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A Doutrina dos Anjos

Teologicamente a doutrina dos anjos é chamada de “angelologia. O vocábulo “angelologia” procede de dois termos gregos: angelos, traduzido por “mensageiro” ou “enviado”, e logia, “discurso” ou “tratado”. 

Angelologia, portanto, é a doutrina que estuda a natureza, o caráter, e a missão dos anjos, conforme as Escrituras. No Antigo Testamento, os anjos são chamados de mal’āk, isto é, “mensageiro ou representante”. Enquanto no grego e no hebraico, os anjos são denominados pela função (mensageiro), na língua aramaica, eram chamados de qaddîsh, isto é, “santos”, descrevendo-lhes o caráter e não apenas o ofício. 

Quanto ao caráter, a Bíblia afirma que os anjos são mansos (2 Pe 2.11), obedientes e poderosos (Sl 103.20), sábios (2 Sm 14.17), e reverentes (Is 6.2,3). A respeito do ministério angélico, a Escritura declara que: adoram a Deus (Sl 103.20; 148.2), protegem os servos de Deus (Sl 34.7), e executam juízos divinos (2 Rs 19.25).

I. OS ANJOS
1. Definição
Somente as Escrituras revelam informações confiáveis sobre os anjos. Eles são mencionados cerca de 108 vezes no Antigo Testamento e 165 vezes no Novo Testamento. A designação anjos - seja mal'ak do hebraico do Antigo Testamento ou angelos do grego do Novo Testamento - significa 'mensageiro'.


Esses seres executam o propósito de Deus, a quem servem. Os santos anjos são os mensageiros daquele que os criou, enquanto que os anjos caídos são os mensageiros de Satanás - “o deus deste século” - a quem eles escolheram servir.

Embora Deus não tenha dado ao homem reciprocidade de conversa com os anjos, eles estão evidentemente cônscios da vida e das atividades humanas (Hb 1.14), e o fato da existência deles é nada menos que certa. A Bíblia revela também que os anjos estão sujeitos à classificação.

Há anjos notáveis e ministérios que são registrados - Gabriel, Miguel, o Querubim, o Serafim, os principados e as potestades, anjos eleitos, e os santos anjos, que sempre devem ser distinguidos dos anjos caídos de cujo grupo alguns estão livres, e alguns estão presos em cadeias, no aguardo do iminente juízo.

2. Sua natureza
Os anjos são:
a) Criaturas, isto é, seres criados. Foram feitos do nada pelo poder de Deus. Não conhecemos a época exata de sua criação, porém sabemos que antes que aparecesse o homem, já eles existiam havia muito tempo, e que a rebelião daqueles sob Satanás se havia registrado, deixando duas classes — os anjos bons e os anjos maus. Sendo eles criaturas, recusam a adoração (Ap 19.10; 22.8, 9) e ao homem, por sua parte, é proibido adorá-los. (Gl 2.18)

b) Espíritos
Os anjos são descritos como espíritos, porque, diferentes dos homens, eles não estão limitados às condições naturais e físicas. Aparecem e desaparecem à vontade, e movimentam-se com uma rapidez inconcebível sem usar meios naturais. Apesar de serem puramente espíritos, têm o poder de assumir a forma de corpos humanos a fim de tornar visível sua presença aos sentidos do homem. (Gn. 19.1-3.)

c) Imortais, isto é, não estão sujeitos à morte. Em Lucas 20.34-36, Jesus explica aos saduceus que os santos ressuscitados serão como os anjos no sentido de que não podem mais morrer.

d) Numerosos
As Escrituras nos ensinam que seu número é muito grande. "Milhares de milhares o serviam, e milhões de milhões" (Dn 7.10). "Mais de doze legiões de anjos" (Mt 26.53). "Multidão dos exércitos celestiais" (Lc 2.13). "E aos muitos milhares de anjos" (Hb 12.22). Portanto, seu Criador e Mestre é descrito como o "Senhor dos exércitos".


e) São assexuados
Os anjos não se reproduzem nem estão sujeitos à morte (Mc 12.25; Lc 20.36). Os anjos sempre são descritos como varões, porém na realidade são assexuados[1]; cada anjo é uma criação original. Por esta causa não propagam a sua espécie; eles não têm sexo, ainda que citados no sentido masculino, porém neste campo são neutros. (Lc 20.34, 35). As Escrituras, jamais, inferem aos anjos pronomes do gênero feminino como: "angélica".
3. Sua classificação
Visto como "a ordem é a primeira das leis do céu", é de esperar que os anjos estejam classificados segundo o seu posto e atividade. Tal classificação é implícita em 1Pe 3.22, onde lemos: "os anjos, as autoridades, e as potências". (Cl 1.16; Ef 1.20, 21.)

a) Anjo do Senhor
A maneira pela qual o "Anjo do Senhor" é descrito, distingue-o de qualquer outro anjo. É-lhe atribuído o poder de perdoar ou reter pecados, conforme diz o Antigo Testamento. O nome de Deus está nele. (Êx 23.20-23.)

