Subsídios Bíblicos para a Escola Dominical 👇👇

O Uso do Vinho no Antigo e Novo Testamento

Nas Sagradas Escrituras, o vinho, juntamente com o pão e o azeite, é visto como bênção de Deus (Os 2.22). Aliás, o vinho era usado até mesmo como remédio (Lc 10.34). No entanto, o seu mau uso levou homens santos a cometerem escândalos, torpezas e até crimes. Haja vista os casos de Noé, Ló e Davi.

I - O VINHO NA HISTÓRIA SAGRADA
1. A embriaguez de Noé.
Após o Dilúvio, Noé voltou-se ao ofício de lavrador, e pôs-se a plantar uma vinha (Gn 9.20). E, após ter preparado o seu vinho, bebeu-o até embriagar-se. Já fora de si, desnudou-se, expondo-se vergonhosamente em sua tenda (Gn 9.20-29). A intemperança do patriarca trouxe-lhe sérios problemas familiares.

O álcool foi capaz de transtornar até mesmo um dos três homens mais piedosos da História Sagrada (Ez 14,14). É por isso que devemos precaver-nos quanto aos seus efeitos (Pv 20.1; 23.31).

Num devocional já antigo, li acerca de um pastor que, após embebedar-se numa reunião social, acordou num quarto que não era seu, numa cama que não lhe pertencia e ao lado de uma mulher longe de ser a sua querida esposa. Bastou-lhe alguns minutos de intemperanças e desregramentos, para que perdesse tudo o que amealhara ao longo de abençoadas décadas de ministério.

Declara o salmista que bem-aventurado é o homem que não se assenta na roda dos escarnecedores. Aqui, entre cervejas, licores e cachaças, nada é proibido. Já nos primeiros goles caem as barreiras da moral e da ética. Nos segundos, olvidar-se até mesmo a santíssima fé. Depois, enfileiram-se as concupiscências, discórdias, valentias e sujidades. O que antes era um obreiro venerável não passa, agora, de um vil contador de piadas. Com olhares lúbricos, cobiça essa mulher, almeja aquela moça e, mais adianta, corteja aqueloutra donzela. Que atitude indigna de um homem, que, no domingo anterior, pregara sobre a “santificação, sem a qual ninguém verá o Senhor”.

Em algumas culturas evangélicas, o vinho é usado livremente. Alguns o tomam com moderação. Outros, entretanto, descontrolam-se; embriagam-se; esborracham-se como os filhos das trevas. Não bastassem os males espirituais, morais e éticos, há também os problemas físicos. Quando a mim, prefiro a cautela dos recabitas à ousadia de certos obreiros que, fundados numa certa liberdade cristã, acham que todas as coisas lhe são lícitas. Esquecem-se eles de que nem todas nos convêm.
Veja também:
2. A devassidão das filhas de Ló.
Dizendo-se preocupadas com a descendência do pai, as filhas de Ló embebedaram-no em duas ocasiões (Gn 19.31,32). Em seguida, tiveram relações com o próprio pai, gerando dois povos iníquos (Gn 19.33-38). Quem se entrega ao vinho está sujeito às dissoluções (Ef 5.18). Já imaginou um obreiro de Cristo em semelhante situação?

Muito se fala, no Brasil, sobre violência doméstica e abuso infantil. O que muita gente não sabe é que tais coisas também são ocasionadas pelo álcool. O que esperar de um pai bêbado? Ou de uma mãe embriagada? Depois que o álcool chega ao cérebro, abre-se as portas à violência, à permissividade e a todo tipo de atos impensáveis.

Eu não gostaria de ver um obreiro do Senhor numa situação igual ou semelhante à de Ló. O homem que se resguardara dos vícios de Sodoma e de Gomorra, não soube como resguardar-se diante do vinho. Para se evitar tais males e desgraças, só existe um caminho: a abstinência.

