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Os Dons de Poder

A operação sobrenatural de Deus, através dos dons de poder, são sinais e maravilhas realizados pelo Senhor, com propósitos específicos, e que fogem à compreensão humana. Supliquemos, pois, a Deus que se manifeste sempre em nosso meio através dos dons de poder, confirmando assim a sua Palavra.

I - DEFINIÇÃO
Dons de poder são capacidades extraordinárias concedidas pelo Senhor à sua Igreja para que esta aja sobrenaturalmente na proclamação do Evangelho. São também chamados “dons de ação”, pois operam na área física, material. Fazem parte desse grupo o dom da fé, o dom de operar maravilhas e os dons de curar. Estudaremos, nesta lição, os dois primeiros; quanto ao último, estaremos estudando na lição 9.
1. No Antigo Testamento.
Entre tantas referências acerca dos dons de poder, podemos mencionar as seguintes:
a) Fé.
Vemos tal operação nas vida de: Josué, quando o sol e a lua foram detidos segundo a palavra desse grande servo de Deus(Js 10.12); Elias, quando este orou para que caísse fogo e chuva dos céus (1 Rs 18.20-22,41-46) etc.
b) Maravilhas.
Este dom pode ser visto nas vidas de: Moisés, quando as pragas vieram sobre o Egito (Ex 7.20; 8.6, 17, 24; 9.10, 23, 26; 10.13, 22); quando o mar Vermelho se abriu (Ex 14.21), e quando as águas de Mara tornaram-se doces; Elias, quando da multiplicação da farinha e do azeite da viúva (1 Rs 17.16) e dos demais milagres realizados pelo profeta.

2. No Novo Testamento.
Os dons de poder operavam intensamente no período do Novo Testamento. Vejamos:

a) Fé.
Vemos essa operação nas vidas de: Pedro, pela certeza do livramento, quando estava no cárcere (At 12.6); Paulo, pela certeza que tinha da vitória, em meio ao temporal (At 27.25), e quando mordido» pela serpente (At 28.5) etc.

b) Maravilhas.
Esse dom operava eficazmente nas vidas de: Pedro, na ressurreição de Dorcas (At 9.40); Paulo, na cegueira que veio sobre Elimas (At 13.11), nos sinais e prodígios que fez em Icônio (At 14.3), e nas maravilhas extraordinárias que o Senhor operava por suas mãos (At 19.11) etc.
Saiba mais:

II - O DOM DE OPERAR MARAVILHAS
1. Definição.
Conhecido também como operação de milagres, o dom de maravilhas é a capacitação sobrenatural que o Espírito Santo concede à Igreja de Cristo para que esta realize sinais, maravilhas e obras portentosas.
2. Utilidade.
Manifestar operações extraordinárias provindas de Deus, que envolvem:
a) Ressurreição de mortos.
Como ocorreu com o filho da viúva de Naim (Lc 7.11-17), a filha de Jairo (Mt 9.18, 19, 24), Lázaro (Jo 11.43, 44) etc.
b) Castigos.
Como ocorreu com Ananias e Safira, que mentiram ao Senhor (At 5.1-11), e com Elimas, que foi ferido de cegueira, por estar perturbando a pregação de Paulo (At 13.7-12) etc.


c) Intervenção nas forças da natureza.
Por intermédio deste dom, o Senhor altera as leis da natureza. Exemplo: Moisés, ao dividir as águas do mar Vermelho (Ex 14.21); Eliseu, ao separar as águas do Jordão (2 Rs 2.14); Pedro, ao andar sobre as águas (Mt 14.28-31) etc.

Os “sinais, prodígios e maravilhas” eram manifestados tão poderosamente na vida de Paulo, que este os chama de “sinais do meu apostolado”. Eram suas credenciais (At 19. 11, 12).

3. A utilidade.
Esse dom é para os nosso dias; Deus não mudou (Hb 13.8; 1 Co 12.4-6). Lamentamos que esse dom não se manifeste com tanta intensidade hoje. Pois a maior necessidade dos nossos dias é voltar às fontes do cristianismo primitivo. Tudo se moderniza, mas o caminho de Deus é sempre o mesmo. Se nos enchermos do Espírito (Ef 5.18), e permanecermos em humildade, os dons passarão a operar abundantemente em nós (Hb 2.4; Ef 3.7; Rm 12.6-8; 1 Co 12.11). Estes sinais hão de acompanhar a Igreja até o fim (Mc 16.15-20).

III - O DOM DA FÉ
Há, pelo menos, três tipos de fé: natural, salvadora e extraordinária, que é o dom da fé.
1. Fé natural.
Leva a pessoa a acreditar em qualquer coisa examinada à luz da razão. E a fé intelectual. A pessoa acredita, por exemplo, que há um polo norte, que o remédio prescrito pelo médico vai curá-lo, que o piloto do avião, em que se encontra, vai conduzi-lo bem etc. Alguns até creem na existência de um Ser Supremo através do testemunho da natureza. Mas este tipo de fé serve apenas para as relações terrenas entre os homens (Tg 2.19; Jo 20.29).