Em Êx 32.34 se diz: "Meu anjo irá adiante de ti"; em Êx 33.14 há esta variação: "Minha presença (literalmente, 'meu rosto') irá contigo para te fazer descansar." As duas expressões são combinadas em Is 63.9; "Em toda a angústia deles foi ele angustiado, e o anjo da sua face os salvou."

Duas coisas importantes são ditas acerca desse anjo: primeiro, que o nome de Jeová, isto é, seu caráter revelado, está nele; segundo, que ele é o rosto de Jeová, ou melhor, o rosto de Jeová pode-se ver nele. Por isso tem o poder de salvar (Is 63.9); de recusar o perdão (Êx 23.21). Veja-se também a identificação que Jacó fez do anjo com o próprio Deus. (Gn 32.30; 48.16.) não se pode evitar a conclusão de que este Anjo misterioso não é outro senão o Filho de Deus, o Messias, o Libertador de Israel, e o que seria o Salvador do mundo. Portanto, o Anjo do Senhor é realmente um ser incriado.
       
b) Arcanjo
Os arcanjos são anjos chefes, revestidos por Deus de autoridade sobre outros anjos.

ü    O Arcanjo Miguel
Miguel, cujo nome traduzido do hebraico significa “quem é semelhante a Deus”, é um arcanjo, também chamado “um dos primeiros príncipes” (Dn 10.13-21). Miguel está investido da missão especial de proteger o povo de Israel (Dn 12.1). Quando Israel estava prestes a cumprir a profecia sobre a sua volta do cativeiro de Babilônia (Dn 9.2), os príncipes dos demônios queriam a todo custo impedir essa vitória (Dn 10.13). Miguel, então, lutou contra eles, garantindo a volta.

ü    O Arcanjo Gabriel
A maneira pela qual Gabriel é mencionado, também indica que ele é de uma classe muito elevada. Ele está diante da presença de Deus (Lc 1.19) e a ele são confiadas às mensagens de mais elevada importância com relação ao reino de Deus (Dn 8.16; 9.21).

Gabriel levou a resposta de Deus a Daniel, a qual continha uma revelação para aquele tempo e também é uma chave para a compreensão da palavra profética (Dn 8.16; 9.21-27). Gabriel foi o portador da mensagem a Zacarias sobre o nascimento de João Batista, o precursor de Jesus (Lc 1.11- 13,19). Foi também ele quem trouxe a grandiosa mensagem para a virgem Maria, de que ela haveria de dar à luz o Filho de Deus (Lc 1.26-35).

ü    Outros Arcanjos
Existem outros arcanjos mencionados com destaque, como o anjo a quem foi dada a chave do abismo (Ap 9.1), o anjo das águas (Ap 16.5), o anjo que tem poder sobre o fogo (Ap 14.18) e aquele anjo que João presenciou na sua visão e que tinha grande poder, pois a terra foi iluminada com a sua glória (Ap 18.1).

c) Anjos eleitos são provavelmente aqueles que permaneceram fiéis a Deus durante a rebelião de Satanás, (1 Tm 5.21; Mt 25.41).
d) Anjos das nações
Daniel 10.13, 20 parece ensinar que cada nação tem seu anjo protetor, o qual se interessa pelo bem-estar dela. Era tempo de os judeus regressarem do cativeiro (Dn 9.1, 2), e Daniel se dedicou a orar e a jejuar pela sua volta. Depois de três semanas, um anjo apareceu-lhe e deu como razão da demora o fato de que o príncipe, ou anjo da Pérsia, havia-se oposto ao retorno dos judeus.

