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Subsídio para a classe de Jovens. Lição 2 – 4° trimestre de 2018 | Data da Aula: 14/10/18
A interpretação das Escrituras objetiva não apenas o entendimento correto do texto, mas também o ensino e a aplicação desse mesmo texto. Acreditamos que Deus revelou a si mesmo e à sua vontade com um propósito bem definido: para que andássemos com Ele e refletíssemos a sua glória neste mundo por meio da forma como vivemos, e a forma como vivemos passa pelo entendimento e interpretação da Palavra de Deus.

Nesse mesmo pensamento, é estranha a ideia de interpretar o texto sem que se tenha o objetivo de aplicá-lo no dia a dia. A leitura puramente acadêmica não é danosa, e muitos acadêmicos e conhecedores das línguas originais tem doado seu conhecimento com o objetivo de facilitar o entendimento do texto sagrado. O objetivo das Escrituras, contudo, é conduzir o homem no caminho que o aproxima de Deus.




Como a interpretação do texto sagrado vai além da leitura simples e descomprometida, é preciso que aquele que deseja alcançar um conhecimento mais amplo dessa mensagem dedique-se a observar princípios que aprofundam e contemplam a mensagem como um todo. E essa responsabilidade de ler e de interpretar o texto é de fundamental importância, pois a interpretação correta das Escrituras conduz o cristão à aplicação correta desse mesmo texto, ao passo que a interpretação incorreta do mesmo texto conduzirá o cristão a uma prática incorreta daquilo que Deus determinou.

Entre os pentecostais, há essa preocupação de fazer com que a leitura do texto seja relevante não apenas para o conhecimento, mas igualmente para a aplicação. A Bíblia, segundo entendemos, deve ser a regra de fé e prática do crente, e esse entendimento deve nortear o ensino e a pregação da Palavra.

De que forma, então, os pentecostais leem e interpretam a Bíblia? E mais especificamente ainda: como interpretam os textos relacionados à atuação do Espírito Santo no Corpo de Cristo? Há alguma garantia de que a interpretação dos pentecostais no tocante à contemporaneidade dos dons é correta? E, se for correta, de que forma os dons devem ser administrados no culto? A doutrina pentecostal deve ser ensinada e incentivada como fruto de um mandamento de Deus ou de uma interpretação questionável?
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I- Interpretar a Bíblia Corretamente

1. Começando com a Hermenêutica 
Quando se fala de leitura e interpretação da Bíblia, é interessante voltar ao passado e ter uma noção de como os antigos interpretavam os textos sagrados. As regras de interpretação, que foram desenvolvidas ao longo dos séculos, precisam ser relembradas para que entendamos que a leitura e a aplicação da Palavra de Deus não são um assunto recente.

No artigo intitulado A Hermenêutica Geral, Greg Clark fala que

A hermenêutica, desde o seu início como disciplina, reflete nas teorias da interpretação. A hermenêutica, uma vez que interpretar significa apresentar o sentido do texto ou torná-lo compreensível, expandiu-se e tornou-se um relato geral do ato do entendimento e o objeto da compreensão e do sentido. Portanto, o que será que significa entender? Que condições são necessárias para algo ser significativo? Um relato formal do ato de do ato do entendimento diz que compreender é enxergar a relação entre o todo e suas partes e entre uma parte e seu todo”. (p 112)

A palavra hermenêutica é oriunda da língua grega. Hermes, um dos deuses do Olimpo, era responsável, como se entende, por comunicar aos homens as mensagens das divindades olimpianas. Para tal, era necessário conhecer não somente a língua dos deuses, mas também a língua dos homens, tornando a comunicação viável. Não adianta haver um emissor e não ter um receptor; é preciso também uma mensagem que possa ser codificada e entendida por signos que sejam compreendidos pelos destinatários. Aqui, entraria o papel de Hermes. Sua função, além de ser patrono do sono, do comércio e dos ladrões, era também ser um comunicador que efetivamente pudesse fazer entendida a vontade dos deuses na língua dos humanos. O verbo hermeneuein pode ser entendido como interpretar ou traduzir.

Além dos antigos, os reformadores também deram sua contribuição para o desenvolvimento da interpretação das Escrituras.

