Lição 12: A Nuvem de Glória (Subsídio)

Subsídio bíblico para a Escola Dominical - classe dos Adultos. Subsídio para a Lição: 12 | Revista do 2° trimestre de 2019 | Fonte: E-book Subsídios EBD Vol. 16 | Acesse aqui a continuação.

Introdução
A pós a conclusão do tabernáculo e sua mobília Êxodo 40.34-38, nos apresenta o ápice do término da construção com a frase: Assim Moisés acabou a obra (v.33). Então, a nuvem da glória desceu sobre a tenda da congregação e enchia o tabernáculo. Essa nuvem acompanharia o povo em sua jornada. Sempre que se movia, o povo a seguia; se não se movia, o povo permanecia onde estava (v. 34-38).

I – A NUVEM DA GLÓRIA DE DEUS


A glória do Senhor, que agora estava entre Seu povo em forma de nuvem, também guiava os passos dos israelitas (Êx 13.21,22; Nm 9.15-23).


1. A nuvem da glória, o símbolo da presença visível de Deus
A nuvem (o símbolo da presença visível de Deus) e a glória de Deus encheram o Tabernáculo quando todas as coisas estavam concluídas, ungidas, consagradas e santificadas para os serviços divinos e a Presença Divina (Êx 40. 34). A Bíblia é clara ao afirmar que a coluna de nuvem e a coluna de fogo não eram um fenômeno natural, mas sim o símbolo da presença de Deus e a evidência de sua ação de proteger e conduzir seu povo.

Quase 500 anos mais tarde, Salomão construiu o templo, que substituiu o Tabernáculo como local central de adoração. E Deus também encheu o templo com a sua glória (2 Cr 5.13,14). Mas Israel virou as costas para Deus, que retirou a sua presença, e o templo foi destruído pelos exércitos invasores (2 Rs 25).

Em 515 a.C., o templo foi reconstruído. Cinco séculos mais tarde. a glória de Deus retornou ao templo com maior esplendor quando Jesus Cristo, o Filho de Deus. nele entrou e ensinou. Sendo Jesus crucificado. a glória de Deus novamente deixou o templo. No entanto. Deus não mais precisava de uma construção apôs Jesus ressuscitar dos mortos. O templo do Senhor passou a ser a Igreja, o corpo dos crentes.

2. Proteção no deserto - A Nuvem e a coluna de fogo
A nuvem surgiu, pela primeira vez, quando os Israelitas atravessavam o mar. Depois no Sinai e também quando Moisés fez uma tenda, e ali buscava a Deus; por fim, quando o Tabernáculo foi levantado. A partir de então, a presença de Deus era contínua, de maneira que, quando a nuvem se elevava acima do Tabernáculo, os filhos de Israel reiniciavam a sua Jornada. Os milhões de peregrinos que estavam ao redor do Tabernáculo, nas suas respectivas tribos, entenderam perfeitamente que se tratava de uma manifestação divina.

3. A presença do Senhor: de noite e de dia
Está escrito que “Assim era de contínuo: a nuvem o cobria, e, de noite, havia aparência de fogo” (Nm 9.16). “Deus prometeu prover uma nuvem para guiar os viajantes e para lembrá-los de sua presença contínua.” Interessante que Deus, embora nunca se apresente fisicamente, mas permaneça invisível, sempre deixa sinais de que se conserva junto do povo. Jesus disse que os discípulos não o veriam mais, entretanto assegurou: “[...] eu estou convosco todos os dias [...]” (Mt 28.20). A maravilhosa presença do Senhor traz a sensação de amparo, proteção, segurança. Dessa forma, o Senhor demonstrava a todos que cumpria a promessa de sua presença inafastável.

A nuvem sobre o Tabernáculo é uma das mais poderosas imagens bíblicas a indicar a natureza majestosa de Deus. Os hebreus tinham a perspectiva correta. O poder deles derivava do poder de Deus, não de sua insistência. A caminhada deles dependia do poder de Deus, não da competência gerencial do seu líder. Deus era uma presença viva, não um retrato esmaecido na parede do coração deles.


