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Lição 5 - A Contemporaneidade dos Dons Espirituais

No último século, a história cristã registrou em diversas igrejas a ocorrência de manifestações espirituais semelhantes às relatadas por Lucas e pelo apóstolo Paulo em Atos e em 1 Coríntios 12 respectivamente. Muitos cristãos foram usados por dotações do Espírito Santo, os dons espirituais, e milhares de igrejas experimentaram um mover de Deus sem precedentes.

I - Cessacionismo e Continuísmo
Veja também:
1) A contemporaneidade dos dons EspirituaisClique Aqui
2) Os dons Espirituais são para os nossos dias? – Clique Aqui

1. O que É o Cessacionismo

Cessacionismo é, em poucas palavras, a teoria que acredita que os dons espirituais, como relatados no Novo Testamento, só foram correntes até certa época da História da Igreja. Essa época em que os dons teriam cessado situa-se, para alguns, no momento da morte do último apóstolo, João, no fim do 1° século. Outros colocam o quarto século de nossa era como a data do fim da validade dos dons espirituais. Essa teoria é predominantemente divulgada por cristãos que aderem à denominada linha “reformada” de interpretação da Bíblia. Entre as alegações para o cessacionismo, está a convicção de que milagres e sinais foram usados por Deus para reiterar a mensagem do evangelho, e, uma vez que o cânon sagrado foi completado, os dons não teriam mais razão para existir. Se o cânon já foi completado, não há mais espaço para novas revelações na igreja. E dito ainda que todos os cristãos possuem o dom do Espírito e que a história mostra que os dons cessaram. O cessacionismo ainda ensina que Deus limitou a si mesmo em épocas específicas da Bíblia para a prática de milagres.

2. O que É o Continuísmo

Continuísmo é a corrente teológica adotada por pentecostais, que creem que os dons espirituais, como mencionados por Paulo em 1 Coríntios, são correntes em nossos dias. Pentecostais não consideram uma palavra profética trazida por meio do dom de profecia uma palavra equivalente a uma nova revelação escriturística, pois sabem que qualquer manifestação espiritual precisa ser avaliada à luz da Palavra de Deus. Reconhecemos o ministério pastoral, o dos presbíteros e o dos diáconos, mas entendemos que o Senhor continua a edificar a Igreja por meio dos dons espirituais. Todos os que nasceram de novo foram selados por Deus; esse selo, porém, não é o batismo no Espírito Santo, pois este se trata de um revestimento de poder para testemunhar de Jesus. No tocante à ausência de registros históricos de manifestação de dons, entendemos que é necessário ter um respaldo muito sólido para tal opinião, sendo necessário uma pesquisa que cubra os 2 mil anos de História do Cristianismo para depois se chegar a essa conclusão. Na verdade, a própria história registra muitos casos de curas, milagres e manifestações sobrenaturais de Deus antes de o movimento pentecostal ser organizado.

3. O que a Bíblia Diz

Para que possamos finalizar este assunto, devemos recorrer à Bíblia, autoridade máxima aceita por todo crente comprometido com a verdade. Enquanto vários pensadores cristãos que são avessos à contemporaneidade dos dons ensinam que estes deixaram de existir quando o último apóstolo morreu, a própria Bíblia jamais disse que os dons tinham uma “data de validade”, ou seja, que deixariam de existir a partir de uma determinada data.

Teólogos que criticam o continuísmo valem-se da ideia de que alguns dos pais da Igreja não viam, em seus dias, as manifestações espirituais conforme relatadas no Novo Testamento; por isso, esses pais da Igreja entenderam que os dons cessaram por não serem mais necessários para os seus dias. O fato de os chamados pais da Igreja não mencionarem as manifestações dos dons ao longo da história não se comprova um argumento idôneo para questionar o continuísmo.

Um estudo honesto e profundo na História da Igreja mostra que houve, sim, várias ocorrências de manifestações ao longo da história. Além disso, a ideia de que os dons cessaram porque não houve mais necessidade de que existissem não é um argumento bíblico, e sim uma opinião humana. Paulo alega que, “[...] havendo profecias, serão aniquiladas; havendo línguas, cessarão; havendo ciência, desaparecerá [...]. Mas, quando vier o que é perfeito, então, o que o é em parte será aniquilado” (1 Co 13.8-10). Com base nesse texto, os defensores do cessacionismo argumentam que as línguas cessaram, mas não dizem que as profecias e a ciência também cessaram; ou seja, eles escolhem o que lhes é mais conveniente para desacreditar. Essa mesma teoria vai de encontro a si mesma, pois, se não podemos aceitar novas revelações (a não ser as já descritas nas Sagradas Escrituras), então a ideia de que os dons cessaram é uma nova revelação e, portanto, incabível e incompatível com as Escrituras.

O ensino de Paulo aos coríntios não proíbe a manifestação das línguas, mas orienta os coríntios sob a forma correta dessa manifestação.

Se percebermos o texto de Paulo, veremos que ele pede que os dons sejam manifestos com ordem no culto e sem atrapalhar a liturgia da congregação (1 Co 14-40). A utilização das línguas deve respeitar o santuário, como também a profecia. Na prática, o apóstolo corrige não os dons, mas sua utilização desestruturada no culto. E ele mesmo deixa claro: “Portanto, irmãos, procurai, com zelo, profetizar e não proibais falar línguas” (v. 39). Essa é a orientação de Deus para a Igreja em nossos dias. Podemos, sim, praticar os dons espirituais se os recebermos. Paulo não proibiu os dons espirituais, apenas ensinou à igreja a tratá-los de forma correta. E essa é a Palavra do Senhor, não sendo, portanto, passível de ser contradita.

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Fonte: O Vento sopra onde Quer. O Ensinamento bíblico do Espírito Santo e sua Operação na Vida da Igreja. Autor: Alexandre Coelho. Editora CPAD