Subsídios Bíblicos para a Escola Dominical 👇👇

A Parábola dos Dois Servos

INTRODUÇÃO
A parábola que estudamos hoje está inserida no contexto do grande sermão profético, o qual o Senhor Jesus pregou, antes de sua morte.

Encontra-se no capítulo 24 de Mateus, registrado também em Marcos 13 e Lucas 21. Tratam-se de páginas da Bíblia em que os servos do Senhor, desde os tempos apostólicos, são exortados à vigilância, ante a sua vinda iminente. No texto em análise, vemos Jesus falar sobre o final dos tempos, ou seja, a vinda do Filho do Homem, o Arrebatamento, a Grande Tribulação, narrar a parábola dos dois servos, e concluir no capítulo seguinte, com o sermão apocalíptico. Bem fazemos em atentar para a mensagem da vigilância, nestes dias em que a tônica é o descuido e o desinteresse quanto à vinda do Senhor.
Saiba mais:

1) A Parábola do Trigo e do JoioClique Aqui
2)  Parábola: Uma Lição para a Vida - Clique Aqui
3) A Parábola do Publicano e do Fariseu - Clique Aqui

I. O SERVO FIEL E PRUDENTE


As qualidades do servo fiel e prudente são explicitadas na parábola. Tão-somente desejamos destacá-las, para que sejam elas mesmas ressaltadas e sirvam de exemplo para nossas vidas.

1. Fidelidade.
É a “qualidade ou caráter de fiel; lealdade, firmeza; constância nas afeições, nos sentimentos; perseverança; observância rigorosa da verdade; exatidão” (Die. Aurélio). O Senhor Jesus, no contexto do sermão, referia-se à necessidade da vigilância quanto à sua vinda, e proferiu para os seus próprios discípulos mensagens de alerta no tocante ao que era esperado de seus servos.

2. Prudência.
“É a qualidade de quem age com moderação, comedimento, buscando evitar tudo o que acredita ser fonte de erro ou dano” (Dic. Aurélio). O servo, da parábola, de maior confiança do seu senhor devia ter esta qualidade, indispensável para cuidar da casa. Salomão diz. que ela é mais importante que a prata (Pv 16.16) e o conhecimento do Santo é prudência” (Pv 9.10).

3. Constituído pelo seu Senhor (Mt 24.45b).
O Senhor Jesus referiu- se a um servo constituído pelo seu senhor sobre a “sua casa”.

a) O servo não se constituiu a si mesmo.
Ele foi constituído pelo dono da casa, seu patrão, para assumir a responsabilidade de um mordomo- mor. Ele não passou por cima dos outros, para alcançar aquela posição; não fez política entre os seu pares; não cobiçou a posição, o cargo ou a função.

b) O servo não foi constituído plos outros.
Não houve uma eleição “democrática”, em que o mordomo- mor fosse escolhido pelos seus conservos. Tomar conta da casa do senhor era função de absoluta confiança pessoal.

Que lições podemos extrair destas qualidades? Muitas, certamente. Algumas, porém devem ser realçadas:
Primeiro. Jesus quer, sobre sua casa, a igreja, homens CONSTITUÍDOS POR ELE e não por si mesmos, conforme declara o grande evangelista e mestre: “Paulo apóstolo (não da parte dos homens, nem por homem algum, mas por Jesus Cristo, e por Deus Pai, que o ressuscitou dos mortos) (G1 1.1).

Segundo: Jesus não quer pessoas que se façam a si mesmas líderes sobre sua Igreja. É necessário que tenham não só as qualidades, mas a chamada de Deus para sua Obra. Do contrário, não terão o apoio do Senhor.

