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Assunto: Reforma Protestante: história, ensinos e legado.
Lição: Jovens e Adultos
Trimestre: 4° de 2017
Comentarista: Pr. Gilmar Vieira Chaves
Editora: Central Gospel
TEXTO BÍBLICO BÁSICO
Êxodo 20 1- 5a
1 ENTÃO falou Deus todas estas palavras, dizendo:
2 Eu sou o SENHOR teu Deus, que te tirei da terra do Egito, da casa da servidão.
3 Não terás outros deuses diante de mim.
4 Não farás para ti imagem de escultura, nem alguma semelhança do que há em cima nos céus, nem em baixo na terra, nem nas águas debaixo da terra.
5 Não te encurvarás a elas nem as servirás; porque eu, o SENHOR teu Deus (...)

 
Romanos 11.33-36
33 Ó profundidade das riquezas, tanto da sabedoria, como da ciência de Deus! Quão insondáveis são os seus juízos, e quão inescrutáveis os seus caminhos!
34 Porque, quem compreendeu a mente do Senhor? ou quem foi seu conselheiro?
35 Ou quem lhe deu primeiro a ele, para que lhe seja recompensado?
36 Porque dele e por ele, e para ele, são todas as coisas; glória, pois, a ele eternamente. Amém.
Salmo 33.10,11
10 O SENHOR desfaz o conselho dos gentios, quebranta os intentos dos povos.
11 O conselho do SENHOR permanece para sempre; os intentos do seu coração de geração em geração.

TEXTO ÁUREO
Eu sou o Senhor; este é o meu nome; a minha glória, pois, a outrem não darei, nem o meu louvor, às imagens de escultura. Isaías 42.8
SUBSÍDIOS PARA O ESTUDO DIÁRIO
2ª  Feira - Êxodo 20.1-17: O Decálogo
3ª  Feira - Gênesis 17.1-7: E ser-lhe-eis o seu Deus
4ª  Feira - Hebreus 7.23-25: O Sacerdote perpétuo
5ª  Feira - Atos 17.16-31: Deus não é servido por mãos de homens 6ª  Feira - 1 Coríntios 10.28-32: Fazei tudo para a glória de Deus
Sábado - Habacuque 2.11-14: A Terra conhecerá a glória de Deus
OBJETIVOS
Ao término do estudo bíblico, o aluno deverá:
•  conhecer o entendimento romano acerca da veneração;
• compreender o princípio de Soli Deo Gloria;
•  responder à seguinte questão: existem, nos dias atuais, elementos ou fatores que, de algum modo, retiram a centralidade da soberania divina da vida do crente?

ORIENTAÇÕES PEDAGÓGICAS
Caro professor,
As principais etapas de uma aula de Escola Dominical são:
(1) leitura de todas as lições do trimestre pelo professor;
(2) planejamento e
(3) desenvolvimento.
(1)   A leitura prévia de toda a revista permite uma visão global do que será ministrado e possibilita ao professor planejar com excelência cada aula.
(2)   O planejamento deve iniciar-se o quanto antes. Quanto mais tempo e mais o professor dedicar-se a esta fase, mais interessante e enriquecedora será a aula.
(3)   Utilizando o método expositivo, intercalado com perguntas, respostas e participação do aluno, uma aula pode ser desenvolvida da seguinte maneira: acomodação da classe e chamada (5 min); introdução com motivação inicial (5 min); desenvolvimento do conteúdo (35 min); exercícios de fixação, recapitulação e síntese (5 min); oração final. Excelente aula!
COMENTÁRIO
Palavra introdutória
Uma das bandeiras levantadas pelos reformadores foi a que defendia os dois primeiros mandamentos divinos: Não terás outros deuses diante de mim. Não farás para ti imagem de escultura (Êx 20.3,4a). Contrários às doutrinas apresentadas à Igreja naquela ocasião — como a veneração aos santos e às relíquias —, esses homens de fé corajosamente anunciaram: soli Deo gloria (somente a Deus, glória)!

