EBD Lição 3 - Quem segue a Cristo estuda a palavra (Jovens)

Revista de JovensAssunto: Imitadores de Cristo - Ensinos Extraídos das Palavras de Jesus e dos Apóstolos

COMENTARISTA: Thiago Brazil

3° Trimestre de 2022. Escola Dominical CPAD

TEXTO PRINCIPAL

“E, correndo Filipe, ouviu que lia o profeta Isaías e disse: Entendes tu o que lês?” (At 8.30)

RESUMO DA LIÇÃO

O verdadeiro Cristianismo constitui-se em um duplo e contínuo esforço de aprendizagem e ensino das Escrituras.

LEITURA SEMANAL

SEGUNDA – Jr 17.9 Cuidado com o seu coração

TERÇA – At 1.8 Nosso chamado evangelístico é transcultural

QUARTA – Mt 6.2 Não perca o seu galardão

QUINTA – Jo 3.8 Viva guiado pelo Espírito

SEXTA – Mt 16.18 Não desista de sua missão

SÁBADO – 1 Pe 2.11 Peregrinos e forasteiros

 

OBJETIVOS

EXPLICAR que o chamado missionário do cristão é inato;

CONSTATAR que o cristão é um discípulo por natureza;

COMPREENDER que o cristão é um servo de Jesus Cristo.

TEXTO BÍBLICO

Atos 8.26-39

26 E o anjo do Senhor falou a Filipe, dizendo: Levanta-te e vai para a banda do Sul, ao caminho que desce de Jerusalém para Gaza, que está deserto.

27 E levantou-see foi. E eis que um homem etíope, eunuco, mordomo-mor de Candace, rainha dos etíopes, o qual era superintendente de todos os seus tesouros e tinha ido a Jerusalém para adoração.

28 Regressava e, assentado no seu carro, lia o profeta Isaías.

29 E disse o Espírito a Filipe: Chega-te e ajunta-te a esse carro.

30 E, correndo Filipe, ouviu que lia o profeta Isaias e disse: Entendes tu o que lês?

31 E ele disse: Como poderei entender, se alguém me não ensinar? E rogou a Filipe que subisse e com ele se assentasse.

32 E o lugar da Escritura que lia era este: Foi levado como a ovelha para o matadouro: e, como está mudo o cordeiro diante do que o tosquia, assim não abriu a sua boca.

33 Na sua humilhação, foi tirado o seu julgamento; e quem contará a sua geração? Porque a sua vida é tirada da terra.

34 E, respondendo o eunuco a Filipe, disse: Rogo-te, de quem diz isto o profeta? De si mesmo ou de algum outro?

35 Então, Filipe, abrindo a boca e começando nesta Escritura, lhe anunciou a Jesus.

36 E, indo eles caminhando, chegaram ao pé de alguma água, e disse o eunuco: Eis aqui água; que impede que eu seja batizado?

37 E disse Filipe: É lícito, se crês de todo o coração. E, respondendo ele, disse: Creio que Jesus Cristo é o Filho de Deus.

38 E mandou parar o carro, e desceram ambos à água, tanto Filipe como o eunuco, e o batizou.

39 E, quando saíram da água, o Espírito do Senhor arrebatou a Filipe, e não o viu mais o eunuco; e, jubiloso, continuou o seu caminho.

 

INTRODUÇÃO

Um Cristianismo sem o mínimo de conhecimento bíblico é prejudicial à saúde espiritual da igreja. Infelizmente, muitos na atualidade se dizem cristãos, mas nunca leram a Bíblia toda. Quem não conhece a Bíblia Sagrada, presente concedido por Deus à toda humanidade, nunca conhecerá o Deus da Bíblia. É urgente que façamos cada vez mais de nossos processos de discipulado uma experiência de enriquecimento bíblico.