Terceiro: Na casa do Senhor, o governo não é democrático (governo do povo, pelo povo e para o povo), onde o que vale é a vontade da maioria; pela Bíblia, entendemos que a direção da Igreja deve ser CRISTO- CÊNTRICA ou CRISTOCRÁTICA, com Cristo no centro, ou seja, no domínio, e seus servos como cooperadores. Jesus é a cabeça: "‘Porque nele foram criadas todas as coisas que há nos céus e na terra, visíveis e invisíveis, sejam tronos, sejam dominações, sejam principados: "TUDO FOI CRIADO FOR ELE E PARA ELE... E ele é a cabeça do corpo da igreja: e o princípio e o primogênito dentre os mortos PARA QUE EM TUDO TENHA A PREEMINÊNCIA" (Cl 1.16,18). (Grifo nosso.)

4. A missão do servo fiel e prudente (Mt.24.45c).
Logo no início da parábola, verificamos que o servo tinha por missão “...dar o sustento a seu tempo”, na casa do seu Senhor. Daí, obtemos importante lição: a missão do servo, escolhido por Deus para ter a liderança na casa do Senhor, na Igreja, é a de alimentar os que dependem dela para a sobrevivência espiritual. Vejamos algumas atividades que propiciam sustento aos servos e conservos do Senhor.

Elas devem ser exercidas, para que nada falte e todas as necessidades sejam satisfeitas “a seu tempo”.

1) Os meios.
Os obreiros do Senhor, responsáveis pela Igreja, recebem”...conforme a medida que Deus repartiu a cada um”(Rm 12.3), através dos “...diferentes dons, segundo a graça”(Rm 12.6) que lhes é dada. Assim, os meios são os dons. Nestas referências de Paulo aos Romanos, temos uma lista que pode ser chamada de “OS DONS DE DEUS”, os quais são:

a) Profecia (Rm 12.6c).
Com este dom, o líder da casa do Senhor orienta os crentes através da mensagem inspirada e ungida por Deus. Não confundir com o dom de profecia de 1 Coríntios 12.

b) Ministério (Rm 12.7a).
“Se é ministério, seja em ministrar”. Não é fácil a interpretação desta expressão(no texto). Há autores que julgam referir-se a ações específicas de trabalhos materiais, administrativos, diferentes do ministério de ensino ou profético; de modo geral, cremos tratar-se da dedicação, ao prestarmos algum serviço útil e necessário à casa do Senhor.

c) Ensinar (Rm 12.7b).
“Se é ensinar, que haja dedicação ao ensino”. Com este dom, o servo de Deus, colocado à frente dc seu rebanho, pode alimentar “a seu tempo” os seus conservos. Jesus valorizou o ensino em todo o seu ministério terreno (Mt 7.29; 9.35; 28.20 ). Para ensinar, é preciso aprender, estudar, pesquisar, aprofundar-se no preparo do alimento espiritual a ser dado na casa do Senhor, com base na Bíblia. A falta de ensino produz resultado catastrófico. Diz o profeta Oséias: “O meu povo foi destruído, porque lhe faltou conhecimento; por que tu rejeitaste o conhecimento...” (Os 4.6).

d) Exortar (Rm 12.8a).
É um dom difícil de ser exercido para dar o sustento na casa do Senhor, mas precisa ser usado com sabedoria, ”com toda longanimidade e doutrina” (2 Tm 4.2c). Não é espancar os conservos, mas ajudá-los com paciência (longanimidade) e base bíblica, na doutrina.

e) Repartir (Rm 12.8b).
“O que reparte, faça-o com liberalidade”. Pessoas na igreja, como líderes, são chamadas para o excelente trabalho de repartir, seja o pão material, ou espiritual (a Palavra).

f) Presidir (Rm 12.8c).
“O que preside, com cuidado”. É tarefa dificílima presidir, notadamente, nos dias de hoje, em que toda autoridade é contestada, inclusive a dos pastores e demais obreiros constituídos por Deus. Muitos crentes só gostam de líderes que não tem cuidado da Igreja, e deixam as pessoas viverem a seu modo, até mesmo de forma mundana. Os que lideram a obra de Deus, devem fazê-lo com cuidado, zelo e amor, “não como tendo domínio sobre a herança de Deus” (1 Pe 5.3a).

g) Exercer misericórdia(Rm 12.8d).
É o ministério do socorro aos aflitos em termos espirituais, emocionais; aos carentes físicos; aos doentes; aos necessitados do pão cotidiano.