Nesta lição, veremos que a teologia reformada não nega que houve, no passado, homens e mulheres que se destacaram em sua profissão de fé; entretanto, ao mesmo tempo, reafirma que o Senhor é o único digno de adoração (Êx 20.3,4a).

1. O ENTENDIMENTO ROMANO ACERCA DA VENERAÇÃO
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A veneração aos santos é um dos elementos principais da liturgia romana; estes recebem dos fiéis as mais variadas honrarias: em templos, capelas, missas, festas, altares, orações, juramentos, votos e dádivas de todo tipo. Geralmente, os fiéis os invocam como intercessores; protetores ou concessores de bênçãos. Uma extensão da doutrina da veneração aos santos é a doutrina da veneração às suas relíquias.
Vejamos a seguir.

1.1. A doutrina da veneração aos santos
A doutrina da veneração aos santos — que se apresenta, externamente, por meio da reverência a imagens (estátuas ou iconografias) — foi dogmatizada pela Igreja Romana no Segundo Concílio de Niceia (787 d.C.); e, em 1987, por ocasião do 12°  centenário do referido sínodo, Demétrio l (patriarca de Constantinopla) e João Paulo II (papa em exercício à época) reafirmaram sua legitimidade.

Teólogos romanos, em defesa dessa doutrina, alegam haver distinção entre as palavras gregas latria e dulia. Segundo eles, latria designaria a adoração devida unicamente a Deus, e dulia, a venera cão aos santos; por isso, ainda de acordo com o entendimento romano, tal prática não poderia ser considerada idolatria.
É importante ressaltar que as Escrituras não fazem qualquer distinção entre os vocábulos gregos latria e dulia. Nos registros neotestamentários, o termo latria só é utilizado para fazer referência ao Senhor (Lc 2.37; Rm 1.25; Hb 9.14; At 24.14, dentre outros); porém dulia também é usado com o mesmo sentido (Mt 6.24; Rm 12.11; 1Ts 1.9).
As primeiras imagens cristãs a serem envolvidas com marcas de culto foram os retratos de indivíduos venerados como santos enquanto ainda estavam vivos. O culto às imagens foi inicialmente evidenciado durante o quinto século e tornou-se repentinamente popular durante a segunda metade do sexto século e no sétimo
(FERGUSON, E. Central Gospel, 2017, p. 400).

1.1.1. Refutação reformista à doutrina da veneração aos santos
No primeiro volume das Institutos da Religião Cristã, de Calvino (capítulo 11; seções l—16), o pensamento romano é veementemente contestado. Nele, o reformador afirma, dentre outros pontos, que (1) representar a Deus através de imagens é corromper-lhe a glória (seção #1); (4) o uso de imagens conduz à idolatria (seção #9). No capítulo 12 do mesmo volume, são abordados os seguintes temas:
(1) a verdadeira religião proclama o Deus único e absoluto (seção #1);(2) a ilusória distinção de latria e dulia (seção #2); (3) improcedência do culto de dulia à luz das Escrituras (seção #3).

Além disso, no terceiro volume da referida obra, o reformador aborda explicitamente o seguinte tema: (1) a intercessão romanista dos santos engendra supersticiosa veneração dessas criaturas, às quais se prescrevem atribuições e honrarias próprias de Cristo e da Deidade (seção #22) [grifo do comentarista].

1.2. A doutrina da veneração às relíquias
Relíquias são os objetos pertencentes (ou supostamente pertencentes) a cristãos piedosos que, depois de certo tempo, foram canonizados.

Três tipos de relíquias vieram a ser reconhecidas pela Igreja: o corpo ou partes do corpo de uma pessoa santa, objetos intimamente relacionados com a pessoa (por exemplo, vestuário) e objetos como areia, óleo ou água, que tocaram os restos mortais e foram armazenados em ampolas (pequenos frascos) (FERGUSON, E. Central Gospel, 2017, p. 286).