 

I- O CRISTÃO COMO MISSIONÁRIO INATO

1. Nós somos conhecidos dEle.

A narrativa de Atos dos apóstolos sobre o encontro de Filipe, o evangelista, e o estrangeiro do continente africano se inicia com um importante destaque: “o anjo do Senhor falou a Filipe” (At 8.26). Esse tipo de manifestação, muito comum entre as santas mulheres e os santos homens da Bíblia, define os rumos da cena das Escrituras. Por amor ao forasteiro, o Eterno comissiona seu servo a uma tarefa imediata e específica.

Ao ler este texto, também não podemos deixar de reconhecer a vida espiritual de Filipe, pois ao ouvir o comando divino em momento algum ele duvida, e com a obediência de quem conhece a voz de seu Mestre (Jo 10.3-5,14,15), vai evangelizar o desconhecido viajante, Esse é o padrão de comunhão que Deus deseja que vivamos com Ele, isto é, um relacionamento tão real e próximo com Jesus que sejamos capazes de discernir com clareza o que é a voz do Altíssimo daquilo que é apenas ruído de nossos corações (Jr 179).

 

2. Servir a Jesus exige disposição para quebrar os próprios preconceitos.

Ao analisar esse fragmento da história apostólica não podemos perder de vista o pioneirismo de Filipe na evangelização daqueles que, naquele momento histórico, pareciam simplesmente inalcançáveis. Lembremos que, nesse contexto, as atividades dos apóstolos ainda estavam muito concentradas no anúncio da mensagem de Jesus aos judeus, e que, portanto, a comunicação do Evangelho e o ato batismal para alguém fora desse universo cultural era algo incomum.

 

Filipe se lança a percorrer, sob as orientações do Espirito Santo, um caminho inédito, uma senda nunca antes trilhada, a evangelização transcultural(At 1.8), Para um judeu, o trato com pessoas de outro universo cultural era um desafio, preceitos referentes a critérios de pureza e impureza cerimonial eram considerados como algo muito sério. Se disponibilizar à proclamação do amor de Cristo implica abrir mão dos preconceitos sociais e discriminações pessoais, em nome de uma transmissão clara e cheia de compaixão (2 Co 10.16).


3. A natureza imprevisível de seguir a Jesus.

É assim que Deus age: faz pessoas comuns, em dias normais, realizar obras extraordinárias. Num dia corriqueiro como os outros, Filipe foi impulsionado pelo Espírito a comunicar a graça de Deus a um estranho. Mais ainda, o discípulo de Cristo foi desafiado a romper com todo tipo de formalismo religioso e batizar, quase que imediatamente, aquele que acabara de crer em Jesus.

 

Se não bastasse tudo que já tinha acontecido, Filipe ainda vivencia sua experiência sobrenatural, pessoal e quando percebe, já não está mais do lado do viajante estrangeiro. É para esse nível de relacionamento que Cristo nos vocaciona, para uma vida onde sejamos cotidianamente surpreendidos pela glória divina (Jo 14.12). Quem caminha com Jesus, a jornada da vida nunca cairá em tédio.

 

PENSE! Precisamos de menos preconceito e mais evangelização.

PONTO IMPORTANTE! Servir a Jesus significa assumir-se como peregrino até chegar ao céu.


SUBSÍDIO 1

Prezado (a) professor (a) para a introdução do primeiro tópico da lição faça a seguinte pergunta: Você está disposto(a) a ir onde o Senhor lhe enviar? Em seguida explique que “Filipe tinha alcançado um bem-sucedido ministério de pregação para grandes multidões em Samaria (At 8.5-8) e, de forma obediente deixou aquele ministério para viajar por uma estrada deserta. Por Filipe ter ido aonde Deus o enviou, a Etiópia tornou-se uma região aberta às Boas Novas. Siga a liderança de Deus, ainda que lhe pareça um rebaixamento de posição. A princípio você pode não entender os planos de Deus, mas os resultados provaram que o caminho dEle é sempre o correto.” (Bíblia de Estudo Aplicação Pessoal Rio de Janeiro: CPAD, p. 1495)


II - O CRISTÃO COMO UM DISCIPULADOR POR NATUREZA

1. A responsabilidade pessoal e o preparo para a evangelização.

Seguir a Jesus é uma experiência fabulosa, todavia exige de cada um de nós dedicação e responsabilidades. Diferente daquilo que muitas pessoas procuram apresentar, caminhar com Cristo exige muito compromisso — com Deus, consigo e com os outros. Filipe foi importante para a vida do etíope, antes de qualquer coisa, porque foi obediente à determinação divina, e é exatamente isso que Jesus espera de cada um de seus servos (At 26.19).

