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Neste artigo, veremos os 5 pontos da dinâmica da Salvação à luz da Bíblia, que historicamente recebem o nome de “Arminianismo”.
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1. Depravação Total


Este conceito assinala que todo ser humano está debaixo da condenação e da escravidão do pecado (Rm 3.23). A ideia de “total” não é de intensidade, mas de abrangência, ou seja, todos “somos pessoas decaídas, e isto inclui a nossa mente, as nossas emoções, a nossa vontade e o nosso corpo”, mas isto não sinaliza que “todos os seres humanos sejam potencial e extremamente maus”, e sim que todos “não são tão bons quanto precisariam ser”. Por causa da Queda, todas as áreas de nosso ser foram afetadas, inclusive nosso arbítrio. Portanto, o homem, sem a ajuda de Deus, não pode dar início ao processo da salvação, pois seu livre-arbítrio para as coisas espirituais precisa ser restaurado. O homem só poderá ser salvo se Deus o buscar primeiro (Fp 1.6). Somente pela graça preveniente (ação divina que antecede a conversão) é que o homem recebe capacidade de arrependimento e fé.
 
A Doutrina da Depravação Total combate a heresia do Pelagianismo, condenada nos Concílios de Cartago (418 d.C.) e Éfeso (431 d.C.). Pelágio (350-423 d.C.) negava o pecado original e suas consequências, e ensinava que o homem era capaz, por vontade própria, de viver sem pecado.

O arminianismo também discorda do Semipelagianismo, defendido por João Cassiano (360-435 d.C.), que ensinava ser possível ao homem ter fé e dar o primeiro passo para Deus para só depois receber o auxílio da graça divina. Estes ensinos foram condenados no Sínodo de Orange (529 d.C.). Também a posição arminiana é contrária ao Socinianismo, ensinado por Fausto Sociano (1539-1604), que negava a Queda e a Depravação Total, e dizia ser possível ao homem, por si mesmo, arrepender-se e obter perdão por meio de boas obras. Em síntese, o arminianismo reconhece o pecado original, que a Queda do homem o tornou totalmente incapaz de até mesmo desejar se aproximar de Deus, e ensina que por meio da graça preveniente o homem recebe divinamente a capacidade para crer e ser salvo. Mercê destes fatos, ratifica-se que a salvação provém da graça, por meio da fé e não das obras (Ef 2.8,9). Por conseguinte, o “homem não possui fé salvadora em si mesmo, nem no poder do seu livre-arbítrio; como está escrito em João 15.5, ‘porque sem Mim nada podeis fazer”.

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2. Expiação Ilimitada

O termo se refere à intenção, extensão e aplicação da morte de Cristo em favor dos pecadores. É a resposta à pergunta “Por quem Jesus morreu?”.

A declaração arminiana afirma que “Cristo, o Salvador do mundo, morreu por todos e por cada um dos homens, de modo que obteve reconciliação e remissão dos pecados por sua morte na cruz, porém ninguém é realmente feito participante dessa remissão, exceto os crentes”.

A palavra “expiação” abrange reconciliação, propiciação, regaste, redenção e libertação. Trata-se do alto preço que Cristo pagou pelo nosso resgate (Hb 9.12). A Bíblia assevera que “fomos comprados para Deus” (Ap 5.9), ou seja, o resgate foi pago para Deus e não para Satanás. O preço da redenção foi pago em favor de todos e não apenas de alguns, pois Cristo “deu a si mesmo em preço de redenção por todos” (1 Tm 2.6). Tito 2.11 diz: "Porque a graça salvadora de Deus se há manifestado a todos os homens”. O texto bíblico faz alusão não a qualquer graça, mas à graça salvífica disponível a todos.

O arminianismo não prega e nem defende que todos sem exceção serão salvos (universalismo), mas ensina que Cristo morreu por todos e por cada um, porém nem todos serão salvos. Segundo a Bíblia, Deus não quer que ninguém pereça, mas que todos se arrependam (2 Pe 3.9). De fato, o Senhor morreu para salvar a todos (1 Tm 2.4), porém a salvação só ocorre conforme as condições que Ele próprio estabeleceu: os homens só serão salvos mediante a fé, que lhes é concedida por meio da graça (Ef 2.8,9). Desse modo, ratifica-se que “a morte de Jesus faz provisão para o perdão de todos os pecados, mas ela não estabelece o perdão até que o pecador se entregue em fé a Deus”. Assim, a expiação é universal qualificada, ou seja, Cristo morreu por todos (intenção e extensão universais), mas somente os crentes serão salvos (aplicação particular).

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3. Graça Resistível

Para o arminianismo, a graça de Deus sempre tem a intenção de salvar, mas os homens a podem resistir (Tt 2.11; 3.4-5; Mt 23.37). Esta graça é preveniente, ou seja, Deus prepara o caminho para o homem crer, obedecer e se converter. É a bondade de Deus que leva o homem ao arrependimento (Rm 2.4). Quando o homem responde positivamente e não resiste a essa graça, ele é regenerado. Contudo, Deus não força ninguém a crer. Ele não violenta a liberdade humana concedida pela Sua graça e soberania. Deus não se sobrepõe à vontade das pessoas para que estas sejam salvas. Os que se achegam a Cristo não são coagidos, mas atraídos a Ele (Jo 12.32). Por esse motivo, essa graça divinamente oferecida pode ser resistida (At 7.51). E neste caso, ao rejeitar o apelo divino, o homem assume as consequências de sua resistência, não experimenta a regeneração e torna-se culpado diante de Deus (Rm 1.22-24).