Os romanistas afirmavam, com base em alguns textos bíblicos (Êx 13.19; 2 Rs 13.21; At 5.15,16; 19.11,12), que ossos e/ou objetos de santos e mártires eram dotados de poder divinal e, por esse motivo, operavam milagres. Atualmente, a Igreja Católica permite o culto às relíquias [veneração aos corpos (ou pedaços de corpos) de santos e mártires falecidos], alegando que o milagre não é produzido materialmente pelas relíquias, mas pela vontade de Deus, por meio delas.

Considerando o fato de não haver, em todo texto bíblico, sequer um exemplo, promessa ou preceito relacionado à adoração aos santos, pode-se afirmar que toda e qualquer invocação que não seja dirigida ao Deus Trino é idólatra: soli Deo gloria!

1.2.1. Refutação reformista à doutrina da veneração às relíquias
Analisemos os textos bíblicos utilizados pelos romanistas para respaldar o culto às relíquias:
• Êxodo 13.19 — Moisés, em atenção ao pedido de José, levou os restos mortais do patriarca para serem sepultados na terra que Deus prometera dar aos filhos de Abraão. Entretanto, não há registro (bíblico ou histórico) de que o corpo de José tenha sido adorado, colocado no templo, carregado em procissões, ou levantado em altares.
• 2 Reis 13.21 — O texto bíblico informa-nos que certo homem ressuscitou, depois de ter sido lançado sobre os ossos de Eliseu. Do mesmo modo, não há relato (bíblico ou histórico) de que, depois desse evento, os ossos de Eliseu tenham sido transformados em relíquia, tampouco que seu túmulo passou a ser um centro de peregrinação religiosa.
• Atos 5.15,16; 19.12 — Lucas dá-nos ciência de que enfermos eram levados às ruas, em camas e macas, a fim de serem curados pela sombra de Pedro. Lucas também diz que lenços e aventais de Paulo eram colocados sobre doentes e possessos, a fim de que ficassem livres de seus males. Todavia, nem o evangelista, nem qualquer outro autor sagrado, diz que Pedro ou Paulo aceitaram ser venerados pelos milagres que realizavam. Ao contrário, em Atos 14.8-18, vemos a rejeição de Paulo à adoração que os habitantes de Listra queriam prestar-lhe, depois de ele ter curado um coxo: Homens, por que vocês estão fazendo isso? Nós também somos humanos como vocês (v. 15 NVI).

A teologia reformada não afirma que os piedosos irmãos do passado não devem ser reverenciados e imitados em sua fé e fidelidade ao Senhor (Lc 1.48; Mc 14.9). A bandeira levantada pelos reformadores não foi outra senão esta: Deus é o único digno de glória e louvor para todo sempre (Ap 7.12).

2. SOLI DEO GLORIA
A Escritura é clara ao afirmar que há um só Deus, o Pai, de quem é tudo e para quem nós vivemos (1Co 8.6). Em termos práticos, essa realidade não apenas proíbe (e inviabiliza) a adoração a santos e relíquias — por exemplo —, como também condena a adoração a qualquer representação iconográfica de Yahweh, o Deus de Israel (Êx 20.1-5).

A teologia reformada entende que nenhum ser humano — limitado em sua própria humanidade — é digno de receber glória: nem os santos canonizados, nem os mártires, nem os papas, nem as autoridades eclesiásticas. Por isso, apregoa: toda veneração que não seja dirigida ao único e verdadeiro Deus não passa de mera superstição religiosa.

2.1. Base bíblica
A Confissão de Fé de Westminster (uma confissão de fé adotada por muitas igrejas reformadas ao redor do mundo) diz que o fim supremo e principal do homem é glorificar a Deus e gozá-lo para sempre (Rm 11.36; 1 Co 10.31; Jo 17.22-24).

