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Como tornar a Escola Dominical mais atrativa para os jovens?
A reflexão bíblica, profunda, clara e conectada com a realidade em que os jovens estão inseridos é uma preocupação que líderes e professores de jovens têm se ocupado em pensar, visto que o ensino é parte importante no ministério com jovens e tem sido um dos maiores desafios.


Um dos aspectos que chama a atenção é a dificuldade que muitos de nossos jovens encontram para entender a Bíblia e tornar sua linguagem aplicável ao cotidiano. Isso se deve principalmente pela pouca familiaridade com a linguagem da Bíblia, pelo reduzido hábito de leitura de textos considerados antigos, e pelas influências da era digital e virtual onde as cores, o movimento e a facilidade de obter o conhecimento implica na pouca disponibilidade para ler coisas aparentemente difíceis e que demandam muita concentração.

Estas questões têm relação direta com o ensino da Bíblia na igreja, em particular na Escola Dominical. Por isso, torna-se relevante fazer a seguinte indagação: como tornar a Escola Dominical um espaço atraente e dinâmico para os jovens poderem ter uma familiaridade com a Bíblia e entender sua mensagem para os dias atuais?

Este é um desafio que exige uma reflexão mais profunda e não se esgota em meras respostas prontas. No entanto, é possível, a partir da própria Bíblia e do diálogo cultural, estabelecer alguns caminhos que podem auxiliar na reflexão desta problemática. Assim, trataremos de três questões principais que viabilizam uma Escola Dominical propositiva para os jovens:
1. O bom conhecimento bíblico dos líderes e professores de jovens;
2. A criatividade;
3. A construção de uma boa relação pedagógica;

O conhecimento bíblico dos líderes e professores de Jovens
No Novo Testamento os evangelhos apresentam o ensino como um dos pilares do ministério de Jesus e dos apóstolos. Ele ensina muito mais do que pregava. O crescimento da igreja estava associado à divulgação da Boa Nova do Reino e ao anúncio dos ensinos de Jesus, estes reatualizavam a Lei e os Profetas e associavam a tradição com a novidade do evangelho. Os apóstolos ensinavam esse novo caminho, essa nova doutrina e viviam dedicados a esse ministério (Atos 6.3-4).


Lucas (6,24) descreve a atividade dos apóstolos da seguinte forma: "E, todos os dias, no pátio do Templo e de casa em casa, eles continuavam a ensinar e a anunciar a boa notícia a respeito de Jesus, o Messias". De igual modo, as cartas de Paulo e as Epístolas Gerais foram escritas sob a ênfase do ensino, da exortação, procurando acima de tudo o zelo pela sã doutrina. Traduzindo isso para nossos dias, o texto bíblico desafia o professor de Escola Dominical a ter grande dedicação para dar aos seus ouvintes o melhor possível das Escrituras.
A pesquisa dedicada, a leitura de bons livros e comentários bíblicos, o conhecimento profundo das doutrinas bíblicas, a habilidade de articular as ideias da Bíblia com a realidade de vida dos jovens, são competências que o professor de Escola Dominical deve desenvolver para comunicar de modo eficiente. Ele deve levar sua sala de aula a ter uma experiência com o conteúdo.
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Dessa forma, o líder ou professor deve se propor a levar para sua classe um nível alto de conhecimento bíblico. Isso chama a atenção dos jovens e torna a ED mais interessante. Umas das situações que pode retirar o interesse do jovem em participar da Escola Dominical é a percepção de que seu professor não tem domínio do assunto proposto. Ensinar é apostar na propagação do Evangelho, das verdades do Reino e das pérolas que transformam significativamente os jovens.

O elemento criatividade
A Escola Dominical é um espaço onde se realizam processos de aprendizagem, estes envolvem o ambiente, as relações dentro desse ambiente e os recursos técnicos para o ensino.
Ser criativo não significa necessariamente ser um gênio que cria as coisas do nada. Ser criativo é desenvolver a capacidade de combinar situações e ideias que assumem novas funções. É a capacidade de combinar recursos técnicos que possam facilitar a apropriação do conteúdo.
Em muitos casos, para discutir um assunto da lição, o professor pode utilizar uma notícia de jornal, assistir um documentário, montar slides da aula, imagens e vídeos ou ainda passar conteúdos para os alunos durante a semana para que cada um tenha acesso e possa estudar juntamente com a revista.
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O professor precisa ser criativo para saber fazer os "links" da aula com as questões que estão acontecendo no momento na sociedade, na mídia, nas redes sociais ou na política, para que o conteúdo da aula tenha aplicação na vida cotidiana e o jovem consiga conectar a aula e a vida ao mesmo tempo. Fazendo isso, o jovem terá a compreensão de que o conteúdo bíblico é uma fonte rica de sabedoria sobre e para a vida. A Bíblia deixará de assumir o lugar de um livro de proibições e se tornará um livro de sabedoria para a vida.
Às vezes é interessante que a lição seja debatida por tópicos em pequenos grupos, colocando questões que desafiem os alunos a pensar e depois compartilhar com o grande grupo, abrindo sempre espaço para que cada um conecte o assunto com sua experiência pessoal.
É aconselhável ter uma boa sala de jovens, com cores vivas, bem arrumada e de preferência com cadeiras confortáveis. Os jovens podem pintar ou montar a sala ao seu próprio estilo, contudo sem descaracterizar a igreja. O ambiente da sala deve proporcionar ao jovem uma identificação de sua faixa etária.
Combinar os recursos didáticos, o ambiente de ensino e o conteúdo de ensino é um processo de criatividade que pode resultar em ótimos e significativos momentos de aprendizagem.

Uma nova relação pedagógica
Quando o líder ou professor prepara uma aula de Escola Dominical deve partir do princípio de que os jovens que estarão naquela aula têm a capacidade de entender e, inclusive, a capacidade de contribuir no decorrer da aula. Essa atitude coloca o professor num lugar de mediador das inteligências, abre espaço para a contribuição dos jovens e faz do processo de ensino um espaço de aprendizado mútuo.

Ensinar é uma forma de se relacionar. O bom relacionamento é caracterizado pela troca, pelo respeito, pela cordialidade, pelo amor e pelo diálogo. Era desta forma que Jesus ensinava seus discípulos: relacionando-se com eles de modo afetivo, cuidadoso e misericordioso.

Somos desafiados a fazer da Escola Dominical um espaço de construção de vínculos afetivos tal como Jesus criou com seus discípulos. Isso possibilitará que os alunos tenham abertura, sintam-se livres para expor suas dúvidas, angustias e crises sobre o saber da fé. Os ambientes de ensino onde existem bons relacionamentos são os mais produtivos e os espiritualmente mais edificantes.
Por fim, não devemos esquecer que os recursos técnicos, os bons relacionamentos e a capacidade criativa não serão eficientes sem a graça transformadora da Escritura. A busca pelo auxílio do Espírito Santo é o requisito primordial para qualquer desafio ministerial e eclesiástico.

Fonte: Ensinador Cristão, N° 71 - CPAD
Texto: Claiton Ivan P.
Reverberação: Subsídios EBD
 
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