3. O vinho como instrumento de corrupção.
Para encobrir o seu adultério com Bate-Seba, o rei Davi convocou Urias, que estava na frente de batalha, embriagou-o, e induziu-o a deitar-se com a esposa adúltera e já grávida (2 Sm 11.13). Se o seu plano houvesse dado certo, aquela criança ficaria na conta de Urias, o heteu.

A que ponto chega um homem fora da orientação do Espírito Santo. O rei e pastor de Israel usou o vinho para corromper um de seus heróis mais celebrado. Uma reunião de obreiros não pode ser regada a vinho; tem de ser dirigida pelo Espírito Santo.

Que os encontros de pastores, evangelistas, presbíteros e diáconos sejam marcados pela comunhão, fraternidade e profunda concórdia. E que, no final dos trabalhos, possamos declarar como os santos apóstolos: “Pareceu bem a nós e ao Espírito Santo”. Mas isso só acontecerá se, abstendo-nos do vinho, enchermo-nos do Divino Consolador.

Se o vinho é tão nocivo e deletério, por que foi usado pelos levitas, no Antigo Testamento, e pelos santos apóstolos, no Testamento Novo? Antes de adentrarmos o próximo tópico, consideremos esta proposição: tudo o que existe pertence ao Senhor; logo, deve Ele ser glorificado por todas as coisas.

Aos olhos de Deus, tudo é precioso, inclusive o vinho. Vejamos o que Ele ordenará no período da Grande Tribulação: “E ouvi uma como que voz no meio dos quatro seres viventes dizendo: Uma medida de trigo por um denário; três medidas de cevada por um denário; e não danifiques o azeite e o vinho” (Ap 6.6, ARA).

II- O VINHO NO OFÍCIO DIVINO
O vinho, por simbolizar as bênçãos de Deus, foi usado no Antigo Testamento como oferenda ao Senhor e, no Novo Testamento, serviu para simbolizar o sangue de Cristo. Todavia, a Palavra de Deus faz sérias advertências quanto ao seu uso.

1. No Antigo Testamento.
Em sua oferta de manjares ao Senhor, os israelitas faziam-lhe também a libação de um quarto de him de vinho (Lv 13.13). Nessa oferenda, o adorador reconhecia que tudo quanto existe pertence ao Senhor. Em razão disso, deveria usar de forma santa e responsável tudo que Ele nos deixou (Pv 20.1).

Quanto aos ministros do altar, eram severamente advertidos sobre o uso do vinho. Leia com atenção Levítico 10.8-11. Essa passagem deve ser aplicada também a nós. Tanto ontem quanto hoje, o álcool pode levar-nos à ruína.

É bem provável que Nadabe e Abiú, julgando-se acima de recomendações e preceitos, vinham abusando do álcool. E, assim, de abuso em abuso, e já desconsiderando a santidade de Jeová, adentraram-lhe a Casa sem o fogo apropriado à queimação do incenso. Se isso realmente aconteceu, que deprimente espetáculo não representaram eles. Já imaginou dois obreiros embriagados, trôpegos e resmungando com voz pastosa as fórmulas e credos sagrados? Imagine ambos, agora, cambaleando entre o candelabro e a mesa dos pães da apresentação. Se tropeçassem diante do altar do incenso, cairiam no Santo dos Santos.

Retornemos à nossa realidade. Evoquemos a imagem de um pastor embriagado a batizar ou a ministrar a Santa Ceia. O que o rebanho, sempre atento e observador, dir-nos-á em semelhantes situações? Que o Senhor Jesus nos guarde das intemperanças e desregramentos. Jesus, tem misericórdia de nós. Santifica-nos. Queremos chegar à Jerusalém Celeste.

2. No Novo Testamento.
O primeiro milagre de Jesus foi transformar água em vinho (Jo 2.1-11). E, ao instituir a Santa Ceia, Ele fez uso desse mesmo produto, a fim de simbolizar o seu sangue redentor (Mt 26.26-30). Desde então, a Igreja de Cristo vem utilizando o fruto da vide para oficiar a sua maior celebração: a Ceia do Senhor (1 Co 11.23-32).

