß√Ķes e rebeldias a fim de que, enquanto isso, Ele pudesse forj√°-los, preparando-os para a posse da Terra Prometida. De igual sorte, Deus precisa de l√≠deres hoje que estejam preparados para serem guias espirituais em tempos t√£o cr√≠ticos.

 

A falta de uma liderança sadia abre um fosso de desesperança, fazendo crescer as chamadas igrejas emergentes, que flexibilizam o evangelho e comprometem a verdadeira missão da Igreja. Líderes maduros são os instrumentos de Deus para frear esse processo.

 

√Č fundamental que os l√≠deres alcancem maturidade espiritual para que haja maior √™xito no seu trabalho, inclusive para que outros l√≠deres igualmente maduros saiam dos lombos desses homens de Deus experimentados.

 

O l√≠der maduro sabe que ningu√©m pode fazer nada com efic√°cia na igreja de Jesus sen√£o pela gra√ßa de Deus. Tudo √© conforme a gra√ßa recebida. No demais, √© cansa√ßo e perda de tempo sem frutos. Isso faz com que o l√≠der viva tranquilo, trabalhando em equipe. Tem ele a consci√™ncia de n√£o querer usurpar a fun√ß√£o de outrem e perder tempo procurando fazer o que n√£o recebeu gra√ßa para faz√™-lo. Se realmente deseja realizar mais no Reino de Deus, dedica-se a buscar mais gra√ßa para que, dessa forma, possa ser mais √ļtil ao seu Senhor.

 

Nem sempre o líder realiza tanto diretamente por ele mesmo, mas também, e principalmente, por meio dos seus liderados. Preparar outros líderes é uma das principais tarefas do líder maduro. Entender isso faz com que ele tenha plena consciência da sua finitude e não perca o foco na sua liderança. Enquanto realiza, tem a visão de capacitar outros para a continuidade da missão, pois entende que o futuro da obra de Deus depende de que haja renovação na liderança.

 

A obra de Deus √© din√Ęmica, e n√£o est√°tica. E preciso que haja l√≠deres preparados para cada tempo e para todo tipo de tarefa. A constitui√ß√£o de cada l√≠der atende a prop√≥sitos espec√≠ficos de Deus de acordo com as necessidades da sua obra, que s√£o distintas conforme cada circunst√Ęncia.

 

Deus sempre precisou de l√≠deres para realizar os seus planos. Hoje a voz divina ainda ecoa: “A quem enviarei, e quem h√° de ir por n√≥s?" (Is 6.8). Apesar das crises vividas pela escassez de l√≠deres, o Todo-Poderoso jamais deixou de contar com um remanescente fiel ao seu chamado. Os m√©todos de Deus para formar esses l√≠deres est√£o contidos na sua Palavra e jamais ser√£o superados por qualquer t√©cnica ou estrat√©gia humana.


Artigo: SILAS QUEIROZ


CURSOS B√ćBLICOS PARA VOC√ä:

1) CURSO B√ĀSICO EM TEOLOGIA Clique Aqui
2) CURSO M√ČDIO EM TEOLOGIAClique Aqui
3) Forma√ß√£o de Professores da Escola Dominical Clique Aqui
5) CURSO OBREIRO APROVADO - Clique Aqui


Matricule-se j√° !