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Lição 5 - Cristo é Superior a Arão e à Ordem Levítica

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Introdução
Na Epístola aos Hebreus, Cristo é chamado por vários apelativos[1] no que diz respeito à ordem sacerdotal. Isso demonstra sua superioridade em termos comparativos aos filhos de Arão, ou até mesmo a um outro sacerdote de uma ordem ou casta sacerdotal qualquer, terrena ou celestial. Cristo é, portanto:
ü Um sumo sacerdote (4.15; 5.6,10; 6.20);
ü Um fiel sumo sacerdote (2.17);
ü Sumo sacerdote da nossa confissão (3.1);
ü Grande sumo sacerdote (4.14; 10.21);
ü Um outro sacerdote [quer dizer, especial: como nem mesmo Arão ou Melquisedeque o foram], mas o próprio Filho de Deus (7.11,28);
ü Sacerdote eterno (7.17,22);
ü Sumo sacerdote, santo, inocente, imaculado (7.26);
ü Sumo sacerdote tal — além de qualquer possibilidade que a mente humana possa compreender (8.1);
ü Sumo sacerdote dos bens futuros (9.11).
Jesus Cristo é superior a Arão, não somente por sua infalibilidade e perfeição, mas porque cumpriu o plano divino da redenção de toda a humanidade.

I. ASPECTOS DO MINISTÉRIO SACERDOTAL DE CRISTO
 
Há dois aspectos do ministério sacerdotal de Cristo: o divino e o humano, o propiciatório e o pastoral.

1. O propiciatório (Hb 2.17c).
Uma das tarefas principais do sumo sacerdote é propiciar o santo Deus ao lidar honesta e adequadamente com o problema do pecado. Nenhuma adoração que ignora o pecado é aceitável. A mancha da alta traição deve ser removida antes que a comunhão e a fraternidade possam ser estabelecidas entre o Soberano e seus subordinados.

Este é o ofício do Mediador — representar Deus diante do traidor que está voltando e o traidor diante de Deus, e executar as condições de perdão especificadas pelo Soberano. Este certamente era um conceito familiar para os Hebreus, embora continue sendo um conceito de difícil compreensão para as mentes ocidentais. Este Mediador entre Deus e o homem é Jesus. Seu primeiro ofício como um Sacerdote misericordioso e fiel é expiar os pecados do povo.

a) O significado.
A palavra expiar (“reconciliação” na KJV), hilaskesthai, neste caso significa satisfazer pessoalmente as exigências justas em favor de outra pessoa. Deus é propiciado (satisfeito) por esta expiação; portanto uma reconciliação pode estar baseada nela. Não é uma expiação das pessoas mas dos pecados das pessoas. E, portanto, uma anulação ou perdão dos pecados, e os pecadores são consequentemente libertos da culpa e da condenação. Esta é uma referência clara à função justificadora do sacerdote e não ao ministério de santificação. O povo forma o grupo de adoradores, não os descrentes ou os impenitentes; pecados são todas as violações, conhecidas ou desconhecidas.

2. O pastoral (2.18).

A conjunção coordenativa Porque (gar) volta ao aspecto da semelhança do nosso Senhor com os seus irmãos (v. 17). Pois Ele não é apenas apto como Sumo Sacerdote para expiar pecados, mas para socorrer aos que são tentados, pois Ele mesmo padeceu, sendo tentado.

O autor continua vindicando o plano divino que requer um Messias sofredor. Jesus sofreu, como homem, todas as vicissitudes da vida. Ele não só sofreu a terrível experiência da morte, mas também a luta de um ser moral. Ele enfrentou a tentação e suas lutas ferozes bem como os contratempos da vida e a dor da morte. Ele lutou na arena moral da humanidade. E suas batalhas não foram falsas. Ele não estava lutando com um pugilista contratado para treinar. Sendo tentado, padeceu. E isto fazia parte do seu aperfeiçoamento como Príncipe e Sacerdote — porque como poderia um Sacerdote realmente compartilhar dos sentimentos do seres humanos se não tivesse passado pelas mesmas coisas que eles passaram? Mas visto que entende por ter passado pela experiência, Ele pode socorrer — isto é, ajudar aqueles que clamam por socorro (13.6; também Mt 15.25; Mc 9.22, 24; At 16.9; 21.28; 2 Co 6.2; Ap 12.16).
DIFERENÇAS ENTRE CRISTO E ARÃO

O sacerdócio de curta duração de Arão e seus filhos tornou-se inútil com a chegada de Cristo como o perfeito intermediário e intercessor, assim como o perfeito sacrifício para seu povo e os pecados que possuíam.