O Senhor dos céus e da terra dirige a história humana de modo a fazer com que Seu nome seja glorificado entre os homens (Êx 14.4,17,18; 1 Sm 12.20-22; 2 Sm 7.23; SI 106.7,8; Is 43.6,7,25; 49.3; Jr 13.11; Ez 20.14; 36.22,23,32; He 2.14; Rm 9.17,22,23; Ef 1.4-6,12,14), porque Ele não divide Sua glória com ninguém (Is 42.8). E isso também se constata na pessoa de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo (Jo 5.44; 7.18; 12.27,28; 14.13; 17.1,24; Rm 15.7; Fp 1.9,11; 2 Ts 1.9,10; Hb 1.3; Ap 21.23).

3. ADVERTÊNCIA A IGREJA REFORMADA: GLÓRIA, SOMENTE A DEUS
Nos tópicos anteriores, abordamos a teologia reformada da glória de Deus em oposição à doutrina romana. Neste, refletiremos sobre a seguinte questão: existem, nos dias atuais, elementos ou fatores que, de algum modo, retiram a centralidade da soberania divina da vida do crente?

3.1. O endeusamento de líderes
Muitos irmãos de confissão protestante, em vários períodos da história, e em vários países do mundo, sem se darem conta, endeusaram seus líderes religiosos.

Há grande diferença entre um pastor fiel e abençoado, que leva a Igreja a glorificar o nome de Jesus, reconhecendo Nele a fonte de toda boa dádiva (Tg 1.17), e o pastor que confia em sua própria retórica e talento para, em sua cobiça, atrair massas incautas e explorá-las com histórias que inventaram (2 Pe 2.1-3 NVI).

Com pesar, observamos multidões de pessoas atraídas por líderes carismáticos que canalizam para si a atenção e o louvor que deveriam ser direcionados a Jesus, o Senhor da Igreja (Cl 1.18). Esses se apresentam aos imprudentes como autoridades divinas aptas a curar enfermos, expulsar demónios e receber gratificações em nome de Cristo.
Lembremo-nos, irmãos: a Igreja é de Cristo; só a Ele devemos glória!

3.2. As modernas relíquias devocionais
Também não é incomum encontramos irmãos de confissão evangélica que elegeram para si modernas relíquias devocionais, tais como: copos com água ungida; sal grosso abençoado; toalhas ditas santas, dentre outras tantas variantes.

Todos esses elementos não passam de velhos costumes (tomados emprestados do paganismo) revestidos de novas roupagens; e essas miudezas, estritamente humanas, tiram a atenção do Senhor da Igreja. Não nos esqueçamos de que nem água, nem sal, nem tecido, nem outro elemento qualquer é capaz de trazer bênçãos aos homens, senão o Autor da vida, conforme Sua soberana e eterna vontade.
Voltemos, portanto, os olhos para a bandeira reformadora: soli Deo gloria!
CONCLUSÃO
Lutero, Calvino, Zuínglio e tantos outros homens de fé levantaram-se contra a teologia romana por terem compreendido que a Igreja não estava mais vivendo para o Senhor dela, mas para o Clero e para si mesma.

Nos dias atuais, a Igreja Reformada também corre o risco de viver para sua própria glória e em função de suas próprias necessidades, esquecendo-se do único motivo que a faz ser Corpo de Cristo: viver para glória do Pai.

Soli Deo gloriai. Precisamos lembrar-nos sempre disso, não apenas quando estamos diante de imagens e esculturas, mas quando somos apresentados às modernas relíquias devocionais e quando somos tentados a endeusar pessoas.

ATIVIDADE PARA FIXAÇÃO
1. Em que consiste o princípio de soli Deo gloria?
R.: A Escritura é clara ao afirmar que há um só Deus, o Pai, de quem é tudo e para quem nós vivemos (1Co 8.6). Em termos práticos, essa realidade não apenas proíbe (e inviabiliza) a adoração a santos e relíquias — por exemplo —, como também condena a adoração a qualquer representação iconográfica de Yahweh, o Deus de Israel (Êx 20.1-5).


 
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