A razão talvez fosse por não desejar perder a influência deles na Pérsia. O anjo lhe disse que a sua petição para o regresso dos judeus não tinha apoio a não ser o de Miguel, o príncipe da nação hebraica. (Dn 10.21.) O príncipe dos gregos também não estava inclinado a favorecer a volta dos judeus. (Dn 10.20.)

e) Os querubins
São também anjos de elevada graduação e chamados “querubins da glória” (Hb 9.5). Os querubins ocupam um posto de grande responsabilidade na administração divina, junto ao trono de Deus. A Bíblia diz que Deus está entronizado entre os querubins (Sl 99.1; 80.1; Is 37.16; 2 Rs 19.15; 2 Sm 6.2).

Entre os querubins, destacam-se os quatro seres viventes (Ap 4.6-9), considerados como querubins de alta categoria (Ez 10.20), pois sempre se acham ao redor do trono de Deus e do Cordeiro (Ap 4.6,9). O profeta Ezequiel também teve uma visão desses querubins, relatada nos capítulos de 1 a 10 de seu livro.
 
f) Os serafins são mencionados em Isaías, capítulo 6. Pouco sabemos acerca deles. A palavra serafins significa literalmente "ardentes". Os serafins são também anjos de alta graduação. A Bíblia faz menção deles uma só vez (Is 6.1-6). O seu nome indica a sua alta patente.

Os serafins têm três pares de asas. Com duas cobrem o rosto em reverência diante de Deus, e com duas cobrem os pés, para que as suas próprias obras não apareçam, e com duas voam. Eles sempre clamam uns aos outros: “Santo, Santo, Santo é o Senhor dos Exércitos”!

g) Os 24 anciãos
Junto ao trono de Deus encontramos um grupo de seres angelicais da mais elevada função celestial (Ap 4.4-10; 6.5-14; 7.11-13; 11.6; 14.3; 19.4), chamado de “os vinte e quatro anciãos”. Deus os encarregou de representarem a igreja de Deus de todos os tempos. Dessa maneira, 12 anciãos representam a igreja do Antigo Testamento (as 12 tribos de Israel), enquanto outros 12 representam a igreja do Novo Testamento (os 12 apóstolos do Cordeiro). Isso se registra conforme a visão do apóstolo João na cidade celestial chamada nova Jerusalém, onde os nomes das 12 tribos de Israel estão gravados nas 12 portas da cidade (Ap 21.12), e os 12 apóstolos do Cordeiro nos 12 fundamentos dessa cidade (Ap 21.14).

A Bíblia não revela a sua função, porém informa que eles têm vestidos brancos, com coroas de ouro sobre as suas cabeças (Ap 4.4), e permanecem sempre diante do trono de Deus (Ap 4.4), cantando louvores ao Cordeiro pela salvação que Ele ganhou com o seu sangue (Ap 5.8-13).

h) Anjos Especialmente Designados
Certos anjos são conhecidos somente pelo serviço que prestam. Desses, há aqueles que servem como anjos de juízo (Gn 19.13; 2 Sm 24.16; 2 Rs 19.35; Ez 9.1, 5, 7; SI 78.49). Fala-se do “vigilante" (Dn 4.13, 23); do “anjo do abismo” (Ap 9.11); do anjo que “tinha poder sobre o fogo” (Ap 14.18); do “anjo das águas” (Ap 16.5); e dos “sete anjos” (Ap 8.2).

4. Seu caráter
a) Obedientes
Eles cumprem os seus encargos sem questionar ou vacilar. Por isso oramos: "Seja feita a tua vontade, assim na terra como no céu" (Mt 6.10; Sl 103.20; Judas 6; 1 Pe 3.22).

b) Reverentes
Sua atividade mais elevada é a adoração a Deus. (Ne 9.6; Fl. 2.9-11; Hb 1.6.)

c) Sábios
"Como um anjo... para discernir o bem do mal", era uma expressão proverbial em Israel. (2 Sm 14.17.) A inteligência dos anjos excede a dos homens nesta vida, porém é necessariamente finita. Os anjos não podem diretamente discernir os nossos pensamentos (1 Reis 8.39) e os seus conhecimentos dos mistérios da graça são limitados (1 Pe 1.12). Como diz certo escritor: "Imagina-se que a capacidade intelectual dum anjo tenha uma compreensão mais vasta do que a nossa; que uma só imagem na mente angelical contenha mais detalhes do que uma vida toda de estudos poderia proporcionar aqui."

d) Mansos
Não abrigam ressentimentos pessoais, nem injuriam os seus opositores (2 Pe 2.11; Jud. 9).

e) Poderosos
São "magníficos em poder" (Sl 103.20).

f) Santos
Sendo separados por Deus e para Deus, são "santos anjos" (Ap 14.10).
     