Greg Clark diz que
“Tanto Martinho Lutero quanto Roma concordavam que a leitura da Escritura em um contexto inapropriado obscurece seu sentido, mas eles discordavam em relação a qual era o próprio contexto apropriado da Escritura. Os seguidores de Roma recorriam à Escritura e a tradição - aos papas e concílios - para apoiar suas posições. A Escritura e a tradição dependiam uma da outra; a tradição da igreja reconhecia a Escritura como Escritura, e a igreja se desenvolve a partir de sua contínua leitura da Escritura... Lutero recorreu apenas à Escritura como único canal de Deus. A Escritura e a tradição, de acordo com Lutero, são dois princípios distintos. Esse é o sentido das frases luteranas sola scriptura e scriptura scriptirae interpres”. (a Escritura interpreta a Escritura)

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Aqui, percebemos que a tarefa de dar um novo significado à interpretação bíblica na Reforma não era algo simples. Séculos de imposição da tradição deveríam ser quebrados para que a Palavra de Deus encontrasse guarida no movimento que se iniciava.

Lutero enfrentou a tarefa de libertar a escritura da tradição. Assim, para libertar o evangelho da Vulgata latina, ele traduziu a Bíblia para o alemão. Uma vez que a Vulgata dependia muito dos textos originais grego e hebraico, Lutero precisou do seu conhecimento das línguas antigas para desempenhar essa tarefa. Como a Vulgata também afastava a Escritura do cristão alemão médio que não conhecia o latim, Lutero precisou também de seu considerável dom com sua língua natal.

2. Hermenêutica e Aplicação
Descobrir o sentido do texto é um exercício que exige muito do intérprete. Há, porém, outro desafio tão importante quanto a descoberta do sentido do texto: a aplicação desse mesmo texto. Saber o significado de uma parte das Escrituras necessariamente implica buscar a aplicação dessa mesma parte a leitores e ouvintes. São duas partes do mesmo desafio, e uma tarefa complementa a outra.

Como leitores das Sagradas Escrituras, de que forma devemos ver a hermenêutica e suas regras? De forma bastante positiva. E preciso entender que os textos das Escrituras não surgiram do nada, sem um contexto, e nem os princípios da hermenêutica surgiram do nada. A mesma hermenêutica que proporciona os princípios de interpretação também nos ajuda a pensar na aplicação.

Se entendermos que tudo o que foi escrito assim o foi para que aprendamos e tenhamos esperança (Rm 15.4), podemos também crer que o propósito de Deus é que tenhamos o hábito de praticar o que Ele deu a cada um por meio da sua revelação escrita.

Como exemplo, no Antigo Testamento, a obediência à Lei de Deus traria prosperidade e saúde ao povo de Israel (Dt 30.11-20). A fé naquilo que Deus disse deveria ser o marco para crer no que Ele queria que o povo fizesse; todavia, com o passar do tempo, o povo de Deus esqueceu-se dessa orientação. Deuteronômio 31.9-13 diz:

E Moisés escreveu esta Lei, e a deu aos sacerdotes, filhos de Levi, que levavam a arca do concerto do Senhor, e a todos os anciãos de Israel. E deu-lhes ordem Moisés, dizendo: Ao fim de cada sete anos, no tempo determinado do ano da remissão, na Festa dos Tabemácu- los, quando todo o Israel vier a comparecer perante o Senhor, teu Deus, no lugar que ele escolher, lerás esta Lei diante de todo o Israel aos seus ouvidos. Ajunta o povo, homens, e mulheres, e meninos, e os teus estrangeiros que estão dentro das tuas portas, para que ouçam, e aprendam, e temam ao Senhor, vosso Deus, e tenham cuidado de fazer todas as palavras desta Lei; e que seus filhos que a não souberem ouçam e aprendam a temer ao Senhor, vosso Deus, todos os dias que viverdes sobre a terra, a que ides, passando o Jordão, para possuí-la”.

Por que motivo Israel deveria reler a Lei de Deus a mulheres, filhos e estrangeiros a cada sete anos? Para que eles aplicassem às suas vidas o que o Senhor havia decretado: “fazer todas as palavras desta lei”. A aplicação é, sim, de extrema importância.

