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Certa vez, um irmão muito simples me perguntou: “Pastor, onde está escrito na Bíblia que dizimo é 10%?” Eu pensei: “Certamente este irmão não conhece o significado do termo nem os idiomas originais da Palavra de Deus”. Então lhe expliquei que a palavra hebraica papa dízimo é maaser, que textualmente quer dizer “a décima parte”. Ela aparece 32 vezes na Bíblia. Essa “décima parte” é consagrada ao Senhor. Já em Hebreus 7.6,9, o termo dekatóo, que é traduzido como “dar a décima parte de toda a renda”. Em tempo, devo lembrar que os 90% devem ser também consagrados ao Senhor para que possamos administrar com sabedoria, para o nosso próprio benefício e o da nossa família.

Sabemos que muitos povos ofereciam dádivas aos seus deuses. Entre eles se destacavam os gregos, os romanos, os cartagineses e os árabes. O dízimo bíblico era praticado pelos hebreus antes da Lei (Gn 14,20; Hb 7,2a,6) e continua sendo uma prática também na Nova Aliança. Os hebreus davam o dízimo das colheitas, frutas e animais (Lv 27.30-32).

Tudo o que temos e somos vem de Deus (Tg 1.17), a não ser o pecado que é carnal e diabólico. Aliás, as próprias pessoas são propriedade de Deus, pois ele as criou. A Bíblia diz que “do Senhor é a terra e a sua plenitude, o mundo e aqueles que nele habitam” (SI 24.1). O texto fala ” de plenitude” e não de “uma parte”. Da totalidade daquilo que o Senhor nos dá Ele pede apenas dez por cento, como prova de amor e gratidão. Quando entregamos o dízimo do Senhor, estamos reconhecendo o seu senhorio sobre nós e devolvendo o que não é nosso.

Ensinar sobre a Mordomia Cristã das Finanças, e especificamente sobre o dízimo, tem sido um grande desafio para muitos pastores de igrejas que até equivocadamente relutam em fazê-lo em virtude de abordagens especulativas, mercantilistas e às vezes até pejorativas que se fazem em alguns púlpitos e arraiais, assustando os crentes, revoltando os incrédulos e colocando em questão a reputação de homens de Deus e de igrejas comprometidas com o ensino ortodoxo. Todavia, o ensino sobre o dízimo é uma doutrina bíblica. Pregamos sobre Salvação, Santificação, Vinda de Jesus e sobre tantos outros temas que são necessários. Então, por que desprezar ou temer pregar sobre o dízimo? Há quem defenda que de dez sermões de um pastor, pelo menos um seja sobre a Mordomia Cristã das Finanças. Devemos levar esse assunto a sério e não nos importarmos com os queixumes dos avarentos. Se lá no mundo aplica-se o ditado popular que “dinheiro é para gastar e passar troco”, na Igreja, porém, os recursos devem ser recebidos e administrados com fidelidade. Para que possamos receber as bênçãos espirituais e materiais, precisamos honrar a Deus e promover o Seu Reino, fiel e generosamente, com as nossas finanças (Pv 3.9,10). O dízimo deve constituir-se uma prática constante na vida de todo aquele que é salvo, não importa se membro ou congregado.
Muitos irmãos não se importam em dar o dízimo, não porque não trabalham, mas porque não creem na Bíblia e nas suas promessas; são avarentos (amam o dinheiro e não querem compartilhá-lo com ninguém); acham que vai lhes fazer falta; acham que é legalismo (determinação restrito à Lei); porque sofrem má influencia dos ímpios (SI 1.1); porque o conjugue não lhe “permite” entregar; porque os pais ou filhos criam dificuldade; porque acham que o dízimo é para o pastor; porque dizem não ter renda fixa.

Quanto ao dízimo, há três classes de pessoas: o dizimista desviado (E aquele que só o dízimo vem para a Igreja, ele não; ainda tem um pouco de temor no coração), o dizimista não crente (Ele acredita nas bênçãos materiais de Deus, por isso “investe” na obra, independente de ser salvo ou não) e o dizimista fiel (Aquele crente consciente e que se sente responsável pela manutenção da obra de Deus. Ele não contribui só quando “faz sol”, mas também “quando chove”, quando a situação lhe parece favorável).