                
5. Sua obra
a) Agentes de Deus
São mencionados como os executores dos pronunciamentos de Deus. (Gn 3.24; Num 22.22-27; Mt 13.39,41, 49; 16.27; 24:31; Mc 13.27; Gn 19.1; 2 Sm 24.16; 2 Reis 19.35; Atos 12.23).

b) Mensageiros de Deus
Por meio dos anjos Deus envia:
1) Anunciações (Lc 1.11-20; Mt 1.20, 21).
2) Advertências (Mt 2.13; Hb 2.2).
3) Instrução (Mt 28.2-6; Atos 10.3; Dn 4.13-17).
4) Encorajamento (Atos 27.23; Gn 28.12).
5) Revelação (Atos 7.53; Gl 3.19; Hb 2.2; Dn 9.21-27; Ap 1.1).

c) Servos de Deus
"Não são porventura todos eles espíritos ministradores, enviados para servir a favor daqueles que hão de herdar a salvação?" (Hb 1.14).

Tarefas atribuídas aos anjos
ü    Os anjos são enviados para sustentar (Mt 4.11; Lc 22.43; 1 Reis 19.5);
ü    Para preservar (Gn 16.7; 24.7; Êx 23.20; Ap 7.1);
ü    Para resgatar (Num 20.16; Sl 34.7; 91.11; Is 63.9; Dn 6.22; Gn 48.16; Mt 26.53);
ü    A Bíblia revela que os anjos, nos céus, estão integrados no atendimento às orações que sobem da terra (Ap 8.1-5).
ü    Para servir aos justos depois da morte. Quando um crente morre, os anjos acompanham a sua alma e o seu espírito, que deixam o corpo, conduzindo-os ao Paraíso (Lc 16.22).
ü    Deus dá aos anjos ordens a nosso respeito, para que nos guardem em todos os nossos caminhos (SI 91.11).
ü    Os anjos serão os instrumentos na execução dos juízos de Deus durante a Grande Tribulação, após a vinda de Jesus (Ap 7.1,2; 8.6,7, 8, 10,12; 9.1,13; 15.1).
ü    No Juízo Final, os anjos estarão em atividade (Dn 7.10).

Alguns formaram a doutrina de "Anjos Protetores", a qual ensina que cada crente tem um anjo especial designado para guardá-lo e protegê-lo durante a vida. Eles afirmam que as palavras em Atos 12.15 implicam que os cristãos primitivos entenderam dessa maneira as palavras do Senhor.
A ideia de que todas as pessoas possuem um anjo da guarda designado para acompanhá-las durante toda a sua vida não tem sustentação bíblica. Tal pensamento vem da tradição judaica antiga; e não é somente isso. Segundo essa tradição, o suposto anjo da guarda assume a semelhança da pessoa que a acompanha.

“Note que a menina Rode conheceu “a voz de Pedro” (At 12.14); os discípulos, no entanto, interpretaram como o ‘‘seu anjo” (At 12.15).

“Outra passagem bíblica que parece fundamentar a ideia de anjo da guarda é: ‘‘Vede, não desprezeis algum destes pequeninos, porque eu vos digo que os seus anjos nos céus sempre veem a face de meu Pai que está nos céus” (Mt 18.10). Aqui, porém, temos a informação de que os anjos estão na presença de Deus, adorando e louvando ao Pai, e não que cuidam individualmente das pessoas neste mundo.[2]

II. OS ANJOS NÃO PODEM SER ADORADOS
Embora poderosos em obras, não podem os anjos ser adorados: são criaturas de Deus, nossos conservos e também comprometidos com a glória de Deus. Vejamos por que os anjos não devem ser objetos de nosso culto.

1. Os anjos são criaturas de Deus
Somente o Criador é digno de toda a honra e de todo o louvor; sendo os anjos criaturas (Sl 33.6), têm como missão louvar a Deus.

2. Os anjos são nossos conservos
Sendo eles criados por Deus, consideram-se nossos conservos (Ap 19.10).

3. Os anjos são comprometidos com a glória de Deus
Esta é recomendação dos anjos: “Adora a Deus” (Ap 22.9). Erram, portanto, aqueles que, menosprezando o Criador de todas as coisas, buscam adorar a criatura (Rm 1.25). O culto aos anjos é uma perigosa idolatria, na qual muitos têm naufragado. Ler também Cl 2.18.