Ø    Podemos ter ainda a presença de Deus na nossa jornada?
A resposta é sim, mas de modo diferente. Não precisamos lamentar que não haja uma coluna de nuvem ou de fogo sobre nós. Para nos orientar no caminho a seguir, temos a Bíblia Sagrada. Nela encontramos todas as orientações para os nossos passos. Para nos corrigir e aconselhar, temos o Espírito Santo, que habita no nosso coração.
Certamente, alguns dos liderados de Moisés nem sempre prestavam atenção ao fogo ou à nuvem, como nem sempre damos atenção à Palavra e ao Espírito de Deus, mas os recursos continuam à nossa disposição.

SUBSÍDIO HERMENÊUTICO
Shekinah é uma palavra hebraica que significa “habitação” ou “presença de Deus”. Para os teólogos a tradução que mais se aproxima dessa palavra é “a glória de Deus se manifesta”. O verbo Shakhan é usado na Bíblia hebraica (ver Êxodo 40:35: " Moisés não podia entrar na tenda da congregação, porquanto a nuvem permanecia [Shakhan] sobre ela, e a glória do SENHOR enchia o tabernáculo").  Muitos cristãos também consideram que a Shekhinah tenha se manifestado em inúmeros casos no Novo Testamento, como no caso de Jesus no monte da transfiguração (Mc 9.7-11), na sua ascensão (At 1.9-11), mas especialmente no dia de pentecostes, com a descida do espírito santo. [1]



[1] https://pt.wikipedia.org/wiki/Shekhinah

A palavra shekinah tem várias grafias, entre elas, shekiná, shechina e shekina. De acordo com o dicionário Hebraico-Português, o verbo hebraico “shachan” se traduz por habitar ou morar, como também, a palavra "shikan”, se traduz por alojar ou instalar. As duas palavras possuem a mesma raiz da palavra shekinah, que significa “Divina Presença” ou “em quem Jeová habita”.

Muitas vezes Shekinah é representada pela nuvem, como é possível verificar na passagem Êxodo 40:35: “Moisés não pôde entrar na tenda da reunião, porque a nuvem tinha pousado sobre ela e a glória de Javé enchia o santuário”. Muitas vezes é representada pela “Glória Divina que habitava a terra” como no Salmo 85: 8,9: “Vou escutar o que diz Javé: Deus anuncia a paz ao seu povo e seus fiéis, e aos que se convertem de coração. A salvação está próxima dos que o temem, e a glória habitará em nossa terra” (https://www.significados.com.br/shekinah)

No Dicionário Bíblico Vida Nova - Derek Williams, ed. 1 encontramos o vocábulo "Shekinah”, como sendo a manifestação visível da glória de Deus. As sagradas escrituras descrevem a Sua transcendência, a Sua "glória", ou presença visível. A glória pode ser expressada no "rosto" de Deus, ou no Seu "nome" (conf. Ex 33,18-20). A “Shekinah” também tem referência à nuvem que circunda a glória (conf. Ex 40,34), a semelhança de uma nuvem carregada que emitia relâmpagos (conf. Êx 19,9.16)

A presença da “Shekinah”, na Bíblia

- conduzindo o povo para fora do Egito “uma coluna de nuvem e de fogo” (conf. Ex 13,21)
- vingou Moisés contra os murmuradores (conf. Ex 16,10)
- cobriu o Sinai (conf. Ex 24,16)
- Deus habitava na nuvem no meio de Israel no tabernáculo (conf. Rs 40,8-13)
- encheu o tabernáculo (conf. Ex 40,34-35)
- Ezequiel visualizou sua partida por causa do pecado (conf. Ez 10,18)
- judaísmo confessava a ausência dela do segundo templo.
- Cristo subiu na nuvem da glória (conf. At. 1,9)
- A glória divina está presente no templo e na cidade celestial (Ap 15,8; 21,23).
-  foi vista na transfiguração de Jesus (conf. Lc 9,32)
-  será vista quando Jesus voltar à terra (conf. Mc 8,38)
- voltará do mesmo modo (conf. Mc 14,62; Ap. 14,14) [1]


II – O QUE É A GLÓRIA DE DEUS?