O que dizer do primeiro milagre do Senhor? O vinho que Jesus fez surgir da água era vinho ou um mero suco de uva? A Escritura não comporta dúvidas; era vinho de excelente qualidade. Mas da narrativa sagrada, inferimos que, naquelas bodas, ninguém se embriagou; os que presenciaram o milagre vieram a crer que Jesus era, de fato, o Salvador do mundo e Messias de Israel.

3. Advertência quanto ao uso do vinho.
Se, por um lado, o vinho é utilizado para adorar a Deus, por outro, ele pode ser usado igualmente para trazer escândalos e levar-nos a desvios espirituais, morais e éticos. Eis porque devemos considerar as recomendações que nos fazem as Escrituras (Pv 21.17; 23,20; Tt 2,3).

Diante das recomendações da Palavra de Deus, como proceder? Sejamos moderados e sóbrios. À semelhança dos recabitas, abstenhamo-nos do álcool. Leia com atenção o capítulo 35 de Jeremias. Que o exemplo daqueles homens cale-se profundamente em nossa alma.
Clique e acesse

III- ADVERTÊNCIAS QUANTO AO USO DO VINHO
Tendo em vista os exemplos lamentáveis e vergonhosos da História Sagrada, o Novo Testamento faz-nos severas advertências quanto ao uso do vinho.

1. Recomendações aos ministros.
O candidato ao Santo Ministério, na Igreja Primitiva, não podia ser um homem escravizado pelo vinho (1 Tm 3.3,8; Tt 1;7). Como confiar o rebanho de Jesus Cristo a um alcoólatra? O que governa tem de abster-se das bebidas alcoólicas (Pv 31.4).
Se você, querido obreiro, tem algum problema com o alcoolismo, procure ajuda. Há sempre um bom homem de Deus disposto a ouvir-nos e a auxiliarmos. Não leve tal fardo à sepultura. Por mais difícil e vexatória que seja a sua situação, não se conforme. O Senhor Jesus está ao nosso lado. Ele o resgatará do alcoolismo, guindando-o novamente às regiões celestiais.

2. Recomendações à Igreja.
A recomendação quanto aos prejuízos decorrentes do vinho não se limita aos ministros do Evangelho. Ela diz respeito, também, a toda a Igreja. Que o verdadeiro cristão, afastando-se do vinho, busque a plenitude do Espírito Santo (Ef 5.18). A embriaguez não é um mero adorno cultural; é algo sério que tem ocasionado sérios transtornos à Igreja de Cristo.

Voltemos ao cenáculo. Busquemos novamente a plenitude do Consolador. Que as nossas reuniões sejam marcadas por conversões, batismos com o Espírito Santo, curas divinas, sinais e maravilhas. E que jamais nos esqueçamos de que o Senhor Jesus, em breve, virá buscar a sua Igreja. Aleluia!

3. Ministros usados pelo Espírito Santo.
No dia de Pentecostes, o Espírito Santo foi copiosamente derramado sobre os discípulos (At 2.1-4). De início, eles foram tidos como bêbados (At 2.13). Mas, após o sermão de Pedro, todos vieram a conscientizar-se de que eles falavam e operavam no poder de Deus (At 2.40,41).

Na sequência de Atos, deparamo-nos com os apóstolos e discípulos proclamando o Evangelho sempre na virtude do Espírito Santo (At 4.8, 31; 7.55; 13.9).

CONCLUSÃO

Cuidado com o álcool. Fuja dos colegas de ministério que, por serem já alcoólatras, querem induzi-lo a esse vício maldito e perverso. Mantenha-se continuamente sóbrio. A caminhada ainda é longa. Nessa peregrinação, não podemos andar tropegamente. Sejamos firmes em cada passo.

Fonte: ANDRADE de. Claudionor. Adoração, Santidade e Serviço. Os princípios de Deus para a sua Igreja em Levítico  1ª edição: Abril/2018 - CPAD