1. Jesus, sacerdote perfeito.
A Lei previa a possibilidade de erro ou pecado por parte dos sacerdotes (v.3; Lv 4.3). O próprio sumo sacerdote Arão tinha a orientação de Deus para oferecer sacrifícios não só pelo povo (Lv 16.15ss.), mas por si próprio (Lv 16.11-14). Enquanto o sumo sacerdote do Antigo Testamento estava sujeito a pecar, Jesus nunca pecou. Ele é perfeito. Satisfez todas as condições para o perfeito sacerdócio. Foi ungido como Rei, como Filho (Sl 2.6,7); e Sacerdote Eterno (Sl 110.4); foi enviado por Deus (Jo 5.30); veio em nome do Pai (Jo 5.43). Jesus não se glorificou a si mesmo para fazer-se sumo sacerdote (v.6). Diante de todas essas qualificações, o Mestre nunca ofereceu sacrifícios por si próprio. Ele deu-se a si mesmo por nossos pecados (Gl 1.4).

2. Sacerdote eterno (Hb 5.6).
O escritor aos hebreus faz referência a dois textos bíblicos no livro de Salmos para demonstrar o caráter especial do sacerdócio de Cristo: um sacerdócio que não tem fim: “Tu és meu filho; hoje te gerei” (Sl 2.7); e “Tu és um sacerdote eterno, segundo a ordem de Melquisedeque” (Sl 110.4).

3. Sumo Sacerdote do sacrifício único e eficaz.
Cristo ofereceu um único sacrifício, mas foi um sacrifício muitíssimo melhor do que a soma total de todos os milhares e milhares de sacrifícios levíticos, pois todos eles tão somente simbolizavam o sacrifício de Cristo. O sacrifício de Cristo foi eficaz - eliminou o pecado; foi o sacrifício da sua própria pessoa. Ver Hb 7.27.
A SUPERIORIDADE DE JESUS EM RELAÇÃO A ARÃO
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O ministério sacerdotal de Cristo é superior ao ministério de Arão e de seus sucessores.
1. Jesus Cristo tem um título superior (Hb 4.14-16).
"Tendo, pois, a Jesus, o Filho de Deus, como grande sumo sacerdote" (Hb 4.14, ênfase minha). Arão era sumo sacerdote, mas Jesus Cristo é o grande Sumo Sacerdote. Nenhum sacerdote do Antigo Testamento teria usado esse título.

Lembremo-nos que, Jesus Cristo é tanto Deus quanto homem. Ele é "Jesus, o Filho de Deus". O nome Jesus significa "Salvador" e o identifica com sua humanidade e com seu ministério na Terra. A designação "Filho de Deus" afirma sua divindade e o fato de que ele é Deus. Em sua Pessoa singular, Jesus Cristo une divindade e humanidade, de modo que pode aproximar as pessoas de Deus e lhes dar tudo o que Deus tem para elas.

Não apenas a Pessoa de Jesus Cristo é grande, mas também sua posição. Arão e seus sucessores ministravam no tabernáculo e nos recintos do templo e entravam uma vez por ano no Santo dos Santos. Mas Jesus Cristo "penetrou os céus" (Hb 4.14). Quando subiu para junto do Pai, Jesus passou pelo céu atmosférico e planetário e foi para o terceiro céu, onde Deus habita (2 Co 12.2). É muito melhor ter um Sumo Sacerdote que ministra em um tabernáculo celestial do que um sumo sacerdote que ministra em um tabernáculo terreno!

Além de Jesus estar no céu, ele está entronizado. Seu trono é o "trono da graça" (Hb 4.16). O propiciatório da arca da aliança era o trono de Deus em Israel (Êx 25.17-22), mas não poderia ser chamado de "trono da graça". A graça não se oculta do povo. A graça não se esconde em uma tenda.

Além disso, pessoas comuns não tinham permissão de entrar nos recintos sagrados do tabernáculo e do templo, e os sacerdotes poderiam chegar somente até o véu. Apenas o sumo sacerdote passava o véu, e isso só no Dia da Expiação (Lv 16). Mas todo aquele que crê em Cristo é convidado, e até mesmo incentivado, a "[achegar-se], portanto, confiadamente, junto ao trono da graça"! É um grande trono, pois nosso grande Sumo Sacerdote ministra nele.

Uma vez que cremos em Jesus Cristo, podemos correr para nosso Sumo Sacerdote a qualquer momento, em qualquer circunstância e encontrar o socorro de que precisamos.