II - COMO O SENHOR ESPERA ENCONTRAR O SERVO?
“Bem-aventurado aquele servo que o Senhor, quando vier, achar servindo assim” (Mt 24.46). Jesus mostra aos discípulos as qualidades que Ele, tipificado no senhor, da parábola, espera de seus servos e como deseja encontrá-los, quando de sua volta. Ele disse que o servo que for FIEL e PRUDENTE, na Igreja, é considerado bem-aventurado. Cristo espera de nós, seus servos, e principalmente dos que têm responsabilidades de liderança, que sejamos achados, na sua volta, como despenseiros fiéis (1 Co 4,1,2; Tt 1.7; 1 Pe4.10).

III - A RECOMPENSA DO SERVO FIEL E PRUDENTE
Jesus disse que o senhor daquele servo, ao voltar, o poria “SOBRE TODOS OS SEUS BENS. Aqui, para fazermos a obra do Senhor, conforme a sua vontade, sofremos, muitas vezes, tribulações, incompreensões e até traições. Mas se formos achado fiéis, teremos recompensa certa. Os servos dignos “hão de julgar o mundo” (1 Co 6.2); “hão de julgar os anjos”(1 Co 6.3); reinarão com Cristo (Ap 20.4); receberão muito pelo que fizeram pelos bens do seu Senhor (Mt25.21,23); terão a“ coroa da vida” (Ap 2.10); o laurel da vitória (1 Co 9.25); a ‘Incorruptível coroa de glória” (1 Pe 5.2-4); a “coroa de gozo” (1 Ts 2.19); Fp 4.1. Todo o trabalho do servo fiel e prudente será avaliado no “Tribunal de Cristo” (2 Co 5.10).

IV -  O MAU SERVO
Com o mau servo, nada temos de positivo a aprender, mas devemos observar como Jesus o considerou, e obtermos lições sobre o que o servo não deve ser na Casa de Deus:

1. Negligente (Mt 24.48b).
Ele diz “.. .o meu senhor tarde virá”. Com esta atitude mental, o mau servo encontra baseou justificativa para o seu procedimento reprovável. Na parábola dos talentos, o senhor condena o servo negligente (Mt 25.26). Há maldição para quem negligencia na obra do Senhor (Jr 48.10).

2. Espancador (Mt 24.49a).
Ele espanca os conservos. O mau servo comete abuso de autoridade. Deus não aceita isso em sua casa. Ele quer ordem e decência (1 Co 14.40); deseja o respeito aos que trabalham, presidem, admoestam. Dedicamos-lhes grande estima e amor, por causa da obra (1 Ts 5.12,13), mas o Senhor não admite autoritarismo em sua Igreja (1 Pe 5.2,3). Dentre as qualidades do presbítero, requer-se que não seja espancador (Tt 1.7). É preciso ter cuidado, para não se espancar com palavras.

3. Comedor e bebedor (Mt 24.49b).
São comportamentos reprováveis. Deus não quer este tipo de gente à frente de seus servos.

4. Desapercebido (Mt. 24.50).
O mau servo é surpreendido pela volta do seu senhor, “num dia cm que não o espera, e à hora em que não sabe”. Não adianta alguém marcar a data ou mesmo a época do Arrebatamento da Igreja. Só contribui para a desmoralização de tais falsos profetas.

V - O DESTINO DO MAU SERVO
1. É separado.
Ele não participa da festa, pela volta do Senhor.
2. Tem sua parte com os hipócritas.
A hipocrisia está entre as obras da carne e “os que cometem tais coisas não herdarão o reino de Deus” (G1 5.24).
3. Será lançado no Lago de Fogo.
Ali haverá “pranto e ranger de dentes”. Esta expressão indica o sofrimento terrível que experimentarão os que passarem pelo Juízo Final.
Divulgaçãowww.subsidiosebd.com | Fonte: Lições Bíblicas Jovens e Adultos, 4° trimestre de 1994 - CPAD