III. FALSAS TEORIAS SOBRE O ARCANJO MIGUEL


1. Mormonismo - Diz que Adão é o Arcanjo Miguel, logo, era ele que estava contendendo com o diabo.

Refutação bíblica

§     Existe um tremendo abismo entre Miguel e Adão. Miguel é um anjo e os anjos não se dão em casamento (Mt 22.30). Adão foi um homem e os homens podem se casar (Gn 2.24).

§     Miguel é um arcanjo que significa "anjo chefe". Adão é o representante da raça humana (1Co 15.45) e não um arcanjo.

§     Os homens nascem pecadores (Rm 3.23), mas os anjos bons nunca pecaram.
Entretanto, a maior contradição encontra-se na própria teologia mórmon, que ensina que, para a pessoa alcançar o status de deus, precisa se casar para a eternidade. Caso contrário, permanecerá apenas como anjo. Então surge o embaraço: se Adão era casado, por que não progrediu para a posição de deus, antes, permaneceu estacionado na posição de anjo?

2. Testemunhas de Jeová - Dizem que se a designação ‘arcanjo’ não se aplicasse a Jesus Cristo, mas a outros anjos, então a referência à voz de arcanjo não seria apropriada.

Refutação bíblica
A Bíblia apresenta muitas diferenças entre Jesus e Miguel:

ü    Jesus jamais foi criado (Jo 1.3), Miguel é criatura celestial, criada pelo próprio Jesus (Cl 1. 15,16);
ü    Jesus é adorado por Miguel (Hb 1.6), Miguel não pode ser adorado (Cl 2.18: Ap 22.8,9);
ü    Jesus é o Senhor dos senhores (Ap 17.14), Miguel é príncipe (Dn 10.13);
ü    Jesus é Reis dos reis, Miguel é príncipe dos judeus (Dn 12.1);
ü    Jesus é o Filho de Deus. Miguel é anjo; “Porque, a qual dos anjos disse jamais: Tu és meu Filho, hoje te gerei? E outra vez: Eu lhe serei por Pai e Ele me será por Filho? E outra vez, quando introduz no mundo o primogênito, diz: E todos os anjos de Deus o adorem” (Hb 1.5,6).
ü    Miguel é um dos primeiros príncipes (Dn 10.13), o que indica que existem outros iguais a ele. Jesus, porém, é o Unigênito do Pai, o que mostra que não existe outro igual a Ele (Jo 1.14; 3.16).

IV. DETALHES SOBRE OS ANJOS

1. Juventude e beleza
"E, entrando no sepulcro, viram um mancebo assentado à direita, vestido de uma roupa comprida, branca..." (Mc 16.5a).

Duas características primordiais são inerentes a estas criaturas espirituais: a primeira delas é sua juventude e a segunda, sua beleza. Acreditamos que, na passagem de Jó 38.7, os anjos são reputados ali como sendo "as estrelas da alva", isto é, são comparados com a alvorada!

Eles não têm a eternidade na mão como Deus, mas quanto ao tempo e ao espaço, são seres eternos. Os anjos tiveram princípios, embora não tenham mais extinção de existência. Deles disse Jesus: “... não podem mais morrer".

Maria Madalena afirma ter visto um anjo que ainda era "mancebo". Este anjo possuía, evidentemente, uma eternidade de anos! Mas observe bem: ainda era mancebo!


2. Estatura
Quanto à sua estatura, a Bíblia não fornece maiores detalhes; mas nos leva a entender que há certa categoria "maior" que a estatura humana (SI 8.5) e outra "menor" (Ap 21.17).

Os anjos têm a capacidade de mudar a aparência e de se transportarem num relâmpago da suprema corte do Céu para a Terra e retornar numa fração de segundo. Intrinsecamente, eles não possuem corpos físicos, conquanto possam assumir formas físicas, quando Deus lhes prescreve missões especiais. Além disso, Deus não lhes concedeu a capacidade de se reproduzirem, e eles nem se casam, nem são dados em casamento (Mc 12.25).

3. Seus Nomes
Talvez na esfera celeste, os nomes dos anjos sejam abundantes; porém, na esfera terrena, ou pelo menos aqueles que chegaram até nós através de seu serviço ou revelação, seus nomes não são tão abundantes.
ü    Gabriel (Dn 8.16; Lc 1.26),
ü    Miguel (Dn 8.13; 12.1),
ü    Maravilhoso? (Jz 13.6,17,18).