Toda a Escritura é inspirada e necessária para as nossas vidas. Não há uma Escritura mais inspirada que outra. Esse pensamento pode parecer bastante radical, mas representa uma verdade: Não podemos tratar o texto bíblico da forma como queremos, nem mesmo sob uma tradição que careça de fundamentos bíblicos.

E evidente que há partes no texto sagrado que, talvez, não possuam uma aplicação imediata para o leitor moderno. Um exemplo disso é o das genealogias, que são importantes nos registros sagrados. Como cristãos ocidentais, tendemos a ver pouca aplicação às nossas vidas quando lemos um conjunto de nomes de pessoas desconhecidas, a não ser que façamos um estudo mais profundo dos nomes ali mencionados, de suas tribos, funções e de que forma possivelmente teriam se destacado nas Escrituras.
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3. O Tempo e a Interpretação
Antes que pudéssemos crer em Deus hoje, Ele já se havia manifestado há séculos. O Senhor trabalhou antes de nós existirmos e usou milhões de servos seus antes mesmo que pudéssemos ser usados por Ele. O tempo pode até correr para nós, mas não para Deus. E nesse aspecto que precisamos entender que é necessário vencer a distância entre o tempo em que os textos das Escrituras foram escritos e o tempo em que vivemos.

Não nos parece que Moisés, homem de Deus, passou 40 anos escrevendo ininterruptamente o Pentateuco. Ele precisou guiar o povo pelo deserto, recebeu a Lei de Deus, fazia julgamentos e recebia as orientações divinas. Com todas essas atividades, não passou o tempo todo escrevendo. Os demais textos bíblicos não foram escritos todos os dias e na mesma época. Houve um hiato entre os escritores e entre seus textos. Daniel levou anos para escrever sua profecia, porque foi ao longo dos anos que Deus revelou ao profeta as coisas que haviam de ocorrer. Davi não produziu seus salmos numa mesma época.

Há também uma distância entre os escritos e os escritores do Antigo Testamento e os do Novo. Acredita-se que, entre o último profeta canônico do Antigo Testamento e o primeiro livro do Novo Testamento, há uma distância de 400 anos sem uma revelação escrita da parte de Deus.

4. A Cultura, a Geografia e a Interpretação
A cultura dos homens da Bíblia e os lugares onde passaram são diferentes da nossa cultura e geografia. Em que pese os anseios, necessidades e desejos serem os mesmos, os antigos viviam num mundo cultural diferente do nosso. A escravidão, hoje considerada como um ultraje ao ser humano, era aceita como parte da vida em sociedade nos tempos bíblicos. Mulheres e crianças não eram contadas para certas ações sociais. Nínive não era uma cidade litorânea, e, por certo, Jonas não foi vomitado na praia de Nínive. Ele teve de andar bastante para chegar à cidade e trazer a revelação de Deus àquela geração.

5. A Língua e a Interpretação
Como sabemos, a Palavra de Deus não foi escrita em português. Ela é fruto do trabalho de pessoas que falavam o hebraico, ou o aramaico, ou ò grego. Ter um contato básico com esses idiomas poupa-nos de problemas de interpretação e aplicação. Como exemplo, a palavra dünamis, que, do grego, é traduzida como poder, nada tem a ver com dinamite em português, pois dünamis é um poder que induz ao movimento, e não um vetor de destruição de estruturas. Pharmakeía é uma palavra derivada de pharmakou, uma beberagem que, quando administrada na medida certa, podia salvar a vida de uma pessoa e, na medida errada, seria um veneno. Pharmakeía é traduzida como feitiçaria na lista das obras da carne, pois, com o passar do tempo, sacerdotes de diversos cultos tomavam bebidas para terem visões de seus deuses, até que a palavra assumiu outros contornos, dando a entender, nos tempos de Paulo, o significado de práticas de um feiticeiro.

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Fonte: O Vento sopra onde Quer. O Ensinamento bíblico do Espírito Santo e sua Operação na Vida da Igreja. Autor: Alexandre Coelho. Editora CPAD

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