Viver guiado pelo Espírito é maravilhoso (Jo 3.8), entretanto, não é fácil (2 Co 11.23-29), mas se tivermos o comprometimento adequado, jamais nos arrependeremos do que fizermos para o Reino (Fp 2.17). O cuidado do dedicado discípulo com aquele desconhecido manifestou-se em todo um preparo anterior, uma trajetória dedicada às Escrituras, de tal modo que, ao ouvir a recitação em alta voz, Filipe conhecia o texto lido e o contexto a que o profeta se referia (At 8.30,31). Talvez, hoje, sua empolgação e dedicação para o Reino parecem exageros para alguém, todavia, creia: há missões que você só realizará amanhã se tiver o preparo de hoje (Jo 13.7).

 

2. Somos convidados para sermos discipuladores.

Filipe não perdeu tempo. Imediatamente começou a anunciar o amor de Cristo àquele viajante cheio de dúvidas. Ele entendeu bem que aquela missão não poderia ser terceirizada, era dele e era urgente. Quando congregamos em uma igreja e temos tempo, cada pessoa deve ser discipulada em Cristo de modo efetivo, desenvolvendo vínculos significativos ao longo de um bom período de amadurecimento espiritual. Mas se sua igreja é como a de Filipe, com poucas mãos para fazer a obra, não se exima de fazer o seu melhor para o Reino.

 

Se necessário, faça como ele: leve pessoas a Cristo, construa com elas vínculos pessoais e espirituais, e por fim ajude-as a proclamarem publicamente seu amor a Cristo, por atos e palavras. Jesus nos convida para uma marcha contra os poderes infernais (Mt 16.18). Missões devem ser feitas por quem ama a Deus, filhas e filhos que Ele criou, e não por quem gosta de viajar.

 

3. A compaixão para com aqueles que têm carência de Deus.

Aquele personagem desconhecido no deserto não era uma pessoa sem qualificações. Atuar junto a uma autoridade política era uma tarefa que exigia uma alta formação educacional.

 

Perceba que ele é um estrangeiro interessado na tradição judaica pois carregava consigo uma cópia do texto do profeta Isaías. Entretanto, a possível vasta cultura pessoal daquele homem não preenchia o vazio de sua alma, a ponto dele se desesperar por não compreender para quem apontavam as profecias. Mas graças a Deus havia um Filipe ali. Que você seja, na vida de outras pessoas — , até mesmo daquelas que você nem conhece — o que foi o discípulo de Jesus para o viajante estrangeiro.

 

SUBSÍDIO 2

Professor (a), explique que “a Etiópia está localizada na África, ao sul do Egito. O eunuco obviamente era muito dedicado a Deus, pois viajou uma distância muito longa para adorar em Jerusalém. Na antiguidade, os judeus tinham contato com a Etiópia (Sl 68.31); talvez o etíope fosse um gentio convertido ao judaísmo. Por ser o superintendente mente de todos os tesouros’ da Etiópia, a conversão do eunuco permitiria que o Cristianismo chegasse às altas esferas do poder de uma nação, Este foi o início da expansão do evangelho até ‘os confins da terra’ (At 1.8).” (Adaptado da Bíblia de Estudo Aplicação Pessoal. Rio de Janeiro: CPAD, p. 1494)

 

III - O CRISTÃO COMO UM SERVO

1. Nunca duvide do poder transformador do Evangelho.

Parece algo inacreditável, mas o que testemunhamos em Atos 8.26-38 é a conversão convicta e inconteste de alguém ao Evangelho de Cristo. O batismo daquele homem não foi precipitação de um novo convertido ou ambição religiosa de um evangelista.