Os livros não-canônicos citam estes:
·                   Uriel,
·                   Rafael,
·                   Saracael,
·                   Raquel e
·                   Remuel.

Quanto aos anjos maus, seus nomes são também citados com escassez.
Vejamos alguns:
ü    Apoliom,
ü    Abadom,
ü    Diabo,
ü    Legião, etc. (Lc 8.30; Ap 9.11; 12.9).

Quanto aos anjos maus, seus nomes são também citados com escassez excessiva. Apenas estes: Apoliom, Abadom, Diabo, Legião, etc. (Lc 8.30; Ap 9.11; 12.9).

4. Anjo em forma humana
Os anjos em certas ocasiões têm aparecido com forma humana (Hb 13.2). Isto prende-se exclusivamente às ordens de Deus que, segundo se diz, permitiu que os olhos humanos focalizassem os raios de luz celeste para realmente ver os corpos celestiais dos anjos tais como eles são.

Em cenas ocasiões os anjos tomaram forma humana e foram vistos com aparência física e roupas de acordo com a civilização da época que era objeto da divina visitação. Isto não se limitou ao passado. O mesmo acontece hoje em dia!

5. Anjos com Asas
Apenas cinco classes de anjos são apresentadas na Bíblia como portando asas:

ü    Os querubins (Êx 25.20; 2 Co 5.7; Ez 1.6; Ap 4.8).
ü    Os serafins (Is 6.1-6).
ü    O anjo Gabriel (Dn 9.21).
ü    O anjo dos "dois ais" (Ap 8.13).
ü    O anjo do "evangelho eterno" (Ap 14.6).

6. A rapidez dos Anjos
Em nossas dimensões, a capacidade da rapidez angelical é comparada à "rapidez de um relâmpago" (Mt 28.3); 300.000 km por segundo, mas na esfera celeste são rápidos como a imaginação.

Observe o que diz o Senhor em Mateus 26.53: "Ou pensas [Pedro] tu que eu não poderia agora orar a meu Pai, e que ele não me daria mais de doze legiões de anjos?" Observe agora! Que distância há entre o trono de Deus e o Jardim do Getsêmani? É inconcebível! Mas "doze legiões" poderiam chegar ali, numa fração de segundo. Isso indica velocidade, rapidez verdadeiramente.

7. Os Anjos não são Oniscientes
Os anjos possuem um conhecimento que os homens não têm; mas, por mais que seja o seu conhecimento, podemos estar certos de que não são oniscientes. Não sabem tudo. Não são como Deus.

Jesus forneceu testemunho do conhecimento limitado dos anjos quando falou da sua segunda vinda.

Em Marcos 13.32, Ele disse: "Mas daquele dia e hora ninguém sabe, nem os anjos que estão no céu...". Os anjos sabem, provavelmente, coisas a nosso respeito que desconhecemos. E devido ao fato de serem espíritos auxiliadores, usarão sempre este conhecimento para o nosso bem e não para maus propósitos.

"Então disseram aqueles varões a Ló: Tens alguém mais aqui?..." (Gn 19.12;Mt 24.36; Mc 13.32). Em outras passagens tais como 2 Samuel 14.17,20, fica subentendido à luz do contexto, que os anjos de Deus são sábios e dotados de conhecimento superior. Porém, nunca lhes é atribuída a "onisciência".

8. O poder dos Anjos (Sl 103.20)
O poder dos anjos é derivado de Deus. O poder deles, embora grande, é restrito. Eles são incapazes de fazer aquelas coisas que são peculiares da divindade - criar, ação sem o uso de meios, ou sondar o coração humano. Eles podem influenciar a mente humana como uma criatura pode influenciar outra.
Mesmo um anjo pode reivindicar assistência divina quando em conflito com outro ser celestial (Jd 9).

CONCLUSÃO
Os anjos têm um lugar muito mais importante na Bíblia do que o Diabo e os seus demônios. Estes últimos nos atacam. Os primeiros nos defendem.

A Bíblia ensina que os anjos intervêm nos assuntos das nações (Dn 9.13-21; 11.1; 12.1). Deus os utiliza com frequência, a fim de exercer julgamento sobre as nações. Eles guiam, consolam e cuidam do povo de Deus em meio ao sofrimento e perseguição.

O Salmista declara: "O anjo do Senhor acampa-se ao redor dos que o temem, e os livra" (SI 34.7).




[1] Não possui vida sexual.
[2] Declaração de Fé das Assembleias de Deus, Pág. 88