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O Desafio de Educar Filhos em um Mundo Conturbado

Ser pai, é mais do que gerar. É assumir, criar, inspirar confiança, prover, proteger, disciplinar, abençoar, amar, ensinar o filho no caminho em que deve andar (Pv 22.6; 10.4; 13.1,24; 19.18; 29.17)? Ter filhos representa, acima de tudo, receber uma missão e uma grande oportunidade. Deus me deu três filhos. Eu sei o quanto é desafiador educá-los numa sociedade onde os valores estão completamente invertidos.

Rui Barbosa disse: “De tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver crescer as injustiças, de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar-se da virtude, a rir-se da honra, a ter vergonha de ser honesto”. Essa é a realidade em que estamos vivendo e, por isso, educar filhos neste tempo de acordo com os princípios da Palavra de Deus é o grande desafio dos pais. Portanto, é preciso responder algumas perguntas.

 I - O que pode comprometer o processo de educação dos filhos?

1) Instabilidade no lar

A qualidade do relacionamento do casal determina o sucesso ou o fracasso na convivência de uma família. Quando os pais não se dão bem, os filhos sentem-se ansiosos, culpados, desestabilizados emocionalmente e revoltados. Ficam ansiosos por verem sua segurança ameaçada em função da possibilidade de uma separação dos pais. Se sentem culpados por temerem ser a causa do conflito, e também zangados, porque muitas vezes são deixados de fora, esquecidos e às vezes manipulados para tomarem partido - o que não querem fazer. Lares instáveis geram filhos instáveis.

2)    Falhas dos pais

Alguns pais não maltratam seus filhos fisicamente, porém abusam deles psicologicamente. Isso acontece quando os filhos são rejeitados sutil ou abertamente, criticados excessivamente, punidos sem correspondência com a realidade (ou nunca castigados), disciplinados inconscientemente e/ou recebem pouco amor (caso o recebam). Esses filhos, em geral, apresentam problemas pessoais ou comportamentos negativos que, por sua vez, aborrecem os pais.

VEJAMOS ALGUNS PAIS QUE NENHUM FILHO GOSTARIA DE TER:

a) Pais ausentes - A falta da relação afetivo/corporal entre pais e filhos é o primeiro passo para o estabelecimento de um comportamento agressivo.

b) Pais superprotetores - São aqueles pais extremamente presentes, que superprotegem e inibem a liberdade de expressão dos filhos. Eles podem gerar a ideia de que os filhos são “inatingíveis”, o “centro do mundo”. Este egocentrismo gera quase sempre um comportamento agressivo contra figuras hierarquicamente superiores, pois é difícil seguir ou obedecer a regulamentos.

c) Pais agressivos – Em algum lugar, li um pensamento que dizia:

“Se as cordas do violão forem muito esticadas, elas estouram; mas, se estiverem frouxas, ele não toca”. Existem pais que exigem tanto dos filhos que acabam estourando as cordas. Esses pais acreditam que a única maneira de ajudar o filho a crescer é pressionar e exigir perfeição em tudo. Pais assim criam filhos assustados, que se sentem constantemente vigiados e vivem com medo de ser surpreendidos e criticados.

Pais que usam o bater como única forma pedagógica ou agridem para impor “respeito” podem estar gerando uma repetição ampliada deste comportamento nos filhos. “Aquilo que quero consigo sempre, nem que seja preciso usar da minha força, da agressividade, ou de qualquer forma para que eu consiga me impor. Tudo que é contrário aos meus interesses ou à minha ideologia tem que ser destruído, pois está errado”.


3) Necessidades não satisfeitas

Segundo John Drescher, existem pelo menos sete necessidades básicas para a criança em crescimento e para todos nós, através da vida: Necessidade de significado, segurança (SI 128.3); amor (Gn 22.2); aceitação (Lc 15.20); louvor (Mt 3.17); disciplina (Ef 6.4) e a necessidade de Deus (Dt 6.6-9). Quando essas necessidades não são satisfeitas, o amadurecimento é prejudicado e frequentemente surgem problemas.

4) Negligência espiritual

Salmos 78.1-8 salienta que as crianças devem receber instrução espiritual para que coloquem sua fé em Deus, lembrem da sua fidelidade e não se tomem insubmissas, obstinadas ou rebeldes.

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II - Como os pais podem educar seus filhos com sucesso?

Não existe em qualquer sociedade uma instituição que possa comparar-se à Igreja no seu potencial de influência sobre a infância e o desenvolvimento familiar.

1) Relacionamento antes de regras

Regras sem relacionamento equivalem à rebeldia. Muitas vezes precisamos abandonar as regras e começar a construir um relacionamento. O exercício da paternidade deve ser sempre alicerçado no exercício da amizade. O relacionamento afetivo entre pais e filhos é de extrema importância na formação da personalidade da criança. Ele pode criar marcas altamente positivas, como pode deixar registros negativos, que influenciarão na formação do caráter.

2) Não economize afeto e nem contato corporal

A criança precisa ser “alimentada afetivamente” para depois ter afeto para dar. Nutra a alma dos filhos com muito carinho.

3) O que deve ser evitado

a) Não dê armas de brinquedo, pois a criança pode gostar do suposto poder que a arma traz.

b)  Não superproteja seus filhos. Permita que eles aprendam pelo próprio esforço (nem que eles falhem ou errem). Falhar é bom para aprender a enfrentar desafios,

(d) Não estimule a relação de posse. Incentive as crianças a dividirem seus brinquedos na brincadeira.

d) Não isole seus filhos. Incentive a participação de atividades de grupo, pois facilitará no convívio social da vida adulta.

4) Ser pai é ser modelo

Permita-se admitir estar errado, quando falhar na presença dos filhos. Eles precisam de pais humanos e saber que “errar é humano”. Não se mostre onipotente na presença dos filhos. Eles precisam de pais ao alcance, e não de ídolos distantes.

5) Treinamento espiritual

O lar é a espinha dorsal da sociedade, e os lares cristãos estáveis são construídos conforme a orientação bíblica, no geral transmitidas pelos pais e pela igreja (SI 127).

6) Enriquecimento conjugal

Quando os casamentos são bons e progressivos, isso influencia positivamente os filhos, produzindo estabilidade e segurança no lar. O sonho de qualquer filho é ver seus pais se amando intensamente.

7) Comprometimento com prioridades ordenadas

Filhos devem ser prioridade na vida dos pais. Invista neles com tempo com qualidade, ame-os e creia neles, sinta prazer com eles, espere algo deles, compreenda-lhes, seja-lhes sincero, faça elogios, ministre disciplina com sabedoria, ore com e por eles etc.

Conclusão

Quando os pais não compreendem o sentido da existência dos filhos em suas vidas, podem desperdiçar as dádivas de tê-los como companheiros de viagem. Gosto do que disse Nancy Samalin: “Nossos filhos nos dão a oportunidade de sermos os pais que sempre desejamos ter tido”. Deus abençoe todos os pais e seus filhos!

Artigo: Pr. Josué Gonçalves |Mensageiro da paz, novembro de 2003 | Reverberação: www.subsidiosdominical.com


Estudo Publicado em Subsídios EBD – Site de Auxílios Bíblicos e Teológicos para Professores e Alunos da Escola Dominical.

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