A expressão “glória de Deus” tem emprego variado na Bíblia. Vejamos.

1. Esplendor e majestade
Às vezes, descreve o esplendor e majestade de Deus (1 Cr 29.11; Hc 3.3-5), uma glória tão grandiosa que nenhum ser humano pode vê-la e continuar vivo (ver Êx 33.18-23). Quando muito, pode-se ver apenas um “aparecimento da semelhança da glória do Senhor” (a visão que Ezequiel teve do trono de Deus, Ez 1.26-28). Neste sentido, a glória de Deus designa sua singularidade, sua santidade (Is 6.1-3) e sua transcendência (Rm 11.36; Hb 13.21). Pedro emprega a expressão “a magnífica glória” como um nome de Deus (2Pe 1.17).

2. Presença visível
A glória de Deus também se refere à presença visível de Deus entre o seu povo, glória esta que os rabinos de tempos posteriores chamavam de shekinah. Shekinah é uma palavra hebraica que significa “habitação [de Deus]”, empregada para descrever a manifestação visível da presença e glória de Deus. Moisés viu a shekinah de Deus na coluna de nuvem e de fogo (Êx 13.21).

Em Êx 29.43 é chamada “minha glória” (cf. Is 60.2). Ela cobriu o Sinai quando Deus outorgou a Lei (ver Êx 24.16,17), encheu o Tabernáculo (Êx 40.34), guiou Israel no deserto (Êx 40.36-38) e posteriormente encheu o templo de Salomão (2Cr 7.1;1Rs 8.11-13). Mais precisamente, Deus habitava entre os querubins no Lugar Santíssimo do templo (1Sm 4.4; 2 Sm 6.2; Sl 80.1). Ezequiel viu a glória do Senhor levantar-se e afastar-se do templo por causa da idolatria infrene ali (Ez 10.4,18,19).

O equivalente da glória, shekinah, no Novo Testamento é Jesus Cristo que, como a glória de Deus em carne humana, veio habitar entre nós (Jo 1.14). Os pastores de Belém viram a glória do Senhor no nascimento de Cristo (Lc 2.9), os discípulos a viram na transfiguração de Cristo (Mt 17.2; 2Pe 1.16-18), e Estêvão a viu na ocasião do seu martírio (At 7.55).

3. Presença e poder espirituais
Um terceiro aspecto da glória de Deus é sua presença e poder espirituais. Os céus declaram a glória de Deus (Sl 19.1; Rm 1.19,20) e toda a terra está cheia de sua glória (Is 6.3; Hc 2.14), todavia o esplendor da majestade divina não é comumente visível, nem notado. Por outro lado, o crente participa da glória e da presença de Deus em sua comunhão, seu amor, justiça e manifestações, mediante o poder do Espírito Santo (ver 2 Co 3.18; Ef 3.16-19 nota; 1 Pe 4.14).

4. Como a glória de Deus relaciona-se ao crente pessoalmente?
Ø    Concernente à glória celestial e majestosa de Deus, é bem verdade que ninguém pode contemplar essa glória e sobreviver. Sabemos que ela existe, mas não a vemos. Deus habita em luz e glória inacessíveis, que nenhum ser humano pode vê-lo face a face (1 Tm 6.16).