2. Fé Salvadora.
É através desta que passamos a crer no Senhor para a nossa salvação; é definida como um dom Deus (Ef 2.8). Ao ouvir a Palavra, o coração do homem é despertado por ela (At 16.14), abrindo-se-lhe a porta da salvação (At 14.27). E, assim, Deus nos concede a graça de crer (Fp 1.29). Ao crer em Jesus, o pecador é levado a obedecer a fé (Rm 16.26); e, dessa forma, é purificado e salvo por esta fé (At 15.9; Ef 2.8;Rm 10.9, 10).
Há que se mencionar, ainda, a fé como fruto do Espírito (G1 5.22).
3. O dom da fé.
a) Definição.
É a capacidade, ou faculdade, de se confiar em Deus de modo sobrenatural. É uma fé especial, diferente de qualquer outro tipo de fé; manifesta-se apenas em ocasiões especiais.

No original, significa literalmente “tende fé estando em Deus” (2 Co 10.15;2Ts 1.3). Éum recurso especial do poder de Deus (1 Co 12.9), com o qual foram dotados os heróis mencionados na galeria da fé (Hb 11). Esse dom é concedido somente a algumas pessoas, visando a consecução de obras extraordinárias em tempos de crise, desafio e emergência (1 Co 12.29).

b) Utilidade. 
Através desse dom, o Espírito dá ao crente a fé que opera sinais e prodígios (Mt 17.20). O uso dessa fé libera o poder de Deus com abundância nas ocasiões que o Espírito dirigir (Tg 5.17; At 27.25). Esta capacidade sobrenatural de crer abre as portas para os milagres, onde “tudo é possível” (Mt 17.20; Mc 9.23; Lc 1.37; 18.27).

Esta fé dá autoridade diante dos problemas como ocorreu com: Josué, que orou a Deus, e em seguida ordenou que o sol e lua fossem detidos (Js 10.12); Elias, que orou, e fogo e chuva caíram do céu (1 Rs 18.33-35, 41-46). Também promove uma confiança absoluta no poder de Deus, na resolução de dificuldades, como ocorreu com Daniel (Dn 6.16.23) etc.

IV - O USO CORRETO DOS DONS DE PODER

A operação dos dons de poder deve ser feita na direção do Senhor (Mt 14.28-31). Do contrário, haverá decepções ou fanatismo. Esse poder resulta em:

1. Glorificar o nome de Jesus.
Somente Deus faz maravilhas (Sl 89.5; 150.2), demonstrando assim, por meio destas, a sua glória, poder e reino (Jo 2.11; 10.38; Sl 62.11; 1 Co 4.20). E, dessa maneira, confirma-se a sua Palavra (Hb 2.3,4). Portanto, para que o portador desse dom continue a ser usado por Deus é necessário:
a) Humildade.
Toda a glória deve ser dada a Deus (Is 42.8; 48.11). Há o perigo de o homem tomar para si a glória que pertence a Deus. Pedro e Paulo precaveram-se contra isso (At 3.12; 14.13-15).
b) Direção.
Não somos nós que usamos o Espírito Santo. Ele opera quando, como e onde quiser. Ele nos usa de acordo com a sua soberana vontade. O Espírito é poderoso, e pode fazer mais do que pedimos ou pensamos (Ef 3.20). Mas é necessário pedir segundo a sua soberana vontade (1 Jo 5.14).

2. Expandir o Reino de Deus.
Os milagres: confirmam a palavra pregada (Mc 16.16-18; Hb 2.3,4); expressam o amor compassivo de Cristo (At 10.38; Mc 8.2; Lc 7.13- 15); comprovam a divindade de Cristo (Jo 20.30, 31); atraem as almas para Deus (Jo 7.31; At 19.11 -20) etc.
Eis aí a grande razão dos milagres - a salvação das almas, como ocorreu logo após:
a) A cura do coxo, quando quase 5000 pessoas renderam-se a cristo (At 4.4).
b) Os sinais e prodígios realizados pelos apóstolos, quando muitos creram (At 5.T2-14).
c) A ressurreição de Dorcas, quando não poucos passaram a crer (At 9.36-43) etc.
A operação do Espírito, por meio dos dons, é indispensável à Igreja de Cristo.

3. Fortalece a fé do povo de Deus.
Quando os sinais se manifestam através desses dons do Espírito, a Igreja revive os dias apostólicos (Jo 14.12-16), e sua fé é grandemente fortalecida. O Espírito gera a fé (2 Co 4.13). Quando Ele opera por meio dos dons, o ambiente satura-se pelas imensas possibilidades alcançadas pela fé (Mt 19.26; Lc 1.37; Jr 32.17), levando o crente a confiar em Deus como Calebe (Nm 13.20).

CONCLUSÃO
Os dons de poder estão à disposição da Igreja. Sem eles, a Igreja está fadada a não ter êxito em sua tarefa de evangelização (Zc 4.6; 2 Co 10.4- 6). Busquemos, com perseverança e humildade, os dons que o Senhor Jesus, mediante o Espírito Santo, colocou-nos à disposição. E hora de voltarmos a evangelizar com poder.

Divulgação: www.subsidiosebd.com  | Fonte: Lições Bíblicas Jovens e Adultos – 1° trimestre de 1998 - CPAD