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Obs. Subsídio para a classe de Jovens. Lição 2 – 1° trimestre de 2019.
Como preparação para a travessia do deserto, Deus levantou líderes para o povo: no primeiro escalão estavam Moisés e Arão (Nm 1.1,3) e, em um segundo nível hierárquico, um homem de cada tribo de Israel (Nm 1.4). O Senhor mencionou-os nominalmente (Nm 1.5-15), declarando, ademais, que eles seriam “príncipes das tribos de seus pais” (Nm 1.16). O Senhor também mandou contar o povo, a fim de mostrar-lhes a força belicosa da nação, e estabeleceu regras que trouxessem unidade nacional, justiça, fraternidade, como corolários de sua santidade. Eles tinham potencial para conquistar o território de Canaã e tornarem-se o país mais rico e poderoso da Terra.

I - Criando a Ordem Social


1. Censo para a Guerra

Conhecer a sua própria capacidade é requisito essencial para saber até onde se pode ir, e o que é possível conquistar. Nesse cenário, o livro de Números começa com o Senhor determinando a contagem dos israelitas aptos para a guerra (expressão repetida quinze vezes em Nm 1). Deus estava sendo franco: a jornada não será fácil! Haverá guerras pela frente, não com os egípcios, mas outros inimigos se levantarão para destruir o povo (aliás, os israelitas já sabiam disso, pois tinham lutado e vencido uma batalha contra os amalequitas (Êx 17.8-16). Essa circunstância foi mencionada pelo historiadorjudeu Flávio Josefo, verbis:
 
Moisés, tendo assim provido o que se referia ao culto a Deus e ao governo do povo, voltou a sua atenção para o que concernia à guerra, pois estava prevendo que a nação teria grandes lutas a sustentar, e começou por ordenar aos príncipes e aos chefes de tribos, exceto à de Levi, que fizessem um recenseamento exato de todos os que estavam em condições de pegar em armas [...] Feito o recenseamento, constataram que 603.650 eram aptos.

Interessante que, mesmo com a promessa de Deus — “[...] a tua semente possuirá a porta dos seus inimigos” (Gn 22.17) —, Israel precisava conhecer sua força militar e preparar-se para o futuro. Se ficassem inertes, o território de Canaã não seria conquistado, afinal “o cavalo prepara-se para o dia da batalha” (Pv 21.31). Eles precisavam lançar fora o medo, pela fé, e fazer um grande esforço, como posteriormente Deus falou de modo explícito a Josué (Js 1.9). Definitivamente, a vida dos servos de Deus nunca foi, nem nunca será, uma “mar de rosas”.

2. Censo sem Discriminação

Fato extremamente curioso sobre o primeiro censo realizado por Moisés, diz respeito à iniciativa pela contagem do povo: a ideia foi de Deus (Nm 1.1) Por óbvio, O Senhor sabia precisamente quantos homens aptos para a guerra existiam em Israel, mas, ao que tudo indica, o Todo-Poderoso anelava que os homens se credenciassem, que assumissem a posição de guerreiros, afinal não eram mais escravos. Os que se sentissem aptos para o alistamento seriam agregados ao exército de Israel. Deus usaria a todos que se dispusessem a lutar.

A Bíblia diz que Deus não faz acepção de pessoas (At 10.34). Ele usa a todos quantos se colocarem debaixo da sua autoridade para servi-lo, portal razão o censo não foi feito levando em consideração a posição econômica, intelectualidade, força física, beleza, ou outros requisitos subjetivos, mas, de todas as famílias, aqueles que tivessem “da idade de vinte anos para cima, todos os capazes de sair à guerra em Israel” (Nm 1.3, ARA). Ninguém apto seria desprezado (2 Cr 19.7; Jó 34.19; At 10.34), demonstrando o princípio segundo o qual toda pessoa “nascida de novo” é um instrumento de Deus, pois, certamente, recebeu algum talento do Senhor (Mt 25.14-30).

3. Senso Organizacional


Refletindo o caráter de um Deus que ama o que é belo e, em tudo, é organizado, a Bíblia recomenda que os cristãos realizem as coisas com ordem e decência (1 Co 14.40). Basta apenas olhar a natureza ao redor, e constatar-se-á claramente como o Senhor gosta das coisas em ordem. Aliás, no princípio, existindo o caos, depois da ação do Espírito Santo, tudo passou a ser sumamente organizado.

Após fazer o censo dos guerreiros, o Senhor determinou como as tribos deveriam ser distribuídas no acampamento: a Norte, Sul, Leste e Oeste do Tabernáculo, quer quando estivessem arranchados, quer em marcha (Nm 2.1-32). Apresenta-se impressionante como Deus, em todos os momentos em que tratou com o seu povo, ou mostrou como é o céu (SI 24.7-10; Is 6.1-3; Ez 1.26-28; Ap 4.3-11; 5.8-14; 21.10-23; 22.1,2), evidenciou ser extremamente detalhista e organizado. O improviso não faz parte do Reino de Deus, pois, na verdade, a ordem é a primeira lei do céu.

Flávio Josefo, a esse respeito, arremata:

O tabernáculo foi colocado no meio do acampamento, e três tribos postaram-se de cada lado, com grandes espaços entre elas. Escolheram um grande lugar para instalar o mercado, onde seria vendida toda espécie de mercadoria. Os negociantes e os artífices foram estabelecidos em suas tendas e oficinas com tal ordem que parecia uma cidade. Os sacerdotes e depois deles os levitas ocupavam os lugares mais próximos do tabernáculo.