Ø    A glória de Deus, no entanto, era conhecida do seu povo nos tempos bíblicos. No decurso da história, até o presente, sabe-se de crentes que tiveram visões de Deus, semelhantes às de Isaías (Is 6) e Ezequiel (Ez 1), embora isso não fosse comum naqueles tempos, nem agora. A experiência da glória de Deus, no entanto, é algo que todos os crentes terão na consumação da salvação, quando virmos a Jesus face a face. Seremos levados à presença gloriosa de Deus (Hb 2.10; 1Pe 5.10; Jd 24), compartilharemos da glória de Cristo (Rm 8.17,18) e receberemos uma coroa de glória (1Pe 5.4). Até mesmo o nosso corpo ressurreto terá a glória do Cristo ressuscitado (1Co 15.42,43; Fp 3.21).

Ø    De um modo mais direto, o crente sincero experimenta a presença espiritual de Deus. O Espírito Santo nos aproxima da presença de Deus e do Senhor Jesus (2Co 3.17; 1Pe 4.14). Quando o Espírito opera poderosamente na igreja, através das suas manifestações sobrenaturais (1Co 12.1-12), o crente experimenta a glória de Deus no seu meio, i.e., um sentimento da majestosa presença de Deus, semelhante ao que sentiram os pastores nos campos de Belém quando nasceu o Salvador (Lc 2.8-20).
 

III - SÍNTESE DA NUVEM DE GLÓRIA
Ø    CHAMADA:
·                   A nuvem (Ex 34.5).
·                   Coluna de nuvem e pilar de fogo (Êx 13.22).
·                   Coluna de nuvem (Êx 33.9-10).
·                   Nuvem do Senhor (Nm 10.34).
·                   A presença de Deus (Êx 33.14-15).
·                   A glória de Deus se manifestava nela (Ex 16.10; 40.35).
·                   Deus desceu nela (Ex 34.5; Nm 11.25).
·                   Deus falou dela (Êx 24.16; S1 99.7).

Ø    ERA DESIGNADA PARA:
ü    Dirigir os movimentos de Israel (Êx 40.36-37; Nm 9.17-25).
ü    Guiar Israel (Êx 13.21; Ne 9.19).
ü    Iluminar Israel (S1 78.14; 105.39).
ü    Defender Israel (Êx 14.19; S1 105.39).
ü    Cobrir o tabernáculo (Êx 40.34; Nm 9.15).
ü    Era escura para os inimigos de Israel (Êx 14.20).
ü    Era o shekinah sobre o propiciatório (Lv 16.2).
A glória, “shekinah”, que estava no tabernáculo apontava para Cristo, a habitação corpórea da glória de Deus (Cl 2.9).
ü    Continuou durante as jornadas de Israel (Êx 13.22; 40.38).
ü    Manifestou-se no templo de Salomão (1Rs 8.10-11; 2Cr 5.13; Ez 10.4).

Ø    APARIÇÕES ESPECIAIS:
·                   Na murmuração por pão (Êx 16.10).
·                   Na entrega da lei (Ex 19.9,16; 24.16-18).
·                   Na sedição de Arão e Míriã (Nm 12.5).
·                   Na murmuração de Israel sobre o relatório dos espias (Nm 14.10).
·                   Na rebelião de Coré, etc. (Nm 16.19).
·                   Na murmuração de Israel por causa da morte de Coré (Nm 16.42).
·                   Na transfiguração de Cristo (Mt 17.5).
·                   Na ascensão de Cristo (At 1.9).
·                   Na segunda vinda, Cristo aparecerá nela (Lc 21.27; At 1.11).

Ø    ILUSTRA:
ü    A glória de Jesus (Ap 10.1).
ü    A proteção da igreja (Is 4.5).

Conclusão
E maravilhoso perceber que o livro de Êxodo termina com a imagem do gracioso Deus dando proteção e orientação a Seu povo, por meio da nuvem e do fogo. Os cristãos de hoje enfatizam a presença do Espírito Santo em sua vida (At 2). Entretanto, Deus também estava presente na vida das pessoas antes de Jesus vir ao mundo. Um israelita fiel e seguidor de Deus podia ver o tabernáculo e perceber que o Senhor estava lá em esplendor e poder. E com Ele, as pessoas seguiram rumo a Canaã, a Terra Prometida.

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