2. Jesus Cristo tem uma ordenação superior (Hb 5.1, 4-6).

Nenhum homem tinha poder para nomear- se sacerdote, muito menos sumo sacerdote. O rei Saul tentou desempenhar funções sacerdotais e perdeu o reino (1 Sm 13). Coré e seus companheiros rebeldes tentaram ordenar-se sacerdotes e foram julgados por Deus (Nm 16). Quando o rei Uzias tentou entrar no templo para queimar incenso, Deus o feriu com lepra (2 Cr 26.16-21).

Jesus Cristo não nomeou a si mesmo Sumo Sacerdote. Foi nomeado por Deus Pai. A citação em Hebreus 5:5 é do Salmo 2:7. Esse salmo é citado em Hebreus 1.5 para provar que Jesus Cristo é o Filho de Deus. Mas a ênfase em Hebreus 5.5 é sobre o sacerdócio de Jesus Cristo, não sobre sua divindade. Qual é, portanto, a relevância dessa citação para a discussão?

A resposta a essa pergunta encontra-se em Atos 13.33, 34, em que o apóstolo Paulo cita o Salmo 2.7 e explica o que ele significa.

As palavras "hoje, te gerei" não se referem ao nascimento de Cristo em Belém, mas a sua ressurreição dentre os mortos. Em sua ressurreição, o Filho de Deus foi "gerado" para uma nova vida gloriosa! Subiu ao céu em um corpo glorificado, a fim de se tornar nosso Sumo Sacerdote no trono da graça. Quando Arão foi ordenado para o sacerdócio, ofereceu sacrifícios de animais. Mas quando Jesus Cristo tornou-se nosso Sumo Sacerdote, ofereceu a si mesmo como sacrifício - e, depois, ressuscitou dentre os mortos!

3. Cristo, um Sacerdote eterno.

O Salmos 110.4 declara: “Tu és sacerdote eternamente” (5.6). “Eternamente” é outra característica da superioridade de Cristo. Arão e todos os seus sucessores sacerdotais tiveram seu tempo e então saíram de cena. Cristo, como Sacerdote, permanece para sempre e não tem necessidade de um sucessor. Assim como Melquisedeque (Gn 14.18), que foi rei e sacerdote e não há registro de que tenha tido um sucessor, Jesus é um sacerdote à sua semelhança.

a) Problema de Interpretação.
Assim está escrito em Hebreus 5.6 (também em 5.10): “[...] Tu és sacerdote eternamente, Segundo a ordem de Melquisedeque”.

A frase “segundo a ordem de Melquisedeque”, aparece nas versões bíblicas de João Ferreira de Almeida, na Nova Tradução Linguagem de Hoje e até na Nova Versão Internacional (NVI). Entretanto, o Comentário Bíblico Pentecostal – CPAD, registra o seguinte: “A tradução de “a ordem de Melquisedeque” (Hb 5.6) é enganosa porque “não existiu nenhuma sucessão de sacerdotes de Melquisedeque, e, deste modo, não pode ter existido nenhuma ‘ordem’.

Observamos o que termo grego que foi traduzido por “ordem’ é “taksis”. Este original grego significa posição, hierarquia, caráter, qualidade. No caso do sacerdócio de Cristo em relação ao Melquisedeque, uma vez que não existiu nenhuma sucessão de sacerdotes de Melquisedeque, a frase ficaria assim: “Qualidade de Melquisedeque” (Hb 5.6,10). Em outras palavras Jesus foi um sumo sacerdote como Melquisedeque.
 
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O que significa ser sumo sacerdote como Melquisedeque?
Significa que Jesus foi Rei e Sumo Sacerdote ao mesmo tempo. Melquisedeque é mencionado em apenas duas passagens de todo o Antigo Testamento: Gênesis 14.18-24 e Salmos 110.4. Seu nome significa "Rei de Justiça", e ele também era "Rei de Salém [paz]". Mas a coisa mais fascinante a respeito de Melquisedeque é sua identidade como rei e sumo sacerdote! Somente em Jesus Cristo e em Melquisedeque, uma figura anterior à Lei, é que esses dois cargos são unidos em uma só pessoa. Jesus Cristo é o Sumo Sacerdote entronizado. Uma aplicação mais completa do Salmos 110.4 e do tipo de sacerdócio de Melquisedeque comparado a Jesus ocorre em Hebreus 7.
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[1] Diz-se do nome comum aos indivíduos de uma espécie ou classe.