Quanto à compreensão equivocada do dízimo, há 12 tipos de dizimistas nas igrejas:
1) Dizimista alternado – Entrega o dízimo mês sim outro não. Às vezes, mês sim e oito não.
2) Dizimista fracionado - Não entrega o dízimo de forma integral. O dízimo é R$ 200, mas ele entrega apenas R$ 100.
3) Dizimista unilateral - Entrega o dízimo somente de um rendimento, tendo dois ou mais. Exemplo: tem emprego, aluguel e pensão (três rendimentos), mas só entrega de um rendimento (geralmente o do emprego).
4) Dizimista atrasado – Entrega de três em três meses, quatro em quatro meses etc.
Devemos lembrar que o mês é a nossa base administrativa de compromissos. Seja débito ou crédito.
5) Dizimista crediarista – É aquele que entrega o dízimo em parcelas. Aos poucos.
6) Dizimista pró-laborista — Entrega o dízimo presumido, não real. Entrega como se fosse uma taxa fixa. Não há organização proporcional e diária.
7) Dizimista administrador — Compra equipamentos, materiais de construção, móveis etc., usando o dízimo do Senhor. Ele acha que o pastor não sabe administrar, por isso ele trata de fazê-lo.
8) Dizimista proprietário - Entrega o Dízimo onde quer e não onde congrega e é assistido espiritualmente; onde é membro.
9) Dizimista temporário - Entrega o dízimo em períodos alternados. Ex: Entrega um semestre, um ano, depois suspende a entrega pelo mesmo período ou aproximado.
10) Dizimista por tabela Quer receber uma conta da igreja ou de um obreiro relapso e desconta do dízimo sem acordo prévio. Nesse caso, o administrador também é faltoso. Todavia, dízimo é dízimo, débito de terceiros é débito de terceiros.
11) Dizimista “bom samaritano - Usa o dízimo do Senhor para ajudar outros irmãos, comprando cesta básica, medicamentos, pagamento de taxas, ajudas a órfãos, viúvas, menores carentes etc. Tudo isso é muito bom, porem o dízimo precisa ser recolhido à Casa do Tesouro (Ml 3.10).
12) Dizimista “desentendido - Não entende bem o “assunto” e entrega qualquer valor. As vezes, entrega somente como oferta.
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O que significa dar o dízimo
A quem vencemos quando entregamos o dízimo?
1) Vencemos a avareza (Ef 5.5; Cl 3.5);
2) Vencemos o materialismo (1Co 2.14,15);
3) Vencemos o egoísmo (G1 6.10).

Enfim, dar o dízimo é uma questão de adoração, amor, assiduidade, boa vontade, bom senso, confiança, conhecimento, consagração, conversão, coragem, devoção, esperança, fé, fidelidade, gratidão, honestidade, honra, integridade, inteligência, investimento, justiça, liberalidade, liberdade, lógica, maturidade, noção, obediência, pontualidade, prudência, quitação, reconhecimento, responsabilidade, sabedoria, santidade, sensibilidade, ação social, temor, testemunho, unidade, visão, vitória e zelo.

Quando pagamos os nossos impostos, não estamos dando dinheiro ao governo. Estamos cumprindo um dever constitucional.

Quando devolvemos o dízimo ao Senhor, não estamos dando dinheiro a Ele: estamos obedecendo a Sua Palavra. Todo o nosso lucro deve ser consagrado ao Senhor de forma que o dízimo seja utilizado para a promoção do Reino de Deus. A liberalidade cristã é uma lei acompanhada de bênçãos.

Quanto maior for a nossa espiritualidade, maior será a nossa liberalidade. Todos devem dar o dízimo. Essa prática nos abençoa! Queremos concluir com uma frase do teólogo
Russel Norman Champlim: “A carteira do homem justo nunca ficará vazia, porque Deus sabe como enchê-la e o faz abundantemente. Mas, o homem ganancioso e mesquinho encontrará sua carteira vazia”.[1]



[1]   Jornal Mensageiro da Paz, Agosto de 2009 – Artigo: Pr. Carlos Alberto dos Santos


 
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