A Parábola do Grande Banquete evidencia essa verdade (Lc 14.15-24). A salvação é descrita em termos de um grande banquete, que será para todos os povos/nações. No entanto, nem todos aceitaram o convite. Embora a graça preveniente seja universal (salvação para todos), ela não resulta em universalismo (salvação de todos), e isto porque essa graça é resistível. Portanto, Deus não retém ou omite a graça de ninguém, mas são os homens que rejeitam o favor divino (Lc 13.34). A graça concede universalmente a capacidade e a possibilidade do homem receber ou rejeitar a Cristo. Deus ama e quer salvar todas as pessoas, mas nem todas as pessoas serão salvas, uma vez que o próprio Deus decidiu soberanamente que o convite ao evangelho pode ser negado. Objetamos que Deus exerce uma graça irresistível sobre as pessoas à revelia da própria vontade delas.

4. Eleição Condicional

A Bíblia dispõe de dois termos e suas derivações que revelam a escolha que Deus realiza em Sua soberania. A primeira expressão é a eleição e a segunda é a predestinação.10 Esses vocábulos podem ser explicados biblicamente do seguinte modo: “Por meio da presciência divina, Deus sabe, desde a eternidade, quais indivíduos creriam e perseverariam na fé e a essas pessoas Deus elegeu,11 e por elegê-los também os predestinou”. Deus não elegeu arbitrariamente uns para a salvação e outros para condenação, porque Ele “quer que todos os homens se salvem e venham ao conhecimento da verdade” (1Tm 2.4), mas estabeleceu as condições para ser eleito. A condição é estar em Cristo (Ef 1.1-4), e para estar em Cristo é preciso ter fé (Ef 3.17) e arrepender-se dos pecados (At 2.38). E nenhuma destas condições é meritória, porque ninguém pode cumpri-las sem o auxílio divino.

Ressalta-se que o fundamento bíblico da doutrina da eleição é Jesus, de maneira que tanto a eleição de Israel quanto a eleição da Igreja têm início com a eleição do Messias (1 Pe 2.4-6). Primeiro, Deus elegeu Cristo para ser o Salvador, em seguida elegeu um povo por meio do qual o Messias viria (Gn 12.1-3) e de sua descendência haveria de nascer o Emanuel. Todavia, a eleição dessa nação não estabeleceu garantia de salvação para ela, pois nem todos os Israelitas serão salvos (Rm 9.6). Mediante a escolha de Israel veio o Salvador e por meio de sua obra salvífica, a Igreja foi eleita “antes da fundação do mundo” (Ef 1.4).
 
Deus não elegeu uma nação já existente, mas criou uma nova a partir de Abraão; Jesus, da mesma forma, criou um novo povo (a Igreja) formado por judeus e gentios (Ef 2.14). Portanto, tanto a eleição de Israel como a da Igreja são corporativas: Deus escolheu um corpo, e para fazer parte dele é necessário atender às condições divinamente estipuladas.

5. Perseverança dos Santos.
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A salvação é um dom gratuito do Senhor, porém isso não significa que é impossível perder a salvação, que “uma vez salvo, salvo para sempre”. O suplício da cruz requereu o sangue do Filho de Deus e por meio dele devemos viver em santidade (Hb 10.10; 12.14). A expiação somente tem aplicação naqueles que permanecem em Cristo. Jesus asseverou: “Aquele que perseverar até ao fim será salvo” (Mt 24.13).

Mediante o mau uso do livre arbítrio, o cristão pode apostatar da fé e perder a salvação (Hb 6.4-6). Por isso, o cristão, ao alcançar a dádiva da salvação imerecida, tem que se esmerar em andar no caminho justo (Hb 3.12), a fim de crescer na fé; caso contrário, poderá esfriar na fé e eventualmente se afastar de Deus (Lc 15.32), até mesmo eternamente (Jo 17.12). Entendemos que “os verdadeiros crentes podem cair da verdadeira fé e podem cair em pecados que não são condizentes com a fé verdadeira e justificante. Isto não é somente possível acontecer, mas ainda acontece com frequência”. Embora a salvação seja oferecida gratuitamente a todos, uma vez adquirida, deve ser zelada e confirmada (1 Co 10.12).

💻 Adaptação/Reverberação: www.subsidiosdominical.com
📝 Artigo: BAPTISTA, Douglas Roberto. O processo de Salvação à luz da Bíblia. Mensageiro da Paz, outubro, 2018

Estudo Publicado em Subsídios EBD – Site de Auxílios Bíblicos e Teológicos para Professores e Alunos da Escola Dominical.

 
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