 

Antes, foi a materialização de uma fé que inflamava o coração de ambos, tanto daquele que viajava sob as ordens da rainha etíope, como daquele que peregrinava com Jesus. Aquele estrangeiro saiu de lá salvo pela mensagem de Cristo, que já estava presente nas profecias de Isaías, e associado a todos aqueles que – assim como ele – decidiram submergir em águas batismais seu passado pecador e seguir a jornada da vida como uma grande viagem de regresso para casa.

 

2. Não pense em números, pense nos impactos da obediência.

O dedicado evangelista, que tratou com tão grande amor e atenção a vida do solitário viajante no meio do deserto, era o mesmo indivíduo que pregava para multidões em Samaria (At 8.5-13). testemunhando de Cristo através da ministração de milagres, prodígios e maravilhas. A postura de Filipe, inspirada no exemplo de Jesus, deve nos entusiasmar, nos levar a um nível de espiritualidade onde nosso compromisso sempre seja com o princípio da obediência e nunca com a audiência.

 

Ou seja, faça sempre tudo o que Deus pedir a você, mesmo que ninguém mais saiba, reconheça ou agradeça, pois aqueles que são dependentes dos elogios alheios, dos aplausos das multidões, nada mais receberão além dessas futilidades envenenadores da alma (Mt 6.2,5,16).

 

3. Depois de cumprir tudo o que Deus mandar fazer, faça mais!

Se você está vendo a obra de Deus como um fardo, e a faz de modo extenuado, sofrido, e até mesmo com um senso de opressão, pare de fazer tudo imediatamente. Saiba que Deus não está aprovando nada do que você está fazendo.

 

Filipe viveu momentos inesquecíveis entre os que receberam o Evangelho em Samaria, depois, testemunhou a improvável salvação de um poderoso oficial oriundo de uma outra nação. Depois de tudo isso, talvez alguém pudesse pensar: “Tá bom né, Deus!? Agora, um pouquinho de férias.” Mas não é isso que o livro de Atos nos informa, mal havia terminado essa maratona de missões, Deus já tinha outra maravilhosa tarefa para Filipe, e sabe o que é melhor? Ele fez muito mais depois do que antes, pois foram mais cidades alcançadas e, por consequência, mais vidas transformadas (At 8.40). Esse é o resultado de trabalhar para Jesus: felicidade, realização e crescimento espiritual.

 

PENSE! A honra de servir a Deus já é um galardão de quem faz missões.

PONTO IMPORTANTE! Precisamos de mais igrejas missiológicas.


CONCLUSÃO

Como Igreja do Senhor, temos uma vocação missiológica. Quando negligenciamos nossa missão, deixamos de agradar a Deus. Que venhamos a ter a mesma postura de Filipe, que seguiu o exemplo de Jesus de Nazaré. Precisamos de mais entusiasmo e fervor para que o nosso compromisso seja sempre com o princípio da obediência e nunca com a audiência, os números.


HORA DA REVISÃO

1. Como se inicia a narrativa de Atos sobre o encontro de Filipe com o estrangeiro?

A narrativa inicia-se com um importante destaque: “o anjo do SENHOR falou a Filipe” (At 8.26).

2. Posso deixar de anunciar a Cristo a alguém em virtude de meus preconceitos?

Não, isto se torna um duplo pecado: preconceito e omissão espiritual

3. Como posso ser um evangelizador, discipulador como Filipe?

Leve pessoas a Cristo, construa com elas vínculos pessoais e espirituais.

4. O batismo do etíope foi uma precipitação de Filipe? Não.

5. Porque alguém pode estar se sentindo sufocado ao servir na igreja?

Por que certamente esta pessoa está buscando agradar homens ou instituições, e não ao Criador. O fardo de Jesus é leve.


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