Deus estava lhes comunicando que havia um padrão a ser seguido, e que eles deveriam entender que todas essas coisas faziam sentido e eram importantes! E não somente isso: o nome de cada pessoa era importante para Deus (Nm 1.18 diz que eles foram “contados nominalmente”!). O Senhor tem um cuidado especial pelo seu povo e por sua obra, nada acontecendo por acaso ou coincidência. Deus sempre tem o controle de tudo e nenhum dos seus propósitos pode ser impedido (Jó 42.2). Deus sempre tem um plano, e Ele nunca erra. As surpresas são apenas para os homens, que não conhecem a mente do Senhor. Ele, porém, já conhece o fim, desde o começo (Is 46.10).

II - Cuidando da Vida Espiritual


2. Vida Espiritual no Centro

Deus sempre transmite mensagens “cifradas” para os homens, como a que está em Salmos 19.1, ARA: “Os céus proclamam a glória de Deus [...]”. Ou seja, ao criar os céus, o Senhor estava também deixando pregação para a humanidade! O próprio Jesus habitualmente ensinava utilizando as histórias do cotidiano como pontes para verdades espirituais, de valor inestimável.

Isso também aconteceu em Números 2.17, quando o Senhor determinou que a “tenda da congregação” ficasse localizada no meio do acampamento. Ainda que o arraial estivesse em deslocamento, o Tabernáculo permanecia no centro, e as quatro unidades de três tribos avançavam em ordem específica, de modo que houvesse a maior eficiência na marcha e não se desfizesse a formação. O Senhor estava mostrando ao povo que a vida espiritual constituía-se no bem mais precioso daquela jornada, por isso deveria estar no centro.

Estratégia, planejamento operacional, coragem, força e capacidade intelectual são importantes, mas o segredo da prosperidade para o crente — está em entregar a Deus a primazia em sua vida (Mt 6.33).

3. Vivendo para Servir

Quando os filhos de Israel saíram do Egito, não tinham regras a seguir, mas agora o Senhor os ensinava sobre um novo padrão doutrinário e cultural que deveriam adotar. Eles precisavam de uma nova visão. Era o início, o nascedouro, da cosmovisão judaico-cristã.

Inequivocamente, aquilo que está diante dos olhos, somente ao alcance do entendimento apreendido culturalmente, não é, em regra, aquilo que Deus tem para cada um do seu povo. O Senhor sempre move seus filhos para aquilo que podemos ser e não deseja que fiquemos arraigados aos traumas existenciais do passado. O grande problema aparece quando a pessoa anela permanecer com a vista turva. É preciso, pois, buscar enxergar aquilo que é real para a eternidade, percebendo através do discernimento espiritual — isso é ter visão —, e não por intermédio dos olhos físicos — isso significa apenas decifrar imagens transitórias, ter vista. A Bíblia ensina, porém, a não viver por vista, mas por fé, ou seja, pela visão espiritual que é dada pelo Senhor.

Deus já havia escolhido Moisés, colocando-o em posição estratégica, porque, acima de tudo, ele não andava por vista, mas por fé (2 Co 5.7). Ele tinha a visão do plano de Deus, pois estava convicto de que a melhor coisa a fazer naquele momento era seguir, com o povo, para a Terra Prometida. (A liderança serve para isso: fazer com que as pessoas se movam juntas.) Deus estava criando uma nova mentalidade em uma geração de ex-escravos, com o objetivo de formar uma nação de adoradores.

De igual sorte, visando construir uma equipe ministerial forte, Jesus passou três anos e meio de seu ministério treinando, preparando, seus discípulos. O investimento para que aconteça mudança de cosmovisão nas pessoas é alto e, frequentemente, o resultado demora um pouco para aparecer... Deus, porém, não é apressado. Ele sabe esperar, com paciência, as mudanças fundamentais e as periféricas.

O Senhor estava, com longanimidade, diante desse propósito, trabalhando para que a cultura egípcia saísse do inconsciente coletivo dos hebreus. A postura corporal de um escravo, quando está amassando o barro com os pés para fazer tijolos, faz com que ele, inexoravelmente, olhe para baixo, para ver o resultado do seu esforço — isso era um retrato do que a classe dominante do Egito fez com os hebreus. Agora, porém, Deus estava mudando o quadro, e aquela multidão deveria olhar para cima, porque de lá viriam todas as suas vitórias; para o horizonte, haja vista que o futuro prometido pelo Todo-Poderoso era brilhante e real; mas, igualmente, os hebreus deveriam olhar para os lados, onde estavam seus irmãos, os quais necessitavam de afeto e ajuda.

Por causa disso tudo, o Senhor estabeleceu muitas (e detalhadas) regras para que, por elas, o povo desenvolvesse uma vida plena de devoção, santidade, visão e serviço. Não é por acaso que, entre os capítulos 3 e 9 de Números, o Espírito Santo ensinou inúmeras condutas que envolviam tanto a celebração cultuai como o dia a dia do povo — Deus estava deixando muito claro sobre a necessidade de os hebreus viverem no centro da sua vontade.

Fonte: Rumo à Terra Prometida: A peregrinação do povo de Deus no Deserto no Livro de Números. Autor: Reynaldo Odilo. Editora CPAD
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